Dólar Dispara no Início do Dia: Entenda como Dados de Serviços e Discursos do Federal Reserve Agitam o Mercado e seu Bolso

O dólar começou esta sexta-feira (12) em alta, revertendo a tendência de queda observada na véspera e reacendendo a atenção dos investidores. Este movimento inicial sugere uma cautela renovada no mercado financeiro, impulsionada por diversos fatores.

A valorização da moeda norte-americana ocorre em um contexto de intensa expectativa, tanto pelos dados econômicos que serão divulgados no Brasil, quanto pelas declarações de importantes dirigentes do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos.

O cenário é de busca por clareza sobre os próximos passos das políticas monetárias e seus impactos na economia global e local, conforme informação divulgada pelo g1.

O Comportamento do Dólar e a Decisão do Banco Central Brasileiro

O dólar abriu a sessão em leve alta de 0,14%, alcançando a cotação de R$ 5,4121 às 9h. Este desempenho contrasta com o "respiro" da véspera, quando a moeda norte-americana recuou significativos 1,17%, fechando em R$ 5,4044.

Na quinta-feira, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, conseguiu um avanço modesto de 0,07%, atingindo 159.189 pontos. Este otimismo inicial foi alimentado pela postura mais conservadora do Banco Central do Brasil.

Na última "Superquarta" do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a taxa Selic em 15% ao ano. Esta é a quarta vez consecutiva que a taxa básica de juros permanece neste patamar, o maior em duas décadas.

A decisão do BC, acompanhada de um comunicado que indica a manutenção dos juros altos por um "período prolongado", visa conter as pressões inflacionárias. A instituição citou incertezas e a atividade econômica ainda resiliente como justificativas para a medida.

A taxa Selic é a ferramenta principal do Banco Central para controlar a inflação, que tem um impacto direto, especialmente sobre a população de menor renda. A manutenção em patamar elevado sinaliza cautela com a economia.

Em novembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal medidor da inflação do país, registrou 0,18%. Este foi o menor índice para o mês em sete anos, indicando um certo alívio nas pressões de preços.

A inflação acumulada no ano está em 3,92%, enquanto nos últimos 12 meses atinge 4,46%. Com este desempenho, a inflação brasileira conseguiu se manter dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo Banco Central, que tem uma meta de 3% com um teto de 4,5%.

Acompanhando o dólar e a Selic, os acumulados do ano mostram a volatilidade do mercado. O dólar acumula queda de 0,52% na semana, alta de 1,30% no mês e queda de 12,55% no ano. O Ibovespa, por sua vez, registrou alta de 1,15% na semana, 0,07% no mês e expressivos 32,34% no ano.

A Influência do Federal Reserve e os Discursos Chave nos EUA

Em um movimento contrastante com o Brasil, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu reduzir suas taxas de juros em 0,25 ponto percentual. A nova faixa de juros, entre 3,50% e 3,75% ao ano, é a menor desde setembro de 2022.

Este foi o terceiro corte consecutivo nos juros americanos e o terceiro registrado em 2025, um sinal de que o Fed adota um tom menos restritivo em sua política monetária. A decisão veio em linha com as expectativas do mercado financeiro global.

Contudo, a divulgação das projeções do Fed para 2026 trouxe certa frustração aos agentes do mercado. A indicação de apenas um corte nas taxas para o próximo ano contrariou as expectativas de pelo menos duas reduções.

A votação no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) não foi unânime, revelando divergências internas. Nove dos 12 membros votantes apoiaram o corte de 0,25 ponto percentual, incluindo o presidente Jerome Powell.

Por outro lado, o diretor Stephen Miran defendeu um corte maior, de 0,50 ponto percentual, enquanto outros dois integrantes preferiram manter os juros inalterados. Essas divisões internas podem gerar incertezas sobre os rumos futuros do dólar.

Para hoje, o mercado estará atento aos discursos de três dirigentes do Federal Reserve. Patrick Harker falará às 12h, Loretta Mester às 12h30 e Austan Goolsbee às 14h35, todos no horário de Brasília.

As declarações desses membros do Fed são cruciais para captar novos sinais sobre a trajetória da política monetária americana, especialmente após a indicação de um tom menos "hawkish", ou seja, menos propenso a aumentar os juros.

Dados Econômicos Locais e o Desempenho dos Serviços e Varejo no Brasil

No cenário econômico brasileiro, o volume de serviços é um dos principais indicadores no radar dos investidores nesta sexta-feira. As estimativas de mercado apontam para uma alta modesta em outubro, perto de 0,3% em relação a setembro.

As projeções para este setor, contudo, variam, com algumas indicando uma pequena queda e outras um avanço um pouco mais robusto. A performance dos serviços é um termômetro importante da atividade econômica geral do país.

Já as vendas no varejo brasileiro apresentaram um resultado positivo, crescendo 0,5% em outubro na comparação com setembro, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Este resultado surpreendeu o mercado, que esperava uma queda de 0,1% segundo pesquisa da Reuters. Foi o maior avanço do setor em sete meses, desde março, quando as vendas haviam subido 0,7%.

Na comparação com outubro do ano passado, o varejo também registrou alta de 1,1%, contrariando as projeções de recuo de 0,2%. Esse desempenho ocorre mesmo em um ambiente de crédito mais restrito, devido à manutenção da taxa Selic em patamar elevado.

Apesar dos juros altos limitarem o consumo, o mercado de trabalho aquecido e a renda mais elevada têm ajudado a sustentar parte das vendas. Essa resiliência é um ponto de atenção para os analistas.

Entre os oito grupos pesquisados pelo IBGE, sete registraram crescimento em outubro. Destaque para "Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação", com alta de 3,2%, e "Combustíveis e lubrificantes", com 1,4%.

O único setor com queda foi "Tecidos, vestuário e calçados", que registrou um recuo de 0,3%. A diversidade nos resultados setoriais mostra uma recuperação heterogênea no varejo brasileiro.

Pedidos de Auxílio-Desemprego e o Déficit Comercial dos EUA

Ainda nos Estados Unidos, o número de novos pedidos de auxílio-desemprego, um importante indicador do mercado de trabalho, aumentou em 44 mil na semana encerrada em 6 de dezembro. O total de solicitações chegou a 236 mil.

Este número ficou acima da projeção da consultoria FactSet, que estimava 213 mil pedidos, indicando uma leve desaceleração no ritmo de contratações ou um aumento nos desligamentos.

O número da semana anterior, encerrada em 29 de novembro, foi revisado levemente para cima, de 191 mil para 192 mil. Esses dados são acompanhados de perto pelo Federal Reserve para avaliar a saúde da economia e o impacto no dólar.

Já os pedidos continuados, que mostram quantas pessoas permanecem recebendo o benefício, diminuíram em 99 mil na semana passada, chegando a 1,838 milhão. Esse dado veio abaixo da estimativa de 1,932 milhão, sugerindo que mais pessoas estão encontrando emprego.

No que tange ao comércio internacional, o déficit comercial dos EUA recuou 10,9% em setembro em relação a agosto, somando US$ 52,8 bilhões, segundo o Departamento do Comércio.

Este resultado foi mais favorável do que o esperado pelos analistas consultados pela FactSet, que projetavam um déficit maior, de US$ 66,6 bilhões para o mês. O dado de agosto também passou por uma leve revisão para baixo.

As exportações dos EUA aumentaram 3% em setembro, alcançando US$ 289,3 bilhões, superando a estimativa de US$ 281,5 bilhões. As importações, por sua vez, avançaram 0,6%, totalizando US$ 342,1 bilhões, abaixo das projeções.

A redução do déficit comercial pode ser vista como um sinal positivo para a economia americana, influenciando também a percepção sobre a força do dólar no cenário global.

Reações das Bolsas Globais e as Expectativas do Mercado Internacional

Em Wall Street, os mercados encerraram a véspera sem uma direção única, mas com destaque para o Dow Jones e o S&P 500, que alcançaram recordes históricos. Esses índices foram impulsionados pela valorização da maioria das ações.

No entanto, o Nasdaq, que concentra empresas de tecnologia, registrou queda de 0,26%, fechando aos 23.593,86 pontos. Parte dos investidores adotou uma postura cautelosa após a Oracle sinalizar aumento nos investimentos em inteligência artificial (IA), levantando preocupações sobre custos e rentabilidade.

Esse fator reduziu um pouco o otimismo gerado pelo Federal Reserve, que indicou uma postura menos "hawkish", ou seja, menos propensa a aumentar os juros em sua política monetária. O Dow Jones avançou 1,34%, e o S&P 500 teve ganhos de 0,21%.

As principais bolsas europeias fecharam em alta nesta quinta-feira, refletindo o otimismo após o corte de juros pelo banco central dos Estados Unidos e os comentários sobre a condução futura da política monetária. O índice STOXX 600 subiu 0,52%.

O FTSE 100, da Bolsa de Londres, teve alta de 0,49%, enquanto o DAX, de Frankfurt, avançou 0,68%. O CAC 40, de Paris, registrou ganho de 0,79%, mostrando uma reação positiva generalizada na Europa.

Na Ásia, as bolsas fecharam em queda nesta quinta-feira, após a decisão de juros nos EUA. O índice de Xangai teve queda de 0,7%, e o índice CSI300 recuou 0,86%, registrando o terceiro dia consecutivo de perdas. O Hang Seng, de Hong Kong, também teve perda de 0,04%.

No Japão, o Nikkei perdeu 0,90%. Em outros mercados asiáticos, o Kospi, na Coreia do Sul, caiu 0,59%, e o Taiex, em Taiwan, recuou 1,32%. Apenas o Straits Times, em Cingapura, destoou com alta de 0,28%.

A atenção do mercado asiático também se voltou para a Conferência Central de Trabalho Econômico da China, que define a agenda econômica do país para 2026. Analistas esperam que a maior economia do mundo mantenha uma meta de crescimento de cerca de 5% para o próximo ano.

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