Protesto em Belém: Estudantes da Escola Pedroso exigem urgência nas obras e solução para o risco de dengue, com focos de Aedes aegypti confirmados em imóvel vizinho ao local das aulas.
Na manhã desta sexta-feira, dia 13, a Avenida João Paulo II, no bairro do Marco, em Belém, foi palco de uma intensa manifestação. Estudantes da Escola Estadual Pedroso bloquearam a via, expressando sua indignação com as condições precárias do local onde estão tendo aulas temporariamente.
O protesto dos estudantes da Escola Pedroso chamou a atenção para a demora na conclusão das obras da sede original e, principalmente, para o grave risco à saúde. Um prédio abandonado, vizinho ao espaço provisório de aulas, está infestado com o mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças como dengue, zika e chikungunya.
A situação ganhou força após a divulgação de um relatório oficial da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), que confirmou a presença de focos do mosquito. As informações foram amplamente divulgadas, conforme noticiado pelo G1.
Condições Precárias e Riscos à Saúde
O imóvel temporário utilizado pelos alunos da Escola Pedroso está localizado ao lado de uma estrutura em total abandono, na Avenida João Paulo II, entre as ruas Enéas Pinheiro e Pirajá. Segundo relatos de moradores e dos próprios estudantes, o local vizinho é um foco constante de insetos, representando uma ameaça direta à saúde de todos.
As obras na sede original da Escola Pedroso se arrastam por meses, sem uma previsão clara de conclusão. Enquanto isso, os alunos são forçados a conviver com um ambiente que, em vez de propiciar o aprendizado, gera preocupação e insegurança devido à proximidade com um local insalubre.
Relatório da Sesma Confirma Infestação
Um documento da Sesma, datado de 10 de março de 2026, revelou detalhes alarmantes sobre o prédio vizinho à escola. O relatório, assinado pelo coordenador do Programa Municipal de Controle da Dengue (PMCD), Tadeu Rogério Marinho Morais, descreve o local como totalmente abandonado e sem manutenção.
O imóvel, sem portas e janelas, tem sido utilizado para descarte irregular de lixo e como abrigo por moradores de rua, agravando ainda mais a situação sanitária. Essas condições facilitam a proliferação do Aedes aegypti, colocando em perigo a comunidade escolar.
Entre as irregularidades apontadas pelo relatório da Sesma, destacam-se recipientes com água e focos de mosquitos na área externa, incluindo louças de banheiro e uma cisterna sem tampa. Internamente, grandes infiltrações no teto causam acúmulo de água no chão, com a presença de larvas, pupas e mosquitos em toda a extensão do prédio.
A equipe da Sesma realizou uma vistoria em 5 de março, aplicando tratamento larvicida (Vecto-bac WG) e quebrando recipientes com focos. Contudo, o relatório alertou para o risco de reincidência do problema devido às infiltrações contínuas, que podem recriar as condições ideais para a proliferação do mosquito.
Impacto no Trânsito e Resposta da Seduc
O bloqueio da Avenida João Paulo II, uma das principais vias do bairro Marco, causou consideráveis transtornos no trânsito. Moradores, trabalhadores e usuários do transporte público foram afetados pela interrupção, que mobilizou agentes da Polícia Militar para monitorar a manifestação e garantir a ordem.
Em resposta ao protesto, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informou, por meio de nota, que as obras na Escola Pedroso “estão em fase de finalização”. A secretaria garantiu que a “unidade passa pelos últimos ajustes estruturais e de acabamento para que possa atender estudantes e servidores com mais conforto, segurança e qualidade no ambiente escolar”.
Exigências dos Estudantes
Os estudantes da Escola Pedroso envolvidos no protesto são claros em suas demandas: eles pedem uma intervenção imediata da Seduc. O objetivo é garantir um ambiente seguro e saudável para as aulas, livre dos riscos associados à proliferação do Aedes aegypti e das condições insalubres do entorno.
A Escola Pedroso atende centenas de alunos da rede estadual, e a preocupação com a saúde e o bem-estar da comunidade escolar é crescente. A manifestação foi interrompida no início da tarde devido a uma forte chuva, mas a voz dos alunos ecoa na busca por um futuro mais seguro e digno para a educação em Belém.