Uma década se passou desde que Laura Vitória, então com nove anos, foi vista pela última vez em Palmas, um caso que chocou o Tocantins e segue sem desfecho claro.
Dez anos se completam desde o desaparecimento de Laura Vitória, uma criança de apenas nove anos que foi vista pela última vez em Palmas, capital do Tocantins. O caso, que comoveu a cidade, permanece um enigma, com as investigações ainda em andamento e a esperança de respostas cada vez mais distante.
A jovem saiu de casa para ir a um supermercado e nunca mais retornou, deixando um rastro de perguntas e uma família em busca incessante por respostas. Sua história é um doloroso lembrete da persistência da incerteza, marcando a memória coletiva da região.
A complexidade do caso se aprofundou ainda mais com o trágico assassinato de sua mãe anos depois, adicionando mais camadas a um mistério já intrincado e sem solução aparente, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Última Vez que Laura Vitória Foi Vista
O dia 9 de janeiro de 2016 marcou a última vez que Laura Vitória Oliveira da Rocha foi vista. Naquela manhã, por volta das 10h30, a menina de apenas nove anos saiu de sua casa, na região sul de Palmas, com um destino simples: o supermercado.
Câmeras de segurança do estabelecimento registraram sua entrada às 11h17. Pouco menos de três minutos depois, Laura Vitória saiu do local, carregando uma sacola. Após essa imagem, a menina simplesmente desapareceu, sem deixar rastros.
Familiares e parentes mobilizaram-se em uma busca desesperada, vasculhando a região, áreas de mata densa e imóveis abandonados, na esperança de encontrar qualquer pista sobre o paradeiro da criança. Contudo, todos os esforços foram em vão.
Ainda em 2016, um suspeito chegou a ser detido pela polícia, mas foi posteriormente liberado, pois não havia provas concretas que pudessem comprovar sua participação no inexplicável sumiço da menina. Um ex-namorado de Sione Pereira de Oliveira, mãe biológica de Laura, também foi ouvido pelas autoridades, mas igualmente liberado.
Ossadas Encontradas e as Linhas de Investigação
Dois anos após o desaparecimento de Laura Vitória, em 2018, uma descoberta reacendeu as esperanças e a angústia da família: uma ossada que seria de uma criança foi encontrada em um matagal. O local era entre o setor Lago Norte e a TO-010, em Palmas.
Cinco dias depois da localização dos ossos, a polícia informou que o material seria submetido a exames de DNA. O objetivo era determinar se a ossada pertencia a Laura Vitória, um processo crucial para tentar desvendar parte do mistério.
Desde então, não houve novas informações ou confirmações públicas sobre os resultados desses exames, mantendo a incerteza se os restos mortais eram de Laura ou de outra criança. A linha de investigação da polícia, naquele período, apontava para uma possível relação do desaparecimento com o tráfico de drogas, visto que o pai da menina cumpria pena por esse crime na Casa de Prisão Provisória de Palmas.
O Trágico Assassinato da Mãe de Laura
Em meio à dor e à busca incessante pela filha, a família de Laura Vitória enfrentou outra tragédia. Sione Pereira de Oliveira, a mãe biológica da menina, foi brutalmente assassinada no dia 15 de setembro de 2017.
O crime ocorreu em uma distribuidora de bebidas, localizada no Jardim Aureny III, na região sul de Palmas. Sione e Weliton Barbosa morreram no local, e um terceiro homem ficou ferido. Na época, a polícia informou que o assassinato teria sido motivado por uma discussão.
Em 2025, o policial penal Robson Dante Gonzaga Santana foi condenado a mais de 18 anos de prisão pela morte de Sione Pereira de Oliveira e Weliton Pereira Barbosa. A sentença também incluiu a perda do cargo público de Robson.
Contudo, até o momento, não há qualquer informação ou evidência que possa estabelecer uma ligação entre o assassinato da mãe e o desaparecimento de Laura Vitória, mantendo os dois casos como mistérios separados, mas igualmente dolorosos para a família.
A Condenação do Policial e o Mistério Persistente
Segundo os autos do processo judicial, o policial penal Robson Dante Gonzaga Santana teria cometido o crime enquanto consumia bebida alcoólica. Depoimentos colhidos durante a investigação apontaram que o acusado chegou ao estabelecimento se identificando como policial, portando uma arma de fogo e afirmando que alguém morreria naquela noite.
No mesmo dia do crime, Robson se apresentou à delegacia, entregando a arma utilizada e alegando ter agido em legítima defesa. Ele afirmou não conhecer as vítimas e ter sido surpreendido por uma capacetada na nuca, além de agressões de várias pessoas, o que o teria levado a efetuar os disparos. A Justiça, no entanto, não acatou essa versão e o condenou.
Dez anos após o seu sumiço, o caso de Laura Vitória continua a ser uma ferida aberta, um mistério que desafia as autoridades e atormenta a família. A comunidade de Palmas ainda anseia por respostas, na esperança de que a verdade sobre o paradeiro da menina finalmente venha à tona e traga algum conforto a essa longa espera.