A mostra gratuita, que celebra a resiliência e a criatividade da cidade, reúne obras de artistas locais e homenageia o histórico Movimento dos Incansáveis, evidenciando a pluralidade cultural que emerge deste território emblemático do Distrito Federal.
Uma emocionante exposição em Ceilândia Norte celebra os 55 anos de Ceilândia, mergulhando profundamente na história e na vibrante produção artística da região administrativa do Distrito Federal. A mostra é um tributo à memória e às experiências coletivas que moldaram um dos territórios mais emblemáticos do DF.
Artistas locais utilizam suas obras para dialogar com o passado e o presente da cidade, oferecendo novas perspectivas sobre a formação de Ceilândia e a resistência de seus moradores. É uma oportunidade única para o público revisitar a trajetória de uma comunidade que transformou desafios em arte e cultura.
A iniciativa, realizada pelo Programa Jovem de Expressão, com apresentação do Ministério da Cultura e do Instituto CNP Brasil, reforça o compromisso com a democratização do acesso à arte e o fortalecimento da produção artística periférica, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Origem de Ceilândia e o Legado dos Incansáveis
A exposição parte da própria origem de Ceilândia, fundada em 1971 durante a Campanha de Erradicação de Invasões, CEI, um processo que deslocou milhares de famílias para a região. Gu da Cei, artista e curador da mostra, destaca que “Ceilândia, assim como o DF, nasce do deslocamento”, ressaltando a marca da política de remoção que buscava reorganizar populações no território.
O nome da cidade, que deriva da sigla CEI, carrega as marcas de uma política de remoção, mas a comunidade transformou essa realidade. A mostra homenageia o histórico Movimento dos Incansáveis de Ceilândia, um grupo de moradores que reivindicou direitos essenciais para a população recém-chegada. Chamados de “incansáveis” pela persistência diante da negligência do poder público, esses pioneiros deixaram uma marca profunda na história da cidade.
O curador Gu da Cei afirma que a exposição celebra “uma cidade que transformou a violência em arte”. Ele vê a iniciativa como uma forma de reverenciar a cidade que o inspira, evidenciando sua origem e o que ela se tornou. A mostra busca revelar a diversidade de expressões que surgem do território, sua pluralidade, criatividade e resistência.
Arte e Memória Coletiva em Destaque
A exposição reúne trabalhos de artistas cuja trajetória é intrinsecamente ligada à experiência de viver em Ceilândia. As obras articulam a memória coletiva e a biografia por meio de arquivos pessoais, documentos, imagens históricas, relatos familiares e fabulações, criando um panorama rico e multifacetado da cidade.
Entre os pontos altos da mostra, estão imagens históricas de Ceilândia colorizadas, que promovem uma conexão entre o passado e o presente. Essas obras convidam o público a revisitar a memória da cidade sob novas perspectivas, valorizando a história e arte que pulsam no coração da comunidade.
Participam da mostra artistas como Antonio Luvs, Bruna Paz, Camz Rosendo, Coovas Kamel, Cristyle Cei, Dayana Correia, Dora Revolusie, Ester Cruz, Elom, Kliff Afrik, Gabriel Mesquita, P3drão, Rivas, Santz, Tauane Lyz, Webert da Cruz e Zahir. Eles representam diferentes linguagens e gerações da produção artística ceilandense, enriquecendo o diálogo cultural.
Programação Especial e o Papel da Cultura Local
Além das obras em exposição, a programação inclui intervenções urbanas que prometem dinamizar os espaços da cidade. Um dos momentos mais aguardados é a performance “Expresso Ceilândia”, que será apresentada no dia 27 de março, aniversário de Ceilândia, às 19h, na Galeria Risofloras.
Esta ação artística é uma celebração da história, da potência cultural e da resistência da cidade. A artista Camz Rosendo pontua que, “antes a Ceilândia se destacava pela violência e por ser perigosa, hoje a Ceilândia se destaca em cultura, criatividade, empreendedorismo, cores”. Ela atribui essa transformação a projetos socioeducativos que nasceram na própria Ceilândia.
A Galeria Risofloras, localizada em Ceilândia Norte e parte do Programa Jovem de Expressão, é um centro vital para a promoção do acesso democrático à arte. O espaço abriga exposições, oficinas, ações formativas e iniciativas de mediação cultural, com foco especial na juventude periférica.
Jovem de Expressão: Fortalecendo o Protagonismo Juvenil
O Programa Jovem de Expressão, uma iniciativa do Instituto de Referência da Juventude, é fundamental para o desenvolvimento da região. Ele é voltado à promoção da saúde e do bem-estar de jovens de 18 a 29 anos em Ceilândia, oferecendo um suporte abrangente à comunidade.
O programa desenvolve ações de terapia comunitária, prevenção à violência e ao uso de drogas, além de incentivar práticas culturais, saudáveis e empreendedoras. Com isso, o Jovem de Expressão fortalece o protagonismo juvenil, criando oportunidades e transformando a realidade de muitos moradores, consolidando a rica história e arte de Ceilândia.