A escassez de sangradores impacta a produção de borracha natural em SP. Produtores rurais buscam reverter o quadro com cursos de sangria, qualificando profissionais para a extração de látex e impulsionando o setor.
A produção de borracha natural no interior de São Paulo enfrenta um desafio crescente, a escassez de mão de obra qualificada para a extração de látex. A falta dos chamados “sangradores de seringueira” tem impactado diretamente o setor, levando à paralisação de parte das lavouras e à perda de potencial produtivo em diversas propriedades.
Diante desse cenário preocupante, produtores rurais da região estão buscando soluções inovadoras. O investimento em cursos de sangria, que visam capacitar novos profissionais, surge como uma estratégia essencial para revitalizar a atividade e garantir a continuidade da produção.
Essa iniciativa não apenas busca preencher as vagas abertas no campo, mas também renovar o interesse pela profissão, conforme informações divulgadas pelo g1.
O Desafio da Mão de Obra e a Aposta na Qualificação
A falta de mão de obra qualificada para a extração de látex tem se tornado um gargalo significativo para os produtores rurais paulistas. Em Mirassol, por exemplo, um curso de qualificação tem atraído diversos perfis de alunos, desde donas de casa até ex-jogadores de futebol, todos em busca de uma nova oportunidade e inserção no mercado de trabalho.
A gravidade da situação pode ser observada em Neves Paulista, onde uma fazenda com 20 mil pés de seringueira teve 25% de sua área produtiva paralisada por três anos consecutivos, justamente pela ausência de sangradores. Cerca de cinco mil árvores permanecem sem produzir, gerando perdas significativas para a economia local e para o produtor.
Especialistas apontam que a oscilação no preço da borracha, atualmente cotada a cerca de R$ 4,20 o quilo, contribui para afastar o interesse de novos profissionais pelo setor. A percepção de que a atividade é desvalorizada também é um fator que dificulta a renovação da mão de obra no campo, exigindo um esforço conjunto para mudar essa imagem.
De Ex-Atleta a Sangrador: Novos Perfis no Campo
O curso de sangria, realizado na Etec de Mirassol em parceria com o sindicato rural, já formou 30 pessoas neste ano, demonstrando a crescente demanda por capacitação e a busca por novas habilidades. A iniciativa tem sido um ponto de encontro para diferentes histórias e aspirações profissionais, mostrando a versatilidade do setor.
Entre os alunos está Marcel Augusto Ortlan, um ex-jogador de futebol com passagens por grandes clubes como São Paulo, Santos e Cruzeiro. Ele trocou os gramados pelo campo e agora enfrenta, como produtor rural, a mesma dificuldade de encontrar mão de obra para a extração de látex, buscando na qualificação uma solução para seu próprio negócio.
Outro exemplo inspirador é Deise Cristina Souza, uma dona de casa que busca qualificação para trabalhar ao lado do marido, que já atua como sangrador de seringueira. Essas histórias ilustram a urgência e a diversidade de pessoas que veem na profissão uma nova oportunidade de geração de renda e desenvolvimento pessoal.
Reajustes e a Luta por Valorização Profissional
Para reverter o desinteresse e atrair novos trabalhadores, proprietários rurais estão oferecendo reajustes atrativos na remuneração. Algumas fazendas chegam a repassar metade do valor obtido com a produção diretamente ao sangrador, uma medida para tornar a profissão mais competitiva e valorizada no mercado de trabalho rural.
Vinicius Gomes Barreto, gerente de uma fazenda em Neves Paulista, destaca que a oscilação do mercado da borracha é um fator que desestimula. No entanto, o setor busca ativamente desmistificar a ideia de que a atividade é desvalorizada, ressaltando a importância estratégica dos sangradores de seringueira para a cadeia produtiva.
A renovação da mão de obra é considerada urgente para a categoria. A capacitação e a oferta de melhores condições de trabalho são vistas como pilares fundamentais para garantir a sustentabilidade da produção de borracha natural e a vitalidade econômica da região, assegurando um futuro promissor para o agronegócio paulista.