Dólar dispara a R$ 5,31: conflito no Irã e dados de emprego nos EUA agitam mercados e impulsionam moeda americana

Moeda americana reage à escalada das tensões no Irã e à expectativa por dados de emprego nos EUA, impactando o cenário financeiro e o dólar no Brasil.

O dólar abriu a sexta-feira em forte alta, atingindo R$ 5,31, impulsionado por uma combinação de fatores geopolíticos e econômicos. Investidores globais monitoram de perto a intensificação do conflito no Oriente Médio e aguardam novos dados cruciais sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos.

A volatilidade reflete a cautela nos mercados, com o petróleo em ascensão e as bolsas internacionais reagindo à incerteza. A situação no Irã, especialmente, tem gerado temores sobre o fornecimento de energia, adicionando pressão sobre a moeda americana.

No cenário interno, a Bolsa brasileira e o noticiário político também contribuem para o ambiente de atenção. Entenda os detalhes que movimentam o dólar e os mercados, conforme informação divulgada pelo g1.

Conflito no Oriente Médio eleva preço do petróleo

A escalada das tensões no Oriente Médio continua a ser o principal driver dos mercados, impactando diretamente o preço do petróleo e, consequentemente, o dólar. Novos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e o Líbano marcam o sétimo dia de conflito, com o governo americano anunciando uma “nova fase da guerra”.

Essa nova fase envolve um “aumento drástico” do poder de fogo sobre o território iraniano, com bombardeios ao programa de mísseis de Teerã e à “infraestrutura do regime”. Os temores sobre os impactos no mercado de petróleo são imediatos, com a commodity sinalizando mais um dia de alta.

Pela manhã, os índices futuros do barril do Brent, referência internacional, subiam mais de 4%, perto das 9h, cotado a US$ 88,85. A preocupação dos investidores com o bloqueio do Estreito de Ormuz e as incertezas sobre a duração da guerra voltaram a se refletir nos preços.

O barril do Brent subia 3,39% perto das 17h, cotado a US$ 84,16. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 6,38%, para US$ 79,42. A agência Reuters informou sobre ataques a navios petroleiros, como o Sonangol Namibe, que sofreu danos no casco.

O tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz, crucial para o transporte de petróleo, praticamente parou, com cerca de 300 petroleiros aguardando condições seguras, segundo dados de monitoramento. Analistas do banco J.P. Morgan alertam que o fechamento do Estreito de Ormuz pode afetar o fornecimento global em poucos dias, com uma potencial perda de 3,3 milhões de barris por dia.

O Iraque, segundo maior produtor da Opep, já reduziu sua produção em quase 1,5 milhão de barris por dia, por falta de espaço para armazenar o petróleo e dificuldades para exportá-lo. O Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações, uma medida usada quando eventos fora do controle impedem o cumprimento de contratos.

Dados de emprego nos EUA no radar dos investidores

Na agenda econômica, o destaque fica para a divulgação dos novos dados do payroll, o relatório de emprego oficial dos Estados Unidos. Esse indicador é fundamental para que os investidores tentem antecipar os próximos passos do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, na condução da política de juros do país.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA ficaram em 213 mil na semana encerrada em 28 de fevereiro, em dado com ajuste sazonal. O número foi ligeiramente abaixo dos 215 mil esperados por economistas consultados pela Reuters, mostrando um mercado de trabalho ainda em recuperação de um período de incerteza.

Um levantamento divulgado pela empresa de recolocação Challenger, Gray & Christmas mostrou que empregadores sediados nos EUA anunciaram 48.307 cortes de vagas em fevereiro, uma queda significativa de 55% em relação a janeiro e de 72% na comparação anual. Os planos de contratação, por outro lado, aumentaram 140% frente a janeiro, embora ainda estejam 63% abaixo do nível registrado no mesmo mês de 2025.

Cenário doméstico e o impacto na economia brasileira

No Brasil, o Ibovespa, principal índice da bolsa, fechou a véspera em queda de 2,64%, aos 180.464 pontos, refletindo a aversão ao risco global e a valorização do dólar. O acumulado da semana para o Ibovespa é de -4,41%, enquanto o dólar acumula alta de 2,97% na semana e no mês.

O noticiário local também teve seu peso, com as atenções voltadas para os desdobramentos da nova prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Operação Compliance Zero revelou que o banqueiro comandava uma “milícia privada” e acessava ilegalmente sistemas sigilosos da PF e do Ministério Público Federal, com o envolvimento de servidores do Banco Central.

A Petrobras, por sua vez, divulgou um lucro robusto de R$ 110,1 bilhões em 2025, um aumento de 200% em relação a 2024. Esse resultado positivo da estatal ocorreu mesmo diante de um cenário considerado desafiador, marcado pela queda nos preços do petróleo no último ano, mantendo a empresa no radar dos investidores.

Em relação ao mercado de trabalho brasileiro, a taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2025, também de 5,4%, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) do IBGE.

A população desocupada foi de 5,9 milhões, enquanto a população ocupada atingiu 102,7 milhões. A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, destacou que, apesar da estabilidade estatística, há uma tendência de queda no indicador na comparação anual, que foi de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado, quando a taxa era de 6,5%.

Mercados globais reagem à incerteza

A escalada das tensões no Irã pressionou os mercados americanos. Em Wall Street, o clima de cautela se intensificou após o Irã lançar mísseis contra Israel e senadores republicanos bloquearem uma tentativa de interromper os ataques aéreos dos EUA. Perto das 17h30, o Dow Jones recuava 1,83%, o S&P 500 caía 1,02%, e o Nasdaq Composite tinha baixa de 0,64%.

As bolsas europeias também encerraram o pregão desta quinta-feira no campo negativo, em meio a um cenário internacional ainda marcado pelas tensões no Oriente Médio. O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 1,29%, aos 604,83 pontos, com os principais mercados da região apresentando quedas significativas.

Em contraste, os mercados asiáticos operaram em alta, acompanhando uma recuperação regional. A pressão vinda da guerra no Oriente Médio foi compensada pelo entusiasmo dos investidores com ações de tecnologia chinesas, após Pequim anunciar planos para aumentar investimentos em inovação.

Esse otimismo ajudou a impulsionar os principais índices da China e de Hong Kong, com o índice de Xangai avançando 0,6% e o Hang Seng registrando alta de 0,3%. Outros mercados asiáticos, como Tóquio, Seul e Taiwan, também tiveram fortes ganhos, mostrando uma diversidade de reações globais aos eventos atuais e à valorização do dólar.

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