A Câmara Municipal de Turilândia, no Maranhão, enfrenta um momento de intensa turbulência política. Após a prisão preventiva de oito vereadores envolvidos em um suposto esquema de desvio de fundos públicos, a casa legislativa agiu rapidamente para preencher as vacâncias.
Oito novos suplentes foram convocados para assumir as cadeiras, visando garantir a continuidade dos trabalhos parlamentares na cidade. A medida reflete a gravidade das investigações que abalam a administração municipal.
Os parlamentares presos são acusados de participar de um esquema que teria desviado mais de R$ 56,6 milhões dos cofres da Prefeitura de Turilândia, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Convocação Urgente e os Nomes dos Suplentes
O presidente interino da Câmara Municipal de Turilândia, Daniel Barbosa Silva, publicou no Diário Oficial a convocação de oito suplentes. Eles têm um prazo de 48 horas para assumir as vagas, sob pena de perderem o direito ao próximo da lista.
Os suplentes convocados são: João de Deus Soares dos Santos (PRD), Gleydson Froes Silva (PRD), Leopoldo Sá de Sousa (PRD), Manoel Estrela Guedes (União Brasil), José Nilton Pereira (União Brasil), Sebastiana Vieira Moraes (União Brasil), Marta de Lima Moreira (União Brasil) e Valdemir Froes Chagas (Solidariedade).
Entenda a Prisão dos Vereadores e o Esquema Investigado
A troca no legislativo ocorre após uma decisão do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), que converteu a prisão domiciliar dos parlamentares em prisão preventiva. A justificativa para a mudança foi o descumprimento de medidas cautelares impostas em dezembro de 2025.
Segundo a Justiça, os vereadores teriam violado restrições como o uso da tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com outros investigados. Os parlamentares estão detidos no Presídio de Pinheiro.
Os vereadores presos são: Gilmar Carlos Gomes Araújo, Mizael Brito Soares, José Ribamar Sampaio, Nadianne Judith Vieira Reis, Sávio Araújo e Araújo, Josias Fróes, Carla Regina Pereira Chagas e Inailce Nogueira Lopes. Dois vereadores, Daniel Barbosa Silva e José Luís Araújo Diniz, não foram alvo do pedido de prisão por não descumprirem as restrições.
A investigação aponta que o esquema de desvio de R$ 56,6 milhões da Prefeitura de Turilândia ocorreu entre 2021 e 2025, envolvendo empresas de fachada e atingindo principalmente as áreas da Saúde e Assistência Social.
A Defesa dos Parlamentares Contesta as Prisões
A defesa dos vereadores de Turilândia emitiu uma nota afirmando que considera as novas prisões manifestamente ilegais. Segundo os advogados, os parlamentares já estavam em prisão domiciliar e cumprindo rigorosamente o monitoramento por tornozeleira eletrônica.
A nota destaca que a decisão do TJMA se baseia em interpretações equivocadas de fatos já esclarecidos pela defesa em petições anteriores. A defesa lamenta que seus argumentos tenham sido ignorados e confia na reparação da ilegalidade para a restauração da justiça e liberdade dos parlamentares.
Intervenção Estadual e Denúncias do Ministério Público
Além da crise no legislativo, o Executivo de Turilândia também passa por uma intervenção estadual. O defensor público Thiago Josino Carrilho de Arruda Macêdo foi nomeado como interventor, com prazo inicial de 180 dias, após o presidente da Câmara assumir a prefeitura mesmo sendo investigado.
O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) denunciou o prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), a vice-prefeita, a ex-vice-prefeita e sete familiares por suspeita de desviar R$ 56,3 milhões em recursos públicos, no âmbito da Operação Tântalo II.
O prefeito Paulo Curió é apontado como chefe da organização criminosa, acusado de promover e dirigir o esquema de desvios por meio de contratos fraudados, fraudes a licitações, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Familiares, como a primeira-dama Eva Dantas e a vice-prefeita Tânya Karla, são acusados de integrar o esquema e auxiliar na ocultação de valores ilícitos.
O MP-MA solicitou o ressarcimento integral dos R$ 56,3 milhões desviados, a perda de bens e valores relacionados ao esquema, e a manutenção das medidas cautelares, como bloqueio de bens e afastamentos. A defesa de alguns dos denunciados afirmou que eles confiam na Justiça para o esclarecimento dos fatos.