EXCLUSIVO: Presidente da Rioprevidência Pediu Demissão ou Foi Exonerado por Cláudio Castro após Operação da PF e Alerta do TCE?

Entenda a controvérsia sobre a saída de Deivis Marcon Antunes do comando do fundo previdenciário, envolvido em investimentos suspeitos no Banco Master.

A saída de Deivis Marcon Antunes da presidência do Rioprevidência, nesta sexta-feira (23), gerou um embate de narrativas entre o governo do estado e documentos oficiais. Enquanto o governador Cláudio Castro afirmou ter determinado a exoneração imediata, processos internos e uma carta do próprio ex-presidente indicam que a iniciativa partiu dele.

A controvérsia surge em meio a uma operação da Polícia Federal (PF) que mirou o ex-dirigente por suspeitas de irregularidades em investimentos do fundo previdenciário no Banco Master, uma instituição em colapso financeiro. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) já havia recomendado o afastamento de Deivis há mais de um mês, um fato que adiciona mais camadas a este complexo cenário.

Afinal, foi uma demissão ou uma exoneração a pedido? A apuração do g1 revela detalhes que contradizem a versão oficial, levantando questões sobre a transparência e a gestão do fundo que paga aposentadorias e pensões de mais de 230 mil servidores estaduais.

A Contradição entre Versões Oficiais e Documentos

Apesar da nota do governo do Rio de Janeiro informar que Cláudio Castro havia determinado o afastamento imediato de Deivis Marcon Antunes, documentos internos contam outra história. O processo de exoneração, registrado no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), foi iniciado pelo próprio gabinete da presidência do Rioprevidência.

Uma carta, assinada por Deivis e à qual o RJ2 teve acesso, formalizou o pedido de saída. Nela, o agora ex-presidente defende sua conduta, afirmando ter atuado “com espírito público, correção e dentro dos mais elevados preceitos éticos”. Ele justificou a decisão como uma forma de “assegurar a mais ampla transparência e lisura nas apurações de alegações que não encontram respaldo nos fatos”.

Esta movimentação processual e o teor da carta contradizem diretamente a versão apresentada pelo governador. No Diário Oficial, a exoneração foi publicada como uma decisão de Cláudio Castro, sem a usual menção de que foi “a pedido”, como ocorre em casos de renúncia.

As Investigações e a Recomendação Ignorada do TCE

A saída de Deivis Marcon Antunes ocorre no mesmo dia em que ele foi alvo de um mandado de busca e apreensão da Polícia Federal. As investigações da PF se concentram em aplicações de quase R$ 1 bilhão do Rioprevidência no Banco Master, que está sob suspeita de irregularidades.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) já havia se manifestado sobre o caso. Em 10 de dezembro, o plenário do TCE aprovou por unanimidade a recomendação formal para a exoneração de Deivis e de outros dois integrantes da cúpula do Rioprevidência, Eucherio Lemer Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal.

A recomendação do conselheiro José Gomes Graciosa apontava omissões e irregularidades graves identificadas em uma auditoria sobre os investimentos do fundo. Apesar disso, Deivis permaneceu no cargo por cerca de um mês após a decisão do TCE, saindo apenas após a deflagração da operação da PF.

Irregularidades e a Suspeita de Interesses Privados nos Investimentos

A auditoria do TCE, realizada no início do ano passado, antes da liquidação do Banco Master, revelou uma série de falhas. Entre elas, a não aprovação do Plano Anual de Investimentos do Rioprevidência para 2024 e 2025 dentro do prazo legal, o que expôs o fundo a riscos significativos.

O relatório também destacou a ausência de limites claros de alocação por emissor na Política Anual de Investimentos. Mesmo assim, o Rioprevidência concentrou cerca de R$ 970 milhões em um único emissor, o Banco Master, entre novembro de 2023 e julho de 2024.

A auditoria apontou ainda que os gestores não realizaram análises técnicas prévias para a escolha dos investimentos. A Agência de Conformidade de Investimentos da autarquia ficou dois anos sem servidores, comprometendo o controle. Há suspeitas de que as decisões poderiam ter sido influenciadas por interesses privados, dado que os diretores alvos da PF ingressaram na Rioprevidência pouco antes do início dos aportes no Banco Master.

A Posição dos Citados e do Rioprevidência

Em nota, o Rioprevidência afirmou que todos os investimentos seguiram a legislação vigente e que o patrimônio previdenciário está protegido por uma decisão judicial de dezembro de 2025, que determinou a retenção de cerca de R$ 970 milhões, com juros e correção. Segundo o órgão, os valores estão sendo quitados por meio de retenção de repasses de empréstimos consignados, com previsão de liquidação em cerca de dois anos.

O fundo também assegurou que os serviços e o calendário de pagamentos não foram afetados. A defesa de Deivis Marcon Antunes não se manifestou. As defesas de Eucherio Lemer Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal não foram contatadas até o momento. O governo do Estado não respondeu sobre a contradição entre sua nota e o pedido de exoneração do próprio presidente, conforme informações divulgadas pelo g1.

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