A D32, empresa do ídolo do futebol, enfrenta uma enxurrada de processos por não devolver valores aplicados, gerando um alerta no mercado americano.
Investidores que apostaram em negócios imobiliários nos Estados Unidos, através da D32, empresa do ex-goleiro Doni, estão relatando uma profunda quebra de confiança. Atraídos pela reputação do ex-atleta e pelo promissor mercado americano, muitos agora buscam na justiça a devolução dos valores que aplicaram, em um cenário de crescentes desavenças contratuais.
Entre os credores que já obtiveram ganho de causa, estão empresas ligadas a nomes conhecidos do público brasileiro, como o cantor Michel Teló e a atriz Thaís Fersoza. Eles representam apenas uma parte dos muitos que se sentem lesados, conforme detalhado por advogados envolvidos nos casos.
A situação dos investimentos imobiliários nos EUA se tornou complexa, com a companhia do ex-goleiro sendo alvo de múltiplos processos por quebra de contrato. A crise de confiança se aprofunda, com as empresas de Doni sob intenso escrutínio judicial, conforme informações divulgadas pelo g1.
Processos judiciais e a recusa de acordos extrajudiciais
Segundo Juliana Leite, advogada que representa vários investidores nos processos contra a D32 nos Estados Unidos, todas as ações que ela atua tiveram ganho de causa na justiça americana. Essas decisões garantem a devolução de aproximadamente US$ 1,5 milhão aos seus clientes, incluindo as empresas de Michel Teló e Thaís Fersoza.
A advogada confirma que a D32 tentou estabelecer acordos extrajudiciais, uma estratégia mencionada recentemente pelo próprio ex-goleiro Doni. Contudo, esses acordos não foram aceitos pelos clientes de Juliana, pois, em sua avaliação, não eram vantajosos.
“Eles estavam propondo uma novação da dívida. Eles queriam fazer uma reestruturação na qual a dívida antiga seria extinta, se faria uma nova estrutura. Eu recomendei aos meus clientes não fazerem isso, porque nós já tínhamos uma dívida executada na Justiça e esse julgamento nos dá prioridade de recebimento”, explicou a advogada.
Além dos quatro processos com ganho de causa, Juliana Leite mencionou um cliente que preferiu aderir a um acordo extrajudicial com a D32, mas que, lamentavelmente, acabou sem receber os valores. O débito desse cliente específico ultrapassa a marca de US$ 1 milhão, evidenciando a gravidade da situação.
A defesa do ex-goleiro Doni e o cenário econômico
Em nota, o ex-goleiro Doni informou ser sócio há mais de oito anos da incorporadora que atua na região central da Flórida. Ele afirmou que a empresa passa por um processo de reestruturação societária e renegociação de contratos, o que teria gerado “divergências pontuais com determinados clientes”.
Em um comunicado divulgado nas redes sociais, Doni ainda alegou ter firmado acordos com a maioria dos investidores e que possui recursos para honrar os contratos. Ele atribuiu os problemas dos empreendimentos a questões econômicas, como o aumento da taxa de juros nos EUA, impactando diretamente os investimentos imobiliários.
A trajetória da D32 e a série de ações na Flórida
Após encerrar sua carreira no futebol em 2013, onde defendeu grandes equipes como Corinthians, Roma e Liverpool, além da Seleção Brasileira, Doni ingressou no mundo empresarial. Ele se tornou um dos sócios da D32, empresa que captou recursos para a construção de casas em condomínios no estado da Flórida.
A ausência de entrega dos empreendimentos e a falta de retorno das aplicações financeiras transformaram a D32 em alvo de inúmeras queixas. Investidores entraram na Justiça solicitando a devolução dos valores aplicados, resultando em uma série de processos por quebra de contrato.
Um levantamento da reportagem em condados da Flórida, como Miami-Dade e Orange, aponta a existência de pelo menos 29 processos ajuizados contra a D32, a maioria relacionada a quebras contratuais. Em Orange, são 22 ações, incluindo uma ajuizada pelo jogador do Santos, Willian Souza Arão da Silva, que investiu US$ 200 mil em um projeto imobiliário.
Em Miami-Dade, há mais 7 processos, entre eles as ações ajuizadas por empresas gerenciadas por Michel Teló e Thaís Fersoza. O cantor e a atriz assinaram empréstimos de US$ 450 mil com a promessa de devolução com um ganho baseado em uma taxa de juros anual de 15%, o que não se concretizou no prazo estabelecido.
Decisões judiciais e a busca por bens da D32
Em recentes decisões, a justiça americana obrigou a D32 a pagar US$ 812 mil, o equivalente a R$ 4,2 milhões, para as empresas ligadas ao cantor sertanejo Michel Teló e à atriz Thaís Fersoza. Esse valor, que continua sujeito a correções monetárias, já inclui taxas de juros e honorários advocatícios.
Conforme a advogada Juliana Leite, não cabem mais recursos para essas ações, visto que os prazos expiraram. Atualmente, os processos estão em fase de execução, com a busca ativa por bens da companhia do ex-goleiro Doni para garantir o cumprimento das sentenças.
“A gente está em negociação, porque essa parte de execução nos Estados Unidos, eles têm que nomear os bens. Já recebemos uma série de informações e estamos nessa fase de execução”, detalhou a advogada, indicando que a batalha judicial pela recuperação dos valores aplicados está em andamento.