Escândalo no Vasco-AC: O que se Sabe Sobre o Caso de Estupro Coletivo que Envolve Quatro Jogadores e Choca o Futebol Acreano

Quatro atletas do Vasco-AC estão presos e são investigados por grave acusação de estupro em Rio Branco, com defesas alegando consensualidade e clube prometendo medidas.

O futebol acreano foi abalado por uma grave acusação envolvendo quatro jogadores da Associação Desportiva Vasco da Gama-AC. Eles estão sendo investigados por um suposto estupro coletivo de duas mulheres, ocorrido em 13 de fevereiro, no alojamento do clube em Rio Branco.

Os atletas, que atualmente se encontram presos, negam veementemente as acusações, sustentando que as relações foram consensuais. No entanto, a Polícia Civil segue com as investigações, tratando o caso com a seriedade que a denúncia exige.

Este artigo detalha o que se sabe até o momento sobre o caso, desde os fatos iniciais até as repercussões e os posicionamentos das partes envolvidas, conforme informações divulgadas pelo g1.

O Início do Caso e as Denúncias

As denúncias de estupro surgiram na madrugada de 13 de fevereiro, sendo formalmente registradas no sábado, dia 14, na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Antes de prestarem depoimento, as vítimas foram encaminhadas para atendimento médico na Maternidade Bárbara Heliodora, um procedimento padrão em casos como este.

A Polícia Civil informou que as mulheres relataram ter ido ao alojamento dos jogadores do Vasco-AC com a intenção de ter relações consensuais. Contudo, em determinado momento, os atos teriam evoluído para situações sem o consentimento delas, configurando o crime de estupro.

É importante ressaltar que o crime de estupro é de ação penal pública incondicionada, o que significa que a investigação e o processo judicial não dependem de uma representação formal das vítimas para prosseguir, garantindo que a justiça possa ser buscada independentemente da vontade inicial das denunciantes.

Quem São os Jogadores e o Andamento das Prisões

Os atletas investigados neste caso dos jogadores do Vasco-AC são Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Alex Pires Júnior, conhecido no meio esportivo como Lekinho.

O atacante Erick Serpa foi o primeiro a ser detido, em flagrante, no sábado, 14 de fevereiro. Sua prisão foi convertida em preventiva no domingo, 15, após audiência de custódia, indicando a gravidade inicial da situação.

Os outros três, Matheus Silva, Brian Peixoto e Alex Pires, tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça no domingo, 15. Eles se apresentaram voluntariamente à Polícia Civil na terça-feira, 17, e na quarta-feira, 18, a Justiça manteve a prisão temporária, que pode durar até 40 dias. Segundo a defesa, eles devem ser encaminhados ao Complexo Prisional Francisco d’Oliveira Conde, em Rio Branco.

As Versões das Defesas e o Posicionamento do Clube

As defesas dos jogadores do Vasco-AC têm reiterado que as relações sexuais foram consensuais e classificam as denúncias como frágeis. O advogado Atevaldo Santana, que representa Matheus Silva e Brian Peixoto, anunciou que buscará um pedido de habeas corpus para reverter a prisão temporária.

Santana argumentou que as vítimas teriam ido ao alojamento para “fazer programa” e negou qualquer abuso por parte de seus clientes. Ele chegou a citar uma postagem de uma das mulheres, que teria expressado arrependimento por não ter ido ao Carnaval do Tucumã, questionando a veracidade do trauma de uma vítima de estupro, ao declarar, “Uma mulher que é estuprada no mínimo fica com problemas psicológicos, não fica no outro dia dizendo que vai pro Carnaval”.

Por sua vez, o advogado Robson Aguiar, defensor de Alex Pires Júnior, também manifestou a intenção de apresentar novas provas e buscar a revogação da prisão. Alex Pires, ao se apresentar à polícia, declarou-se inocente e à disposição da Justiça para todos os esclarecimentos necessários.

O Vasco-AC, em nota oficial, afirmou não compactuar “com qualquer forma de violência” e garantiu que adotará “as medidas cabíveis no âmbito interno conforme o andamento das investigações”. O treinador Eric Rodrigues, embora confiando na Justiça, declarou que os jogadores, se culpados, devem “responder pelos atos”, e mencionou a proibição de mulheres no alojamento.

Repercussão das Falas do Treinador e a Preocupação Familiar

As declarações do treinador Eric Rodrigues em entrevistas a programas de TV locais geraram repercussão imediata. A Secretaria de Estado da Mulher divulgou uma nota pública de repúdio, enfatizando que o consentimento pode ser retirado a qualquer momento e que sexo sem consentimento configura estupro.

A secretária Márdhia El-Shawwa criticou as falas, afirmando que elas “colocam em dúvida o trabalho da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher”, desqualificando a atuação técnica e legal da polícia e “reforça a culpabilização das vítimas”, um ponto sensível em casos de violência sexual.

O treinador havia dito que não era a primeira vez que mulheres eram levadas ao alojamento, apesar da proibição. Ele as descreveu como “Maria Chuteira” que “invadem o alojamento” e “ficam alucinadas por causa dos moleques”, declarações que geraram grande controvérsia e foram vistas como uma tentativa de justificar a situação ou culpar as vítimas.

Em meio a toda a polêmica, os familiares dos atletas, muitos deles vindos do Rio de Janeiro para jogar no Acre, estão profundamente preocupados com a repercussão do caso dos jogadores do Vasco-AC. Eric Rodrigues descreveu a situação como um “pesadelo”, com as famílias buscando informações constantemente e vivendo um momento de grande dificuldade e incerteza.

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