Em Marechal Floriano, ES, uma parreira gigante, nascida de apenas duas mudas, surpreende com colheita de uva que supera em até 25 vezes a de videiras comuns.
Uma história de sucesso e surpresa no interior do Espírito Santo tem chamado a atenção de produtores e turistas. Em Marechal Floriano, uma parreira gigante desafia as expectativas de produtividade, transformando um simples quintal em um verdadeiro oásis de uvas.
Com uma capacidade de produção anual que pode chegar a incríveis 500 quilos, essa videira monumental se destaca por render até 25 vezes mais do que uma planta comum. Ela se tornou um ponto de interesse, atraindo visitantes curiosos para ver de perto o fenômeno.
O feito é impressionante e mostra como o cuidado e as condições ideais podem gerar resultados extraordinários, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Origem Inesperada da Parreira Gigante
Tudo começou há 18 anos, quando o produtor capixaba Cesar Huber plantou apenas duas mudas de uva. Seu objetivo inicial era modesto, ter frutas para consumo próprio no quintal de casa, sem grandes ambições comerciais.
No entanto, após dois anos, a plantação na beira da estufa da propriedade começou a crescer de forma exponencial. O que era para ser um pequeno cultivo, transformou-se em uma videira de proporções gigantescas, chamando a atenção pela sua vitalidade.
“O ramo foi crescendo, crescendo, entrou embaixo da estufa, deu uns cachos bonitos. Aí coloquei uns arames e fui amarrando, e continuou crescendo. Eu nem sonhava com isso”, relatou o agricultor sobre o desenvolvimento inesperado da parreira gigante.
Os Segredos por Trás da Produção Recorde
A localização estratégica da parreira gigante, embaixo de uma estufa em Marechal Floriano, desempenha um papel crucial para sua alta produtividade. Essa estrutura oferece proteção contra as intempéries climáticas, como chuvas e ventos excessivos, fundamentais para a saúde da planta.
Raoni Ludovico, extensionista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), explica a importância do “cultivo protegido”. “Ali ela está livre de intempérie climática, como a chuva, ou excesso de vento. Isso faz com que a planta fique mais saudável, porque não vai ter ali a umidade que acarreta mais doença, mais praga. E uma planta mais saudável tem condição de produzir melhor”, afirmou.
Além da proteção, a estufa contribui para que os frutos desenvolvam uma maior concentração de açúcares, resultando em cachos de uva mais doces, pesados e com um rendimento acima da média. A poda cuidadosa, que Cesar realiza respeitando o ciclo da natureza, é outro fator determinante para o sucesso da colheita.
Cultivo Orgânico e o Valor Além do Comércio
A parreira gigante de Cesar Huber não é apenas produtiva, mas também segue princípios de cultivo orgânico. O agricultor evita o uso de agrotóxicos, optando por métodos naturais para garantir a qualidade das uvas.
“Essa daqui é uva orgânica. A gente coloca só esterco, faz a cobertura de capim para ficar úmido, poda e espera a uva chegar. É uma colheita por ano só”, detalhou Cesar, ressaltando o cuidado e a paciência dedicados à sua plantação.
Mesmo com uma produção estimada em 500 quilos para este ano, superando os 470 quilos já registrados, a principal atividade de Cesar não é a venda de uvas. A fruta é cultivada primariamente para consumo próprio e se tornou um “xodó” para ele.
A parreira gigante também virou uma atração local. “A alegria da gente é receber os turistas que vêm aqui colher a uva. Todo mundo que chega aqui fica falando: ‘Eu nunca vi uma coisa assim’”, conta o produtor, que encontra na visitação um valor sentimental inestimável.
Por Que Não é o Modelo Ideal para Larga Escala?
Apesar da impressionante produtividade da parreira gigante de Cesar, o Incaper alerta que esse modelo não é o mais indicado para quem visa o comércio de uvas em larga escala. Para uma produção comercial, o ideal é investir em vários pés de videira com produtividade menor, em vez de focar em uma única planta de grande porte.
Na prática, esperar que uma única parreira gigante atinja um rendimento tão elevado não compensa para fins comerciais, devido ao tempo e aos recursos necessários. O foco em muitas plantas menores e bem manejadas geralmente oferece um retorno mais eficiente para o agronegócio.
Para Cesar, contudo, essa questão não é um problema. Sua paixão pela uva e a alegria de compartilhar a experiência com visitantes superam qualquer lógica comercial. A parreira gigante de Marechal Floriano é, para ele, muito mais do que uma fonte de frutas, é um símbolo de dedicação e um presente da natureza.