Cliente Detalha Caos em Evacuação no Shopping Tijuca Durante Incêndio: ‘Não Teve Nada de Brigada’, Contradizendo Versão Oficial

Um cliente que estava no cinema do Shopping Tijuca com suas duas crianças durante o incêndio que atingiu o local, no dia 2 de janeiro, relatou uma experiência de correria e falta de informações claras durante o processo de evacuação. Seu depoimento contrasta com a versão oficial do centro comercial, que assegura o cumprimento de todos os protocolos de segurança.

O incidente, que resultou em duas mortes e três feridos, levantou questões sobre a preparação e a resposta do shopping em situações de emergência. A Polícia Civil também investiga possíveis irregularidades e dificuldades na perícia técnica do local, conforme informações divulgadas pelo g1.

Este relato reacende o debate sobre a segurança em grandes estabelecimentos e a importância de planos de evacuação eficazes, especialmente em locais de grande fluxo de pessoas, como o Shopping Tijuca.

Relato de Caos e Falta de Orientação na Evacuação

O cliente, que preferiu não se identificar, contou que o filme começou por volta das 18h20. Cerca de quarenta minutos depois, um aviso inusitado interrompeu a sessão. “Quando foi 19h, ligou a luz do cinema, entrou uma mulher do cinema lá na frente, falou baixinho assim: ‘Galera, vocês precisam sair porque tá pegando fogo’”, relembrou ele.

A situação rapidamente se transformou em desordem, especialmente porque as salas de cinema ficam no último pavimento do shopping, dificultando a saída. “Foi uma correria, as seis salas de cinema tendo que descer por aquela escada rolante que estava funcionando, aquela escada pequena. Eu estava com duas crianças. Não teve nada de evacuação, de brigada, de ponto de encontro”, afirmou o homem.

Ele descreveu que, ao chegar ao guichê do estacionamento, um ambiente aparentemente tranquilo o fez considerar permanecer ali. Contudo, a incerteza e a ausência de orientações oficiais o fizeram descer novamente, onde a confusão era evidente. “Aí quando a gente desceu, estava uma confusão, ou seja, não teve nada, de evacuação, brigadista indicando para onde ir, para onde não ir”, completou.

A Versão do Shopping Tijuca e os Protocolos de Segurança

Em nota, o Shopping Tijuca informou que a evacuação do empreendimento, desde o subsolo até o último pavimento, foi realizada de forma gradual e seguindo os protocolos de segurança estabelecidos. O centro comercial enfatizou que a loja Bell’Art, onde o incêndio começou, foi evacuada em cinco minutos, com os primeiros combates já em andamento pela brigada.

O subsolo, área mais crítica, foi evacuado em doze minutos, antes mesmo da chegada dos bombeiros. Os seis pisos superiores, por sua vez, começaram a ser esvaziados gradualmente, uma estratégia que, segundo o shopping, visava evitar acidentes causados pelo pânico e pela correria.

A nota reforça que 7 mil clientes, colaboradores e lojistas foram evacuados em segurança, sob a orientação das equipes de segurança, brigadistas, funcionários e bombeiros. O shopping também destacou que não houve tumulto, pisoteamento, empurra-empurra ou outros riscos que poderiam surgir em uma situação de tamanha gravidade.

Incêndio no Shopping Tijuca: Origem e Dificuldades na Perícia

O incêndio teve início em uma loja de decorações localizada no subsolo do Shopping Tijuca. Funcionários relataram ter sentido cheiro forte e visto fumaça por volta das 18h30. A suspeita inicial é que o fogo tenha começado no sistema de refrigeração da loja. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 18h43 do dia 2 de janeiro.

Quatro dias após o incidente, a Polícia Civil enfrentou dificuldades para concluir a perícia técnica no local. A temperatura no interior da loja atingida ainda era de cerca de 70°C, impedindo o avanço dos peritos até o ponto considerado o foco inicial do fogo. A equipe conseguiu acessar o local, mas o calor intenso e os escombros inviabilizaram a aproximação da área do depósito, apontada como possível origem.

Diante do cenário, os peritos solicitaram apoio da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros para o isolamento de pontos específicos e a adoção de medidas que permitam novas etapas do trabalho. A polícia informou que será necessária a instalação de escoras para reforçar o solo e reduzir os riscos de acidentes, somente após essa intervenção será possível alcançar a área onde o incêndio pode ter começado.

Consequências e Investigação Policial

O incêndio no Shopping Tijuca deixou um saldo trágico de duas mortes e três feridos. As vítimas fatais foram o supervisor de segurança do shopping, Anderson Aguir do Prado, e a bombeira civil Emellyn Silva Aguiar Menezes, ambos atuando no combate às chamas e na retirada de pessoas.

A tragédia levou à interdição total do subsolo e de 17 lojas do térreo do centro comercial. A delegada adjunta da 19ª DP (Tijuca), Maíra Rodrigues, enfatizou a importância da perícia para esclarecer a origem do fogo. “A gente precisa estabelecer o ponto focal do incêndio e a causa do incêndio. Até agora temos hipóteses, mas não podemos concluir de forma técnica. Só a peça técnica pode determinar o ponto inicial”, afirmou.

A Defesa Civil Municipal descartou risco de desabamento, garantindo que não há risco estrutural. A Polícia Civil, por sua vez, pretende ouvir mais três testemunhas consideradas fundamentais para a investigação: a superintendente do shopping, o chefe da equipe de brigadistas e um dos feridos, que segue internado. A delegacia também requisitou imagens das câmeras de segurança e documentação técnica do shopping para análise, apurando relatos de possíveis irregularidades, como demora na evacuação e falhas nos protocolos de combate ao incêndio.

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