Autoridades de São Paulo apreenderam computadores, HDs e câmeras na residência da família, buscando evidências de um macabro esquema de exploração infantil.
A morte brutal de Kratos Douglas, um menino de apenas 11 anos, chocou o bairro do Itaim Paulista, na Zona Leste de São Paulo. Encontrado sem vida e com sinais de tortura dentro da própria casa, o caso ganhou contornos ainda mais estarrecedores com o avanço das investigações.
A Polícia Civil de São Paulo agora apura a estarrecedora possibilidade de que o pai do garoto, Chris Douglas, não apenas submetia o filho a sessões de tortura, mas também filmava e comercializava essas imagens de horror. A suspeita eleva o grau de crueldade e exploração infantil envolvidos no caso.
Essa grave linha de investigação surgiu após a descoberta de uma série de equipamentos eletrônicos, incluindo computadores e câmeras, na residência da família, conforme informações divulgadas pelo g1.
Investigação Aprofunda Suspeita de Venda de Imagens de Tortura
A quantidade de dispositivos de gravação e armazenamento encontrados na casa da família de Kratos Douglas chamou a atenção dos investigadores. Foram apreendidos computadores, HDs e diversas câmeras espalhadas pelo imóvel, levantando a hipótese de que o local era monitorado internamente.
“A casa era monitorada, havia vários computadores. Nós apreendemos os computadores, apreendemos HDs, vários tipos de memória. Tudo isso será encaminhado à perícia para verificar o material. Se há algum material que possa nos dar uma finalidade”, afirmou o delegado Thiago Bassi nesta quinta-feira (14).
Os investigadores aguardam os resultados das perícias para confirmar se havia gravações das agressões e se esse conteúdo era armazenado ou compartilhado. A quebra dos dados telemáticos já foi solicitada e concedida pela Justiça, buscando esclarecer se o pai filmava e vendia as imagens da tortura.
A delegada Ancilla Dei Vega Dias Baptista Giaconi destacou a importância dos laudos periciais. “Já foi solicitada a quebra dos dados telemáticos. O juiz já concedeu para a gente verificar tudo. Nós vamos depender desses laudos periciais no primeiro momento”, explicou a autoridade policial.
A Polícia Civil está convicta da participação dos três familiares no crime, indicando que Kratos era acorrentado e torturado havia pelo menos um ano. Durante esse período, o menino praticamente não era visto fora do imóvel, levantando suspeitas dos vizinhos.
Família Presa e Detalhes da Crueldade Revelados
O pai de Kratos, Chris Douglas, de 52 anos, a avó paterna, Aparecida Gonçalves, de 81, e a madrasta, Camilla Barbosa Dantas Felix, de 42, estão presos. Eles foram indiciados por tortura com resultado morte, crime cuja pena pode chegar a 16 anos de prisão.
Durante o interrogatório, Chris Douglas admitiu que prendia o filho com correntes para impedir que ele fugisse de casa. Apesar de negar as agressões, as autoridades encontraram lesões nas pernas do menino, compatíveis com tortura, além de Kratos estar gravemente desnutrido.
Osvaldo Nico Gonçalves, secretário da Segurança Pública de São Paulo, descreveu a condição da criança. “Mais de um ano que esse menino, olha eu não vou mostrar essa imagem para ninguém, sabe quando você vê aquelas as crianças desnutridas magrinhas que é só esqueleto complementando é o caso desse menino”, disse o secretário.
Aparecida e Camilla foram presas por determinação judicial. Em seus depoimentos, elas afirmaram ter conhecimento de que Kratos era acorrentado pelo pai, mas negaram participação direta nas agressões. Elas alegaram que apenas alimentavam o garoto.
As mulheres justificaram o acorrentamento dizendo que o menino fugia constantemente e que essa seria, inclusive, a razão de sua desnutrição. A polícia, no entanto, informou que Kratos não frequentava a escola desde 2024 e que a família havia se mudado para o Itaim Paulista há cerca de um ano.
A Descoberta da Tragédia e Próximos Passos
Kratos Douglas foi encontrado morto no chão de um dos quartos da residência. A própria família acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros, alegando que o menino estava passando mal. Contudo, ao chegarem, os socorristas constataram que ele já estava sem vida.
O corpo da criança apresentava hematomas nos braços, mãos e pernas, além de outros sinais compatíveis com maus-tratos. Correntes, que o pai admitiu usar no filho, também foram encontradas no local e apreendidas pela polícia.
Duas outras crianças que estavam na casa, um menino de 3 anos, filho da madrasta, e uma menina de 12 anos, filha da mãe biológica de Kratos, foram encaminhadas ao Conselho Tutelar para proteção e acompanhamento.
A mãe biológica de Kratos, que reside no interior do estado, será ouvida pela polícia como testemunha. Por enquanto, ela não é alvo de investigação. O laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) ainda não foi concluído e será crucial para determinar a causa exata da morte do garoto.