Dono de fábrica clandestina de queijo no Acre é solto após prisão por arma e promete legalização: ‘Não imaginava acabar preso’

Após ser detido por porte ilegal de arma e ter sua fábrica clandestina de queijo fechada, Daniel Paixão afirma que buscará órgãos competentes para atuar dentro da lei, prometendo regularizar sua produção no Acre.

Daniel Paixão, de 32 anos, proprietário de uma fábrica clandestina de queijo no Acre, foi solto durante uma audiência de custódia. Ele havia sido preso por porte ilegal de arma, e sua fábrica, que funcionava na área externa de sua casa, foi fechada pela Vigilância Sanitária.

A detenção e o fechamento da produção artesanal de queijos trouxeram à tona a realidade de muitos microempreendedores que operam sem a devida regularização. Agora, Paixão expressa um forte desejo de mudar essa situação e legalizar seu negócio.

Ele afirmou que buscará os órgãos competentes para regularizar a fábrica e construir um local adequado, conforme informações divulgadas pelo g1.

A promessa de legalização da fábrica de queijo

O produtor Daniel Paixão, que se identifica como microempreendedor individual (MEI), declarou que não imaginava acabar preso. Ele enfatizou seu compromisso em buscar a legalização de sua fábrica de queijo, que atualmente opera de forma irregular.

“Vou correr atrás para legalizar, coloquei isso na minha casa. Vou no Idaf, quero a planta do prédio para não fazer errado, quero auxílio da vigilância e se dispuseram a ajudar. Isso me incentivou a me regularizar e ter meu ganho dentro da lei para ninguém me perseguir”, destacou Paixão.

Ele reconheceu que o local de produção não era o adequado, mas negou veementemente que vendia o queijo abaixo do preço de mercado ou que o leite utilizado fosse impróprio para consumo.

A produção de queijo e as justificativas do proprietário

Daniel Paixão começou a produzir queijos na área externa de sua casa em dezembro do ano passado, buscando uma renda extra para sustentar sua família. Ele alegou que estava trabalhando de forma mais artesanal, sem um planejamento formal.

“Julgam por não ter um ambiente lajotado, próprio, mas sempre preservei a qualidade do leite em si. Sempre exigi um leite de qualidade, limpo, sem impurezas, fazia testes de impurezas. Nunca tive relatos de alguém que passou mal comendo meu queijo, meus clientes elogiam muito”, afirmou o produtor.

Ele contou que produzia, em média, 20 queijos por dia, o que totalizava mais de 500 quilos mensalmente. A venda era feita para lanchonetes e pessoas que faziam espetinhos. Paixão também mencionou que é pai solteiro, tem um filho de dez anos e que sua família trabalha na agricultura, com ele fazendo entregas de mandioca descascada, não vivendo apenas do queijo.

A prisão e a arma encontrada

A prisão de Daniel Paixão pela Polícia Civil ocorreu devido ao porte ilegal de uma espingarda encontrada em sua propriedade. Sobre o armamento apreendido, ele explicou que o utilizava para espantar animais silvestres.

Segundo Paixão, esses animais, como mucuras e jacurarus, invadiam o terreno da família para atacar galinhas e outros bichos. “Todo colono tem uma espingarda. O uso que fiz foi para espantar uma mucura que estava comendo as galinhas e um jacuraru que pode comer os ovos da galinha. Nunca usei para nenhuma outra função”, disse ele.

Ele finalizou dizendo que poderia pagar fiança pela arma, mas a questão central de sua prisão, segundo ele, foi a fábrica de queijo, que operava sem pasteurização e com armazenamento irregular.

O futuro da produção de queijo no Acre

Apesar dos desafios, Daniel Paixão expressou otimismo quanto à legalização de sua fábrica clandestina de queijo. Ele mencionou a falta de apoio dos órgãos competentes no passado, mas elogiou o Idaf, que oferece o Selo D’Colônia.

Contudo, ele destacou que esse selo limita o trabalho a 500 quilos de soro e exige um pasteurizador, um equipamento que custa cerca de R$ 30 mil. Mesmo assim, a experiência da prisão e o apoio recebido o incentivaram a buscar a legalização e a ter seu ganho dentro da lei, garantindo a segurança e a conformidade de sua produção.

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