A inovação desenvolvida por jovens da zona rural de Petrolina, utilizando Arduino e impressão 3D, oferece mobilidade acessível e sustentável, sendo destaque estadual.
Estudantes da Escola de Referência em Ensino Fundamental e Médio Nossa Senhora Aparecida, localizada no N4, zona rural de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, demonstraram um notável exemplo de criatividade e engenhosidade ao desenvolver uma cadeira de rodas automatizada.
O projeto, intitulado “Inclutec: Rodas Inteligentes – Horizontes ampliados”, transformou um desafio pessoal de uma ex-colega em uma solução prática e de baixo custo para a locomoção, utilizando sucata e tecnologia acessível.
A iniciativa, que já conquistou o segundo lugar estadual na Jornada Estudantil 2025, é um marco para a inclusão e a inovação tecnológica, conforme informações divulgadas pelo g1.
Inclusão e Tecnologia: A Inspiração por Trás da Cadeira Automatizada
A motivação para o desenvolvimento da cadeira de rodas automatizada surgiu da necessidade de uma ex-colega, Maria Gleice, que é cadeirante e possui deficiência visual, e enfrentava grandes dificuldades de locomoção. Esse desafio foi o catalisador para que os alunos Kennedy Silva, Wesley Oliveira, Rawan Leal, Tauane Brito, Kayky Silva e Bruno Silva aplicassem seus conhecimentos em robótica e automação.
O professor Gilmar Nascimento, coordenador do projeto, explicou a origem da ideia. “Uma colega cadeirante e com deficiência visual enfrentava grandes dificuldades para se locomover. Foi então que os alunos foram desafiados a usar seus conhecimentos em Arduino, automação e robótica para criar uma solução que pudesse melhorar a qualidade de vida dela”, afirmou.
Tecnologia Acessível e Economia Significativa
O grande diferencial do projeto “Inclutec” é a sua acessibilidade e o custo reduzido. Enquanto uma cadeira de rodas motorizada convencional pode custar em média R$ 14 mil, chegando a ultrapassar R$ 20 mil, a versão desenvolvida pelos estudantes foi construída por cerca de R$ 900.
Essa economia foi possível graças ao reaproveitamento da estrutura de uma cadeira antiga e defeituosa, além do uso de tecnologias como Arduino, sensores e componentes eletrônicos acessíveis. A impressão 3D também foi fundamental para a adaptação de peças e mecanismos, mostrando o potencial da tecnologia sustentável.
“Mesmo com as limitações, conseguimos transformar uma ideia em algo concreto, que pode melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência. Este projeto é a realização de um sonho: ver algo que começou em sala de aula se tornar uma solução prática e acessível para a sociedade”, completou o professor Gilmar.
Parceria e Reconhecimento Impulsionam o Projeto
A iniciativa foi realizada em parceria com o Núcleo de Extensão do campus Petrolina Zona Rural do IFSertãoPE, através do programa IFEduca 4.0. Os estudantes fazem parte do Clube de Ciências Museu Pensar, criado na Escola Nossa Senhora Aparecida em 2019, e participam de oficinas semanais no IFSertãoPE, onde aprimoram seus conhecimentos em modelagem 3D, programação, elétrica básica, tecnologias e inteligência artificial.
O reconhecimento do trabalho veio com a conquista do segundo lugar estadual na Jornada Estudantil 2025. Para o professor Pablo Leal, esse prêmio reforça o impacto do IFEduca 4.0. “A conquista do segundo lugar estadual na Jornada Estudantil 2025 não é apenas um reconhecimento do talento e da dedicação da equipe do Museu Pensar, é também um marco para o nosso Núcleo IFEduca4.0. Ela reafirma que estamos no caminho certo ao fortalecer parcerias, levar tecnologia para as escolas públicas e incentivar nossos jovens a explorarem seu potencial criativo”, declarou o professor.
Impacto Direto na Vida de Maria Gleice
A emoção foi grande quando Maria Gleice, a inspiração do projeto, visitou a escola para testar a inovadora cadeira de rodas automatizada. Após o teste, ela recebeu a surpresa de que a cadeira seria um presente, um gesto que simboliza a concretização de um esforço coletivo para promover mais independência e dignidade.
Este projeto de Petrolina não apenas demonstra o talento e a capacidade inovadora dos estudantes da rede pública, mas também ressalta como a educação e a tecnologia podem se unir para criar soluções transformadoras e inclusivas para a sociedade brasileira.