Crise e Asilo: Seis Jogadoras da Seleção Feminina do Irã Permanecem na Austrália Após Recusarem Retorno e Serem Chamadas de ‘Traidoras’

Decisão histórica marca o futuro das atletas iranianas em meio a tensões políticas e acusações governamentais, mobilizando apoio internacional.

Um capítulo dramático se desenrolou no Aeroporto de Sydney, na Austrália, onde parte da seleção feminina de futebol do Irã tomou uma decisão que reverberou globalmente.

Seis de suas integrantes optaram por não retornar ao país de origem, aceitando ofertas de asilo do governo australiano e provocando uma complexa trama de segurança e política.

A situação, que as viu serem chamadas de “traidoras” pelo governo iraniano, ganhou contornos de crise internacional, conforme informações divulgadas pelo G1.

O Drama da Partida e o Asilo Concedido

Nesta quarta-feira, dia 11 de março de 2026, a delegação da seleção feminina de futebol do Irã partiu da Austrália, mas com um número reduzido de atletas. Seis jogadoras decidiram permanecer em solo australiano.

A oferta de asilo foi reforçada pelo governo australiano dentro do próprio terminal de embarque, oferecendo às atletas uma chance de não retornar ao Irã.

As jogadoras foram levadas individualmente para reuniões com autoridades, onde, por meio de intérpretes, puderam compreender a opção de não voltar para casa.

Sete mulheres já haviam aceitado vistos humanitários, que garantem residência permanente na Austrália. Contudo, uma das atletas mudou de ideia de última hora e optou por regressar ao Irã.

O Ministro do Interior australiano, Tony Burke, comentou a situação, afirmando que “Na Austrália, as pessoas podem mudar de ideia”.

Ele também expressou preocupação com a decisão da atleta que mudou de ideia, dizendo: “Infelizmente, ao tomar essa decisão, ela foi aconselhada por suas colegas e pelo técnico a entrar em contato com a embaixada iraniana e ser buscada”.

Burke adicionou que essa ação “significou que a embaixada iraniana agora sabia a localização de onde todos os outros estavam”, levantando questões de segurança para as atletas.

As seis mulheres que permaneceram na Austrália foram imediatamente transferidas para um local seguro. O ministro prometeu que elas não enfrentarão batalhas legais e receberão apoio em saúde, moradia e outros auxílios.

Interessantemente, alguns membros da delegação com supostas ligações com a Guarda Revolucionária paramilitar do Irã não receberam ofertas de visto. “Havia algumas pessoas deixando a Austrália das quais estou feliz que não estejam mais na Austrália”, disse Burke.

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) confirmou a viagem da equipe para Kuala Lumpur, na Malásia, e prometeu “todo o apoio necessário à equipe durante sua estadia”, até que os arranjos de viagem subsequentes fossem confirmados.

Acusações de ‘Traidoras’ e Repercussão Internacional

A origem da controvérsia remonta à recusa das jogadoras em cantar o hino nacional do Irã antes de uma partida da Copa da Ásia, na Austrália. O governo iraniano classificou a equipe como “traidora em tempos de guerra”.

A seleção feminina do Irã chegou à Austrália antes do início de uma guerra com o Irã. Após a derrota no último jogo, o retorno ao país era iminente, mas associações de torcedores iniciaram um movimento por asilo.

Tony Burke ressaltou o impacto do gesto das atletas: “Quando aquelas jogadoras ficaram em silêncio no início de sua primeira partida na Austrália, aquele silêncio foi ouvido como um rugido em todo o mundo”.

Ele enfatizou a resposta australiana: “Nós respondemos dizendo: o convite está feito. Na Austrália, você pode estar segura”.

O destino das mulheres atraiu a atenção internacional, com grupos de irano-australianos alertando para as “consequências terríveis” que poderiam enfrentar do governo teocrático do Irã.

Uma foto que circulou, mostrando uma mulher sendo conduzida pelo pulso até o ônibus, gerou “nova indignação na Austrália”, aumentando a pressão sobre o caso.

Até mesmo o presidente dos EUA, Donald Trump, interveio inicialmente, criticando o governo australiano por não oferecer asilo. Contudo, mais tarde, soube-se que as discussões já estavam ocorrendo privadamente entre as autoridades e as mulheres.

Reação do Irã e Futuro das Atletas

Do lado iraniano, as sugestões de insegurança para as atletas foram rejeitadas. O primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref, declarou que “O Irã recebe seus filhos de braços abertos e o governo garante sua segurança”.

Aref também criticou a interferência externa, afirmando que “Ninguém tem o direito de interferir nos assuntos familiares da nação iraniana e desempenhar o papel de uma babá que é mais gentil do que a mãe”.

A TV estatal iraniana informou que a federação de futebol do país solicitou aos órgãos internacionais que “revisassem o que chamou de interferência política direta de Trump no futebol”, alertando sobre possíveis perturbações na Copa do Mundo de 2026.

Enquanto a AFC prometeu apoio à equipe restante, o futuro das seis jogadoras que buscaram asilo na Austrália se desenha com a promessa de residência permanente e auxílio governamental, marcando um ponto de virada em suas vidas e na história do esporte feminino iraniano.

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