Crise Humanitária em Teresina: Pacientes Ostomizados Sofrem Há Quase Um Ano com a Falta de Bolsas de Ostomia Essenciais do SUS, Enfrentando Queimaduras e Risco de Infecção Grave

A escassez alarmante de bolsas de ostomia adequadas, fornecidas pelo SUS em Teresina, tem mergulhado centenas de pacientes em uma rotina de dor e sofrimento, forçando o uso de materiais impróprios que causam lesões severas e aumentam o risco de infecções, conforme denúncias e relatos alarmantes.

A vida de centenas de pacientes ostomizados em Teresina tornou-se um calvário devido à falta crônica de bolsas de ostomia fornecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Essa situação crítica já se estende por quase um ano, transformando o cotidiano de quem depende desses itens em uma luta constante contra a dor e o risco à saúde.

Sem os materiais adequados, muitos são forçados a improvisar ou a utilizar modelos incompatíveis com suas necessidades específicas, resultando em queimaduras na pele, lesões e um aumento significativo do perigo de infecções. A Fundação Municipal de Saúde (FMS) afirma que o material já foi licitado, mas a realidade nos hospitais e lares é de desabastecimento.

A gravidade da situação foi amplamente divulgada, conforme informações veiculadas pelo g1, que trouxe à tona os depoimentos emocionantes e as preocupações de pacientes e da Associação dos Ostomizados do Piauí.

O drama dos pacientes sem material adequado

Maria Iranilde Meneses, uma das pacientes afetadas, relata o sofrimento diário. Ela está há meses sem receber o modelo de bolsa de ostomia indicado para seu caso, o que a obriga a usar outras opções. “Está queimada aqui, na barriga, e está com um tempo que eu não uso a bolsa adequada para mim. Eu chorei, minha menina foi botar a bolsa, que não é adequada, aí eu chorei de dor”, desabafou emocionada.

A dor e o desconforto são uma constante. As bolsas de ostomia inadequadas não vedam corretamente, permitindo o vazamento de efluentes que irritam e queimam a pele ao redor do estoma. Isso não só causa dor intensa, mas também cria um ambiente propício para complicações sérias.

Muitos pacientes, sem alternativas e sem condições financeiras, veem-se obrigados a comprar as bolsas de ostomia por conta própria. “É o jeito comprar. Mesmo sem poder, a gente tem que comprar. É um direito nosso e nem isso a gente tá tendo mais”, afirmou Helena Augusta, outra paciente que enfrenta essa dura realidade em Teresina.

Associação alerta para o descaso e riscos à saúde

A Associação dos Ostomizados do Piauí tem acompanhado de perto essa crise e denuncia que a falta de distribuição atinge centenas de pacientes ostomizados. Rosário Sales, vice-presidente da entidade, enfatiza a gravidade do problema e a inadequação dos materiais que estão sendo utilizados.

“Tem pessoas usando bolsas que seriam de duas peças, convexas, e estão usando plana. Pessoas de ileostomia, que têm fezes líquidas, estão usando bolsa de colo. Essas pessoas estão tendo queimaduras absurdas na pele”, explicou Rosário. Essa troca de tipos de bolsas é extremamente prejudicial, pois cada modelo é projetado para um tipo específico de estoma e efluente.

A associação também informou que a FMS recebeu um prazo de 45 dias, a partir de 10 de fevereiro, para regularizar as entregas das bolsas de ostomia. No entanto, a vice-presidente reforça que a falta do material já se estende por mais de um ano, gerando um cenário de incerteza e angústia para os pacientes.

Especialistas alertam para complicações graves

Além do sofrimento físico e psicológico, médicos alertam para os riscos significativos à saúde dos pacientes ostomizados. O coloproctologista Rafael Correia Lima explica que o uso incorreto das bolsas de ostomia pode levar a complicações sérias, inclusive infecções.

“Se não houver cuidado adequado, os vazamentos podem causar queimaduras, lesões de pele e infecções”, afirmou o especialista. Ele também destaca a importância de bolsas especiais, como as convexas ou de duas peças, que são mais caras e, dependendo do tipo de ostomia, são absolutamente essenciais para garantir a qualidade de vida e a saúde do paciente.

A ausência desses itens básicos compromete não apenas o bem-estar imediato, mas também a integridade da pele periestoma e a saúde geral do indivíduo, que já enfrenta desafios significativos por conta de sua condição.

A luta por um direito básico

A situação em Teresina é um reflexo da necessidade urgente de uma gestão mais eficiente e humanizada na distribuição de insumos médicos essenciais. As bolsas de ostomia não são apenas um material de apoio, são um componente vital para a dignidade e a saúde de milhares de pessoas.

Enquanto a FMS afirma que o material já foi licitado, os pacientes ostomizados continuam a esperar, vivendo com dor e o constante medo de complicações. A comunidade de Teresina e o Piauí clamam por uma solução imediata para garantir o acesso a um direito fundamental à saúde.

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