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"title": "De Clubes Sociais a Bloquinhos Vibrantes: A Fascinante Jornada do Carnaval em Teresina ao Longo de Mais de Um Século",
"subtitle": "Descubra como a folia piauiense se transformou drasticamente ao longo de mais de um século, evoluindo dos elegantes bailes da elite para os animados bloquinhos de rua que hoje arrastam multidões na capital.",
"content_html": "<h2>Descubra como a folia piauiense se transformou drasticamente ao longo de mais de um século, evoluindo dos elegantes bailes da elite para os animados bloquinhos de rua que hoje arrastam multidões na capital.</h2><p>O <b>Carnaval em Teresina</b> possui uma história rica e multifacetada, que reflete as transformações sociais e culturais da capital piauiense. Desde os primeiros encontros informais no século XIX até os bloquinhos diversificados dos dias atuais, a festa sempre foi um espelho da alegria e criatividade local.</p><p>Essa jornada carnavalesca atravessou diferentes fases, marcadas por clubes exclusivos, desfiles grandiosos e a espontaneidade popular, consolidando-se como uma das mais importantes manifestações culturais da cidade.</p><p>Para entender essa evolução, o pesquisador Bernardo Sá traça uma linha do tempo detalhada, conforme informações divulgadas pelo g1, revelando os marcos e personagens que moldaram o <b>Carnaval em Teresina</b>.</p><h3>O Início da Folia: Clubes, “Assaltos” e o Esplendor do Sereno</h3><p>A história do <b>Carnaval em Teresina</b> remonta à segunda metade do século XIX, quando a folia se concentrava na atual Praça Saraiva. Naquele período, cavalheiros se reuniam para brincar, mas ainda sem a organização de blocos ou agremiações, segundo jornais da época.</p><p>A formalização começou com o surgimento dos clubes sociais. Em 1922, o Clube dos Diários foi fundado, inaugurando sua sede em 1925. Intelectuais e juristas, como Higino Cunha e Jônatas Batista, organizavam blocos que desfilavam pelas ruas do Centro.</p><p>Esses blocos realizavam os chamados “assaltos carnavalescos”, visitas previamente combinadas a casas de moradores da região. Bernardo Sá explica que os anfitriões se preparavam com licores, salgadinhos e petiscos, recebendo os foliões para apresentações que duravam das 15h às 19h, antes de retornarem aos clubes, como o popular Clube do Botafogo.</p><p>Enquanto a elite festejava nos luxuosos bailes de clubes como o Clube dos Fanfarrões, Bloco das Turunas, Bloco da Itália e Terpyscore Clube, o “Sereno” reunia os moradores que observavam curiosos das calçadas, um contraste social evidente na folia.</p><h3>Corso e a Era de Ouro das Escolas de Samba em Teresina</h3><p>Além dos “assaltos”, o desfile de foliões fantasiados conhecido como Corso movimentava o <b>Carnaval em Teresina</b>. Inicialmente com carroças enfeitadas, a partir da década de 1920, o evento passou a contar com carros que lançavam confetes e jatos de lança-perfume, criando um espetáculo vibrante.</p><p>O percurso do Corso ia da Praça Rio Branco, passando pelas ruas Coelho Rodrigues, 7 de Setembro e Eliseu Martins, até a Praça João Luís Ferreira. Uma atração singular era o "Caminhão das Raparigas", composto por prostitutas da Rua Paissandu, que encontravam ali um raro momento de reconhecimento público, marcando a diversidade da festa.</p><p>Bernardo Sá destaca que, embora o Corso tenha desaparecido na maioria das capitais na década de 1950, em Teresina ele persistiu até os anos 60. Foi então que as escolas de samba se consolidaram como a principal atração do <b>Carnaval em Teresina</b>, coexistindo inicialmente com os blocos.</p><p>O auge das escolas de samba ocorreu em 1975, com um recorde de 13 agremiações concorrentes. Figuras icônicas como Bernardo Cruz, o primeiro homem a desfilar em uma escola fantasiado de baiana, e Nicinha, a "eterna Rainha dos Carnavais", marcaram essa época com sua alegria e irreverência contagiantes.</p><h3>A Ascensão dos Blocos: Da Sociedade ao “Sujo” no Carnaval Piauiense</h3><p>Entre os anos 80 e 90, as escolas de samba perderam força no <b>Carnaval em Teresina</b>, principalmente devido à interrupção do repasse financeiro pela Prefeitura. Para preencher essa lacuna, dois tipos de blocos ganharam protagonismo, resgatando a essência da folia de rua.</p><p>Havia os <b>blocos de sociedade</b>, caracterizados por fantasias próprias e luxuosas, diretoria organizada e ensaios periódicos, que mantinham um certo requinte na celebração.</p><p>Em contraste, surgiram os <b>blocos de “sujo”</b>, uma reminiscência do entrudo, o formato mais antigo do Carnaval brasileiro. Neles, as fantasias eram improvisadas, e a brincadeira era mais grotesca, com a prática do "mela-mela", que ainda persiste em algumas manifestações atuais.</p><p>O pesquisador cita exemplos notáveis de blocos que começaram como “sujos” e, eventualmente, evoluíram para “sociedade”, como o Dou-lhe Três, Em Cima da Hora, Banda Bandida, Tabaco Roxo, Barão de Itararé, La Boate, Vaca Atolada e o Paçoca, mostrando a fluidez das tradições carnavalescas.</p><h3>A Folia Contemporânea: Bloquinhos e a Celebração da Diversidade no Carnaval de Teresina</h3><p>Nas últimas duas décadas, os bloquinhos mantiveram viva a chama do <b>Carnaval em Teresina</b>, mesmo entre as memórias das antigas escolas de samba e o processo de reavivamento e esvaziamento do Corso, que em 2026 completará o segundo ano consecutivo sem ser realizado.</p><p>Os foliões continuam a celebrar com blocos tradicionais como o Capote da Madrugada, o Pinto na Morada e o Piauí Samba. Paralelamente, novos grupos como o Sanatório Geral, as Fuleiras, as Curicas e o Stouradas surgiram, enriquecendo o cenário carnavalesco.</p><p>Esses bloquinhos contemporâneos têm como marcas a sátira política e a celebração da diversidade, elementos que refletem a vitalidade e a capacidade de adaptação do <b>Carnaval em Teresina</b>.</p><p>Bernardo Sá conclui que o Carnaval é “plural e consequente de diversas manifestações e festas culturais que se fundiram ao longo do tempo”. Essa mistura agrada tanto ao folião que brinca e vai ao bloco, quanto ao carnavalesco que gosta de ver e assistir, garantindo que a festa continue a evoluir e encantar na capital piauiense.</p>"
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