Desbarrancamento no Acre: Famílias Desalojadas pelo Rio Juruá em Cruzeiro do Sul Vivem Drama e Medo de Perder Tudo Após Avanço da Erosão

Famílias em Cruzeiro do Sul enfrentam o drama do desbarrancamento: Rio Juruá avança, demolindo casas e deixando moradores em alerta máximo contra a erosão.

A cidade de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, vive momentos de tensão. Famílias inteiras estão sendo forçadas a deixar suas casas devido ao avanço implacável do desbarrancamento às margens do Rio Juruá, uma situação que gera medo e incerteza.

A erosão acelerada tem minado a estrutura de moradias no bairro Miritizal, levando à demolição de casas e à iminente perda de outras. O drama dessas pessoas é visível, com muitos relatando noites sem sono e a constante preocupação com a segurança.

Este cenário de emergência, que se agrava com as oscilações do nível do rio, exige ações rápidas e eficazes para proteger os moradores. As informações foram divulgadas pelo g1.

Impacto Imediato e o Medo Constante

O bairro Miritizal é o epicentro dos problemas em Cruzeiro do Sul, onde cinco residências foram classificadas como de alto risco. Uma casa já foi demolida nesta quarta-feira, 20 de maio, e outra está com demolição prevista, evidenciando a gravidade do desbarrancamento.

Maria Francisca Araújo Bezerra, diarista e mãe solo de quatro filhos, moradora da área afetada, descreve a sensação de preocupação. Ela relata que as famílias estão sem dormir, pois a encosta continua cedendo durante a madrugada, um susto constante.

“Cada vez que o barranco cai é um susto que a gente toma, se continuar quebrando do jeito que está, eu estou vendo a hora chegar aqui e levar a casa da gente”, desabafou Maria Francisca. O medo de que seus filhos se machuquem a faz desejar sair do bairro.

Ela expressa sua angústia: “Tem dois anos que eu moro aqui e fico preocupada, pois [o desbarrancamento] está chegando perto da minha casa e eu não tenho terreno e nem tenho para onde ir ainda. Aqui alaga e a gente não pode mais ficar desse jeito, sobretudo com o barranco quebrando nessa área que é de risco.”

Uma das famílias retiradas recebeu o benefício de aluguel social, um suporte fundamental neste momento crítico. Outra família, por sua vez, buscou refúgio e apoio com parentes, mostrando a solidariedade local diante da adversidade.

Ação da Defesa Civil e o Futuro das Moradias

O coordenador da Defesa Civil, conforme explicou à Rede Amazônica Acre, confirmou o início do desmanche das residências mais críticas. A medida visa garantir a segurança dos moradores e evitar acidentes graves em decorrência do desbarrancamento.

“Hoje, nós demos início ao desmanche de uma casa, onde a solicitante foi até a Defesa Civil e fez a solicitação”, afirmou o coordenador. A intenção é aproveitar parte das madeiras das casas, transportando-as para uma zona segura, para que as famílias possam reutilizar os materiais na reconstrução.

A Defesa Civil também está realizando um estudo técnico aprofundado para mapear e contabilizar todas as residências em risco. Para isso, utiliza um drone, que auxilia na avaliação das áreas mais isoladas e na identificação de novos pontos vulneráveis ao desbarrancamento.

O Rio Juruá, neste mês de maio, atingiu a marca de 14,19 metros em Cruzeiro do Sul, ultrapassando pela segunda vez o recorde histórico de 14,15 metros. Essa variação extrema do nível do manancial contribui significativamente para o problema da erosão.

“Nós já tivemos mais de 20 metros de assoreamento nessa parte do barranco do bairro Miritizal, tudo isso devido a essa subida e descida do manancial. Essa região aqui vai ficar cada vez mais comprometida ao longo dos anos”, alertou o coordenador.

Histórico de Cheias e Deslizamentos na Região

A situação em Cruzeiro do Sul não é um caso isolado. No último sábado, dia 16 de maio, cinco famílias que viviam às margens do Rio Juruá, na Comunidade Foz do Paraná dos Mouras, em Rodrigues Alves, também precisaram ser removidas devido a um desmoronamento de terra.

Este desmoronamento é atribuído à vazante do Rio Juruá na região, um fenômeno que, embora natural, intensifica a erosão e a instabilidade das margens. Em abril, o rio transbordou pela quinta vez em quatro meses, desalojando mais de 60 famílias e afetando cerca de 28 mil pessoas.

Com a diminuição do nível das águas e o retorno gradual das famílias para suas casas, novas retiradas foram necessárias. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil Municipal atuaram para remover moradores que estavam próximos à área de risco, onde uma residência foi inclusive levada pela força da erosão, conforme o g1.

Em resposta à crise, equipes da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (Seasdh) e da Casa Civil estiveram no local na quinta-feira, dia 14 de maio. Elas realizaram um levantamento das áreas atingidas e o cadastramento das famílias afetadas, buscando oferecer o suporte necessário diante da vulnerabilidade causada pelo desbarrancamento.

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