A saga da família de Karl Van Roon para trazer o corpo do filho de volta ao Canadá esbarra em uma complexa rede de burocracia, leis e prazos no Brasil.
A busca desesperada de uma família canadense por seu filho desaparecido em Santos teve um desfecho trágico. Karl Van Roon, de 39 anos, que vivia em situação de rua, foi encontrado morto um dia após a publicação de uma reportagem que buscava sua identificação.
Sua morte, causada por uma embolia pulmonar, deixou a família em luto, mas também trouxe alívio pelo fim da incerteza. No entanto, a jornada para trazer o corpo de Karl de volta ao Canadá ainda está longe de terminar.
A Prefeitura de Santos informou que o processo de exumação e translado dos restos mortais do canadense pode levar até um ano para ser concluído, conforme informações divulgadas pelo g1.
O Reconhecimento e a Trágica Descoberta
Meses antes, Karl Van Roon vivia nas ruas de Santos, comunicando-se por sinais, mas compreendendo inglês e italiano. Uma reportagem, motivada pela preocupação de um morador, buscava encontrar seus familiares.
Para auxiliar na identificação do canadense, foi utilizada até mesmo Inteligência Artificial (IA), buscando dar um rosto ao homem desconhecido para sua família.
A esperança de um reencontro foi brutalmente interrompida. Karl faleceu em 9 de junho de 2024, após sofrer uma embolia pulmonar, um dia depois da matéria ser publicada. Ele foi encontrado sem vida em uma calçada da Rua Braz Cubas.
A família reconheceu Karl Van Roon por fotografias no Instituto Médico Legal (IML). Sua identidade foi confirmada através das impressões digitais enviadas à polícia de Vancouver, no Canadá.
O delegado Thiago Nemi Bonametti, da 3ª Delegacia de Polícia de Investigação sobre Homicídios de Santos, confirmou o processo de identificação ao g1, validando a triste notícia.
Apesar da dor da perda, o pai de Karl expressou um sentimento de alívio, “Agora, podemos começar a viver o luto de verdade. Agora, sabemos que não está aqui”, disse ele em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo.
A Burocracia para o Translado
A morte de Karl Van Roon foi registrada como de pessoa não identificada. Por este motivo, seu sepultamento foi realizado gratuitamente no Cemitério da Areia Branca, em Santos.
O enterro do canadense ocorreu em 18 de junho de 2024, conforme nota divulgada pela Secretaria de Desenvolvimento Social de Santos.
A exumação do corpo, para fins de translado, só poderá ocorrer a partir de junho de 2027, ou seja, três anos após a morte. Antes desse prazo, a medida exige autorização sanitária e decisão judicial, mediante solicitação da família.
A secretaria ressaltou que os trâmites de translado de restos mortais seguem complexas normas legais. Elas incluem legislações municipais, estaduais e federais.
Além disso, há protocolos sanitários rigorosos, regulados por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que precisam ser cumpridos para o translado do corpo de Karl.
A Espera da Família e o Apoio Consular
A mãe de Karl confirmou ao g1 que ainda não iniciou os trâmites formais para a exumação e translado do corpo do filho. Ela aguarda a conclusão de “alguns procedimentos” não especificados pela polícia antes de prosseguir.
Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores do Canadá informou que as autoridades canadenses estão prestando assistência consular à família de Karl Van Roon. Elas também mantêm contato direto com as autoridades brasileiras para acompanhar o caso.