A sentença em Brasília detalha a motivação financeira e o perturbador histórico de violência de Lauro Curvo, ex-ginecologista que já havia abandonado a mãe e teve o registro profissional cassado.
Um caso chocante que abalou a capital federal chega a um desfecho judicial. O ex-médico Lauro Estevão Vaz Curvo foi condenado por feminicídio qualificado e fraude processual, após ser considerado culpado por queimar a própria mãe, Zely Alves Curvos, de 94 anos, viva em um apartamento em Águas Claras, no Distrito Federal.
A idosa, que estava acamada e com problemas de saúde há anos, foi vítima de um incêndio criminoso em maio de 2024, um ato que expôs uma trama de violência familiar e motivações financeiras.
A decisão judicial destaca a conduta social negativa do réu e um histórico preocupante de desavenças e abusos. As informações foram divulgadas pelo g1.
A Condenação por Feminicídio e Fraude Processual
A Justiça do Distrito Federal considerou Lauro Estevão Vaz Curvo culpado pela morte de sua mãe. Segundo a decisão, o crime de feminicídio qualificado foi motivado pela negativa de um pedido do ex-médico para se tornar curador da idosa, o que lhe daria acesso aos rendimentos da vítima.
O magistrado ressaltou que a conduta social de Lauro se mostra “negativa no âmbito familiar, diante do grave desgaste nas relações com seu irmão e com a ex-esposa, esta última inclusive vítima de violência doméstica, bem como pela comprovada falta de dedicação aos cuidados de sua genitora”.
Além do feminicídio, o ex-médico também foi condenado por fraude processual. A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal concluiu que o incêndio que ceifou a vida de Zely Alves Curvos foi criminoso, tendo começado na maca onde a senhora estava acamada.
O Histórico Perturbador do Ex-Médico
Este não é o primeiro registro de problemas envolvendo Lauro Estevão Vaz Curvo. Em maio de 2023, ele já havia sido preso por abandonar a mãe, Zely Alves Curvos, no Hospital Militar de Brasília (HMAB).
Naquela ocasião, a idosa, então com 93 anos, havia recebido alta há mais de 30 dias, e o filho se recusava a retirá-la do hospital e levá-la para casa. Ele foi autuado pelos crimes de abandono de idoso em hospital e de indução de pessoa idosa sem discernimento a outorgar procuração, mas foi solto em audiência de custódia.
A carreira médica de Lauro também foi marcada por controvérsias. Seu registro profissional no Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) foi cassado em 2021.
O Abuso Sexual e a Cassação do CRM
A cassação do registro do ex-médico Lauro Curvo ocorreu após ele ter sido condenado em 2013 por abusar sexualmente de duas pacientes durante consultas. Os crimes, conforme o processo, aconteceram entre 2009 e 2010, no Centro de Saúde 1, em São Sebastião.
As vítimas relataram que Lauro as tocou de forma indevida durante os exames. Uma das pacientes tinha apenas 17 anos e estava grávida à época dos fatos, o que agrava ainda mais a série de delitos cometidos pelo condenado.
A sequência de eventos, desde o abandono da mãe viva até a condenação por feminicídio, pintam um quadro sombrio da conduta do ex-médico condenado, revelando um padrão de violência e desrespeito à vida e à dignidade humana.