Corujas-buraqueiras: Santa Fé do Sul protege vida silvestre com iniciativa viral de observador de aves no coração da cidade

A dedicação de um observador de aves transformou um canteiro urbano na principal avenida de Santa Fé do Sul em um santuário para as corujas-buraqueiras, promovendo convivência e cuidado com a vida silvestre.

A cidade de Santa Fé do Sul, localizada no noroeste paulista, com seus 36 mil habitantes, é conhecida por sua tranquilidade e, agora, por abrigar moradores muito especiais em seu centro urbano.

Bem no coração do município, na movimentada Avenida Navarro de Andrade, uma família de corujas-buraqueiras (Athene cunicularia) encontrou um lar e, para a alegria da comunidade, recebe proteção especial.

Essa inspiradora iniciativa partiu de um observador de aves local, transformando o canteiro central em um verdadeiro ponto de encontro entre humanos e a natureza, conforme informação divulgada pelo g1.

Um Olhar Atento que Gerou Proteção Urbana

Percival Gonzales, um apaixonado por aves, foi o responsável por essa transformação. Trabalhando próximo à avenida, ele notou a presença dos ninhos das corujas-buraqueiras e passou a monitorá-las.

“Como essa praça fica perto do meu trabalho, eu fiquei sempre observando elas. Aí me deparei com o ninho delas lá e fiquei monitorando. Tirou os filhotes, aí eu pensei, por que não colocar uma plaquinha, pra ajudar a preservar as corujas”, explica Percival, ao g1.

Com a ajuda de amigos, Percival arrecadou recursos para confeccionar e instalar uma placa informativa ao lado de uma das tocas. A placa não apenas identifica a espécie, mas também alerta os moradores de Santa Fé do Sul sobre a importância de proteger o lar das aves.

Essa simples ação teve um impacto significativo, transformando o local em um ponto turístico. “Depois que eu coloquei a placa, tive a iniciativa de colocar essa placa, de preservar, todos colaboram com a preservação. Pessoal tira foto, faz vídeo, virou um ponto turístico ali”, conta Percival.

A Vida Urbana das Corujas-buraqueiras

Apesar de morarem em uma área central e movimentada, as corujas-buraqueiras de Santa Fé do Sul se adaptaram surpreendentemente bem ao agito urbano. Elas já estão acostumadas com a presença humana e o barulho de carros e caminhões.

“Elas estão acostumadas com todo mundo, todo mundo que passa ali elas nem mais voam, às vezes uma entra na toca, às vezes nem entra. Então elas estão bem acostumadas, acostumadas com as pessoas que passam à pé”, relata Percival, destacando a tranquilidade dos animais.

O observador também notou um comportamento interessante das aves em dias de calor intenso, comum no noroeste paulista. Em vez de permanecerem expostas, as corujas buscam abrigo na bilheteria de uma mini estação de trenzinho da alegria, que fica ao lado do ninho, retornando às suas tocas quando o sol diminui.

Além de zelar pelas corujas-buraqueiras, Percival Gonzales estende seu trabalho de conservação para outras espécies. Ele mantém um comedouro para araras-canindé (Ara ararauna) em outro ponto público da cidade, também com uma placa de conscientização.

Conheça a Coruja-buraqueira: Características e Habitat

A coruja-buraqueira, da família Strigidae, recebe seu nome científico, Athene cunicularia, que significa “pequeno mineiro”, devido à sua habilidade de cavar buracos no solo para construir seus ninhos.

É uma ave de pequeno porte, com machos medindo entre 21,5 e 28,5 cm e pesando de 110 a 285 g, enquanto as fêmeas medem de 22 a 25 cm e pesam de 150 a 265 g. Curiosamente, o macho é ligeiramente maior, e as fêmeas geralmente são mais escuras.

Suas características físicas incluem uma cabeça redonda sem penachos, olhos amarelos dispostos lado a lado e sobrancelhas brancas marcantes, que contribuem para sua expressão peculiar.

Os ninhos são construídos em cupinzeiros ou em buracos escavados no solo, formando túneis de até 2 metros de profundidade. O casal se reveza na escavação e forra o fundo da toca com capim seco para abrigar os ovos.

Para atrair insetos, uma fonte de alimento, as corujas-buraqueiras acumulam estrume ao redor das covas. A fêmea bota, em média, de 6 a 11 ovos, incubando-os por 28 a 30 dias, enquanto o macho se dedica à alimentação e proteção da família.

Os filhotes emergem do ninho com cerca de 44 dias e começam a caçar insetos entre 49 e 56 dias. Em caso de perigo, os filhotes se escondem no ninho, e os adultos defendem ferozmente, voando em direção a predadores potenciais, desviando no último instante.

A distribuição da coruja-buraqueira é vasta, abrangendo desde o sul do Canadá até a Terra do Fogo, na Argentina, e ocorre em quase todo o Brasil, com exceção da bacia amazônica.

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