Polícia Federal aprofunda inquérito sobre alegada fraude eleitoral, com apreensão de celulares e depoimentos que ligam figura religiosa a campanha política em Manaus.
Uma investigação da Polícia Federal (PF) lançou luz sobre uma complexa rede de suposta compra de votos em Manaus, envolvendo líderes religiosos e figuras ligadas à campanha do prefeito David Almeida. O caso ganhou novos contornos com a declaração de um pastor que afirma ter recebido uma quantia significativa de um aliado político.
Os desdobramentos desta apuração revelam um cenário de articulação política dentro de templos religiosos, com a PF analisando mensagens, áudios e arquivos apreendidos em celulares de líderes da Igreja Pentecostal Unida do Brasil (IPUB).
Essa operação, iniciada em 2024, destaca a proximidade entre representantes de campanhas eleitorais e lideranças religiosas, conforme informações divulgadas pelo G1.
Dinheiro em Espécie e Prisões em Flagrante
A investigação da Polícia Federal teve um momento crucial em 26 de outubro de 2024, véspera do segundo turno das eleições municipais. Uma denúncia levou os agentes ao minicentro de convenções da Igreja Pentecostal Unida do Brasil, no bairro Monte das Oliveiras, em Manaus, um local conhecido como reduto político do prefeito David Almeida.
No local, os investigadores encontraram envelopes contendo dinheiro em espécie. Foram R$ 200 em cada envelope, somando um total de R$ 21.650. Este montante, segundo depoimentos de pastores, seria parte de uma quantia maior, de R$ 38 mil, recebida na noite anterior.
A quantia de R$ 38 mil teria sido entregue por uma pessoa identificada no processo apenas como “Eliezer”, que estaria ligada à campanha de David Almeida. Dois dirigentes da igreja foram presos em flagrante durante a operação, mas foram liberados após o pagamento de fiança de R$ 15 mil cada e agora respondem ao processo em liberdade.
Conversas e Articulações: O Papel dos Celulares Apreendidos
A análise dos quatro celulares apreendidos com líderes da IPUB tem sido fundamental para a investigação da suposta compra de votos. A perícia revelou uma série de contatos e articulações que indicam uma tentativa de mobilização eleitoral.
Entre as descobertas, há uma mensagem que sugere a intenção de mobilizar lideranças religiosas para ampliar a propaganda política entre os fiéis, citando um número que, para a PF, seria o número eleitoral do candidato apoiado.
A investigação também identificou contato frequente entre Gabriel Alexandre e líderes da IPUB, incluindo o pastor Flaviano Paes Negreiros, um dos investigados. As conversas entre Gabriel e Flaviano teriam começado em 25 de agosto de 2024, antes do primeiro turno das eleições, com registros de mensagens, áudios e fotografias que os mostram juntos.
Conexões com a Campanha e a Igreja
Um dos pontos cruciais revelados pela perícia é uma conversa em que o pastor Flaviano convoca líderes religiosos para uma reunião. Este encontro, que contou com a presença de Gabriel, teria ocorrido em uma cafeteria na Zona Oeste de Manaus.
Segundo a Polícia Federal, nessa reunião teriam sido discutidos o apoio eleitoral da igreja à reeleição do prefeito David Almeida, a quantidade de membros da congregação e um possível valor a ser pago pela influência nos votos.
Para os investigadores, a totalidade desses elementos, incluindo a descoberta do dinheiro e as comunicações analisadas, apontam para uma proximidade e interlocução entre representantes da campanha e as lideranças religiosas envolvidas na suposta compra de votos. A investigação segue em andamento para esclarecer todos os detalhes do caso.