Dólar Abre em Alta com Investidores de Olho no Boletim Focus e Tensões Geopolíticas de Trump e UE: O Que Moverá os Mercados?

Moeda americana valoriza com investidores atentos às projeções econômicas nacionais e aos ruídos internacionais, que incluem feriado nos EUA e ameaças de tarifas.

O dólar abre em alta nesta segunda-feira, com o mercado financeiro brasileiro e global reagindo a uma combinação de fatores econômicos e geopolíticos. A moeda americana iniciou a sessão em valorização, refletindo a cautela dos investidores diante de uma agenda internacional movimentada.

As expectativas para o cenário econômico brasileiro, divulgadas no Boletim Focus, somam-se às preocupações com as tensões geopolíticas internacionais, especialmente envolvendo os Estados Unidos e a União Europeia, além de um feriado nos EUA que reduz a liquidez.

Por volta das 9h10, o dólar já registrava avanço de 0,16%, sendo cotado a R$ 5,3809. Na última sexta-feira, a moeda havia fechado com alta de 0,08%, a R$ 5,3725, conforme informação divulgada pelo g1.

Boletim Focus e a Economia Brasileira

No Brasil, o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira, trouxe novas projeções para a economia. A estimativa para a inflação de 2026 recuou levemente, passando de 4,05% para 4,02%, um sinal de certo alívio nas pressões de preços.

Em contrapartida, a mediana da taxa Selic para o mesmo período avançou de 9,88% para 10,00%, indicando que o mercado espera juros mais altos para combater a inflação. Para 2027, a projeção da Selic foi mantida em 10,50% ao ano, enquanto a inflação segue em 3,80%.

As expectativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foram mantidas em alta de 1,80%. Esse ritmo, contudo, é inferior aos cerca de 2,25% estimados para 2025, sugerindo uma desaceleração da atividade econômica no próximo ano. Para o câmbio, a projeção é que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50, um valor mantido pelos economistas.

Cenário Global: Feriado nos EUA e Ameaças de Tarifas

O feriado de Martin Luther King Jr. Day nos Estados Unidos nesta segunda-feira impacta diretamente o mercado. Com o fechamento do mercado à vista de ações, a liquidez tende a ser reduzida, com as negociações sendo retomadas apenas na terça-feira.

Apesar do feriado, os mercados europeus e os futuros de Wall Street operam sob pressão. Isso ocorre após o ex-presidente Donald Trump ameaçar impor tarifas adicionais de 10% a oito países europeus, reacendendo as preocupações com guerras comerciais.

Em resposta, países da União Europeia avaliam a possibilidade de aplicar tarifas de € 93 bilhões aos Estados Unidos ou restringir o acesso de empresas americanas ao mercado do bloco. Essas tensões estão ligadas, inclusive, a questões envolvendo a Groenlandia, adicionando mais um componente de incerteza ao cenário geopolítico global.

As preocupações com o Irã e a sucessão no Federal Reserve (banco central americano) também permanecem no radar dos investidores. Nesse contexto, os preços do petróleo registram queda, com o Brent recuando 0,80%, para US$ 63,62, e o WTI cedendo 0,72%, para US$ 58,91.

Desempenho dos Mercados Internacionais

Os mercados em Wall Street devem iniciar o dia em alta, impulsionados pelo avanço das ações de semicondutores. O setor continua a se beneficiar do otimismo em torno da inteligência artificial, que segue atraindo grandes investimentos, e do início da temporada de balanços.

Na Europa, o movimento é mais contido, com as principais bolsas operando próximas da estabilidade. O DAX, de Frankfurt, recua 0,1%, o CAC 40, de Paris, cai 0,4%, enquanto o FTSE 100, de Londres, avança 0,1%.

Já na Ásia, os mercados encerraram o dia sem uma direção única. As bolsas chinesas fecharam em baixa, após autoridades anunciarem o reforço das regras de financiamento de margem e sinalizarem medidas para conter excessos especulativos. O Hang Seng caiu 0,29%, o Xangai SSEC recuou 0,26% e o CSI300 perdeu 0,41%.

Em contraste, o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,90% e o Taiex, de Taiwan, avançou 1,94%. O Nikkei, do Japão, cedeu 0,32%, enquanto o Straits Times, de Singapura, registrou alta de 0,22%, mostrando um cenário misto na região asiática.

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