CVM Intensifica Análise em Casos Complexos Envolvendo Banco Master e Reag
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou a criação de um grupo de trabalho focado na análise de um vasto conjunto de informações. Este grupo terá como objetivo principal examinar dados relacionados ao conglomerado Banco Master, à Reag e a outras entidades que possuem conexão com o intrincado caso de **fraudes financeiras** que vem sendo investigado.
A iniciativa da autarquia surge em um momento crucial, após a liquidação do Banco Master e em meio a intensas apurações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Banco Central. Essas investigações buscam esclarecer suspeitas de irregularidades e operações fraudulentas envolvendo fundos e diversas atividades do grupo, conforme informações divulgadas pelo G1.
A formação do grupo de trabalho representa um passo significativo na gestão de riscos e na busca por transparência, com a CVM reafirmando seu compromisso em acompanhar de perto os desdobramentos e garantir a integridade do mercado financeiro.
Ação da CVM e Escopo do Grupo de Trabalho
O Comitê de Gestão de Riscos (CGR) da CVM aprovou formalmente a criação deste grupo, que terá um escopo, governança e prazo de atuação claramente definidos. Os trabalhos estão programados para iniciar em 9 de fevereiro, com uma estimativa de até três semanas para sua conclusão.
Ao final deste período, um relatório detalhado será produzido para apreciação e deliberação do comitê. A CVM esclareceu, por meio de nota, que a medida integra os mecanismos regulares de governança e gestão de riscos da instituição, visando dar continuidade ao acompanhamento institucional do caso.
Nesta fase preliminar, o comitê já teve acesso a informações cruciais sobre a atuação das áreas internas de supervisão, fiscalização e acusação. Isso inclui a abertura de procedimentos ao longo dos últimos anos, comunicações já realizadas a outros órgãos públicos e o andamento interno de inquéritos correlatos às **fraudes financeiras**.
A autarquia afirmou que a finalidade do grupo é consolidar e sistematizar fatos, processos e informações. O objetivo é aprimorar o diagnóstico institucional, permitir um acompanhamento mais integrado das ações em curso e assegurar a prestação de contas à sociedade.
Além disso, a CVM poderá avaliar, quando for cabível, melhorias estruturais em regulação, supervisão, governança processual e cooperação institucional, buscando fortalecer o sistema financeiro.
Contexto das Investigações: Liquidação e Pagamentos do FGC
A criação deste grupo de trabalho ocorre em um cenário de grande turbulência, marcado pela liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. Naquela ocasião, o BC justificou a decisão afirmando que o banco não possuía condições de honrar seus compromissos financeiros.
Recentemente, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou que já efetuou o pagamento de R$ 36 bilhões em garantias aos credores do conglomerado Master. Este valor representa 89% do montante total previsto para ser pago.
Em termos de beneficiários, aproximadamente 628 mil credores já receberam os valores devidos, o que corresponde a 81% do total de pessoas com direito à garantia. O FGC orientou os clientes a manterem as notificações de seus aplicativos ativas para receberem alertas sobre eventuais etapas necessárias para a conclusão do processo.
O FGC também estimou que pagará R$ 6,3 bilhões em garantias relacionadas ao Will Bank, uma instituição que também era ligada ao Banco Master e que foi igualmente liquidada. Os pagamentos do Will Bank devem começar após o recebimento da base de credores, que será consolidada pelo liquidante com o apoio do próprio FGC.
O Envolvimento da Reag e as Suspeitas sobre Fundos
O caso do Banco Master se estende às apurações sobre a atuação da Reag na estruturação e administração de fundos de investimento. A Polícia Federal investiga se fundos associados à Reag foram utilizados em operações financeiras suspeitas, com o intuito de movimentar recursos de forma irregular, inflar resultados e ocultar riscos, evidenciando indícios de fraude e lavagem de dinheiro.
O Banco Central já havia sinalizado que as relações entre o Banco Master e empresas ligadas à Reag estavam sob seu radar desde 2024. No centro das apurações, encontra-se a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, que anteriormente era conhecida como Reag Trust DTVM, administradora de fundos do grupo.
Em 15 de janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, resultando no encerramento imediato de suas atividades. O BC fundamentou a decisão no descumprimento de regras legais e prudenciais, que comprometeram a capacidade da empresa de operar de maneira segura. A autarquia informou ainda que os bens de controladores e ex-administradores foram bloqueados, conforme previsto na legislação.
É importante destacar que, segundo o Banco Central, a liquidação afeta a DTVM, mas não os fundos sob sua gestão. Estes fundos permanecem ativos e deverão buscar novos administradores no mercado.
A Engrenagem Financeira Descrita pelo Banco Central
Em um documento citado na investigação, o Banco Central detalhou uma complexa estrutura que, segundo a autoridade monetária, foi empregada para inflar artificialmente o patrimônio de fundos e mascarar os riscos do Banco Master. Essa engenharia financeira é um dos pontos-chave nas **fraudes financeiras** investigadas.
A lógica apontada pelo BC envolvia, em linhas gerais, a circulação de dinheiro por diferentes fundos administrados pela Reag, com o retorno desses recursos ao próprio Banco Master. Uma das operações exemplares citadas ocorreu em abril de 2024.
Na ocasião, o Banco Master concedeu um empréstimo de R$ 459 milhões à empresa Brain Realty Consultoria. Apenas dois dias depois, a Brain transferiu R$ 450 milhões para um fundo próprio, o Brain Cash, administrado pela Reag.
No mesmo dia, o dinheiro circulou rapidamente por outros fundos do grupo, em operações realizadas em questão de minutos. Segundo o Banco Central, um dos fundos envolvidos, o High Tower, utilizou recursos para adquirir títulos antigos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc).
Embora os papéis tivessem custado cerca de R$ 850 milhões, o fundo registrou em balanço que eles valiam mais de R$ 10 bilhões, uma prática que inflaria seu patrimônio e a rentabilidade de forma artificial. Parte desses títulos, de acordo com a apuração, foi revendida a outros fundos administrados pela Reag por valores bilionários, ampliando a distorção contábil.
Ainda segundo o BC, os recursos iniciais foram pulverizados entre vários fundos ao longo do mesmo dia e, algumas horas depois, retornaram ao próprio Banco Master por meio de aplicações em CDBs. Investigadores afirmam que essa estrutura poderia criar uma falsa aparência de solidez e liquidez, além de dificultar o rastreamento do dinheiro e ocultar as **fraudes financeiras**.