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{
"title": "Facções disputam portos do Ceará para o tráfico internacional de drogas, acirrando a guerra por territórios",
"subtitle": "Comando Vermelho mira o Porto do Mucuripe, em Fortaleza, em uma escalada de violência que revela a estratégica posição do estado no esquema global de entorpecentes.",
"content_html": "<h2>Comando Vermelho mira o Porto do Mucuripe, em Fortaleza, em uma escalada de violência que revela a estratégica posição do estado no esquema global de entorpecentes.</h2><p>O Ceará tornou-se um ponto crucial na rota do tráfico internacional de drogas, com suas águas portuárias sendo o novo campo de batalha para facções criminosas. A **disputa por portos no Ceará** intensifica-se, especialmente com o Comando Vermelho (CV) buscando expandir seu domínio sobre terminais marítimos estratégicos.</p><p>Relatórios da Polícia Civil alertam para a ambição do CV em controlar o entorno do Porto do Mucuripe, em Fortaleza, uma área vital para a logística do crime organizado. Esta movimentação visa não apenas o fortalecimento local, mas a expansão de operações ilícitas em níveis nacional e internacional.</p><p>A localização privilegiada dos portos cearenses, com fácil acesso à Europa e aos Estados Unidos, transforma o estado em um verdadeiro hub logístico para o escoamento de entorpecentes. Conforme informação divulgada pelo g1, essa posição já era explorada por outras facções, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), que contava com apoio de mafiosos da Sérvia.</p><h3>A Guerra Silenciosa pelos Portos Estratégicos</h3><p>Desde junho, a região do Grande Vicente Pinzón, em Fortaleza, que inclui bairros como Papicu, Cais do Porto e Praia do Futuro, tem sido palco de intensos confrontos entre membros do Comando Vermelho e da Guardiões do Estado (GDE). O objetivo principal dessa disputa é o controle dos arredores do Porto do Mucuripe, considerado estratégico para as rotas de tráfico internacional de drogas.</p><p>A escalada da violência foi tão significativa que, em setembro, escolas na região precisaram suspender as aulas, demonstrando o impacto direto na vida da população. Historicamente, o cenário de facções no Ceará mudou a partir de 2017 e 2018, com a ascensão da GDE, que se aliou ao PCC para rivalizar com o CV, desencadeando uma onda de violência.</p><p>Um relatório do Núcleo de Inteligência da Polícia Civil, ao qual o g1 teve acesso, detalha a estratégia do Comando Vermelho. O documento aponta que o CV já domina a região do Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, o maior do estado, e agora busca controlar o entorno do Porto do Mucuripe, vislumbrando a expansão de seus "negócios" ilícitos.</p><p>Com a perda de territórios da GDE em setembro e sua posterior absorção pela facção Terceiro Comando Puro (TCP), o balanço de forças na área disputada permanece incerto. A Secretaria de Segurança Pública do Ceará foi procurada pelo g1 para comentar a situação, mas não obteve resposta até o momento.</p><h3>O Esquema Internacional e as Grandes Apreensões</h3><p>As investigações da Polícia Federal revelam a sofisticação das quadrilhas que utilizam os portos cearenses. Em agosto de 2019, mais de 329 quilos de cocaína foram apreendidos no Porto do Pecém, escondidos em um contêiner de mel com destino à Bélgica. Essa apreensão desvendou uma complexa organização criminosa de atuação nacional e internacional.</p><p>O grupo era liderado pelo casal Marcelo Mendes Ferreira, conhecido como "Patrão", e Karine de Oliveira Campos, a "Patroa", ambos do Mato Grosso do Sul. A estrutura, montada a partir da Bolívia, era gerenciada no Brasil por Antônio Amâncio da Silva, o "Baixinho", e descrita pela PF como "estável, razoavelmente dividida em células, com definição de atribuições e hierarquia".</p><p>A logística da quadrilha envolvia o recrutamento de funcionários de empresas que operam nos portos, como gerentes, coordenadores de turno, operadores de guindaste, câmeras e scanners. Eles utilizavam o método "Rip On/Rip Off", inserindo drogas em contêineres sem o conhecimento dos exportadores, e também criavam ou cooptavam empresas de transporte para justificar o acesso aos terminais.</p><p>Em 2024, a Operação Néctar da Polícia Federal prendeu 15 pessoas, incluindo "Baixinho", e apreendeu mais de 7 toneladas de drogas movimentadas pelo grupo. Paralelamente, em 2023, a Operação Dontraz revelou que o PCC enviava drogas para a Europa pelo Porto do Mucuripe, em parceria com mafiosos sérvios, evidenciando a pluralidade de grupos que se beneficiam da **disputa por portos no Ceará**.</p><h3>A Expansão dos “Negócios” Criminosos</h3><p>Além do tráfico de drogas, as facções no Ceará têm diversificado suas fontes de renda, expandindo suas atividades para outros setores. Documentos acessados pelo g1 mostram que os grupos criminosos buscam controlar serviços essenciais e comércios locais, impondo sua força e gerando conflitos territoriais.</p><p>Entre os "negócios" explorados estão o fornecimento de internet, jogo do bicho, loterias clandestinas, venda de cigarros e bebidas falsificados, e até a cobrança de "taxa de funcionamento" para estabelecimentos comerciais. Em agosto, houve relatos de criminosos tentando controlar a venda de água de coco na Avenida Beira Mar, um dos principais pontos turísticos de Fortaleza.</p><p>O professor Fillipe Azevedo Rodrigues, coordenador do Grupo de Pesquisa em Direito e Economia do Crime da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), explica que essa "diversificação" é uma estratégia para aumentar os lucros, inspirada no modelo das milícias cariocas. "O crime organizado, para prosperar, ele precisa operar em monopólios. Então, ele se torna isso, ele impõe isso à sociedade", afirma o professor, destacando a criação de um "Estado paralelo" que impacta diretamente a sociedade.</p><p>A **disputa por portos no Ceará** e a expansão para outros mercados ilícitos reforçam a complexidade do crime organizado, que vai muito além do tráfico de entorpecentes, afetando a segurança e a economia local.</p>"
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"content_html": "<h2>Comando Vermelho mira o Porto do Mucuripe, em Fortaleza, em uma escalada de violência que revela a estratégica posição do estado no esquema global de entorpecentes.</h2><p>O Ceará tornou-se um ponto crucial na rota do tráfico internacional de drogas, com suas águas portuárias sendo o novo campo de batalha para facções criminosas. A <b>disputa por portos no Ceará</b> intensifica-se, especialmente com o Comando Vermelho (CV) buscando expandir seu domínio sobre terminais marítimos estratégicos.</p><p>Relatórios da Polícia Civil alertam para a ambição do CV em controlar o entorno do Porto do Mucuripe, em Fortaleza, uma área vital para a logística do crime organizado. Esta movimentação visa não apenas o fortalecimento local, mas a expansão de operações ilícitas em níveis nacional e internacional.</p><p>A localização privilegiada dos portos cearenses, com fácil acesso à Europa e aos Estados Unidos, transforma o estado em um verdadeiro hub logístico para o escoamento de entorpecentes. Conforme informação divulgada pelo g1, essa posição já era explorada por outras facções, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), que contava com apoio de mafiosos da Sérvia.</p><h3>A Guerra Silenciosa pelos Portos Estratégicos</h3><p>Desde junho, a região do Grande Vicente Pinzón, em Fortaleza, que inclui bairros como Papicu, Cais do Porto e Praia do Futuro, tem sido palco de intensos confrontos entre membros do Comando Vermelho e da Guardiões do Estado (GDE). O objetivo principal dessa disputa é o controle dos arredores do Porto do Mucuripe, considerado estratégico para as rotas de tráfico internacional de drogas.</p><p>A escalada da violência foi tão significativa que, em setembro, escolas na região precisaram suspender as aulas, demonstrando o impacto direto na vida da população. Historicamente, o cenário de facções no Ceará mudou a partir de 2017 e 2018, com a ascensão da GDE, que se aliou ao PCC para rivalizar com o CV, desencadeando uma onda de violência.</p><p>Um relatório do Núcleo de Inteligência da Polícia Civil, ao qual o g1 teve acesso, detalha a estratégia do Comando Vermelho. O documento aponta que o CV já domina a região do Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, o maior do estado, e agora busca controlar o entorno do Porto do Mucuripe, vislumbrando a expansão de seus “negócios” ilícitos.</p><p>Com a perda de territórios da GDE em setembro e sua posterior absorção pela facção Terceiro Comando Puro (TCP), o balanço de forças na área disputada permanece incerto. A Secretaria de Segurança Pública do Ceará foi procurada pelo g1 para comentar a situação, mas não obteve resposta até o momento.</p><h3>O Esquema Internacional e as Grandes Apreensões</h3><p>As investigações da Polícia Federal revelam a sofisticação das quadrilhas que utilizam os portos cearenses. Em agosto de 2019, mais de 329 quilos de cocaína foram apreendidos no Porto do Pecém, escondidos em um contêiner de mel com destino à Bélgica. Essa apreensão desvendou uma complexa organização criminosa de atuação nacional e internacional.</p><p>O grupo era liderado pelo casal Marcelo Mendes Ferreira, conhecido como “Patrão”, e Karine de Oliveira Campos, a “Patroa”, ambos do Mato Grosso do Sul. A estrutura, montada a partir da Bolívia, era gerenciada no Brasil por Antônio Amâncio da Silva, o “Baixinho”, e descrita pela PF como “estável, razoavelmente dividida em células, com definição de atribuições e hierarquia”.</p><p>A logística da quadrilha envolvia o recrutamento de funcionários de empresas que operam nos portos, como gerentes, coordenadores de turno, operadores de guindaste, câmeras e scanners. Eles utilizavam o método “Rip On/Rip Off”, inserindo drogas em contêineres sem o conhecimento dos exportadores, e também criavam ou cooptavam empresas de transporte para justificar o acesso aos terminais.</p><p>Em 2024, a Operação Néctar da Polícia Federal prendeu 15 pessoas, incluindo “Baixinho”, e apreendeu mais de 7 toneladas de drogas movimentadas pelo grupo. Paralelamente, em 2023, a Operação Dontraz revelou que o PCC enviava drogas para a Europa pelo Porto do Mucuripe, em parceria com mafiosos sérvios, evidenciando a pluralidade de grupos que se beneficiam da <b>disputa por portos no Ceará</b>.</p><h3>A Expansão dos “Negócios” Criminosos</h3><p>Além do tráfico de drogas, as facções no Ceará têm diversificado suas fontes de renda, expandindo suas atividades para outros setores. Documentos acessados pelo g1 mostram que os grupos criminosos buscam controlar serviços essenciais e comércios locais, impondo sua força e gerando conflitos territoriais.</p><p>Entre os “negócios” explorados estão o fornecimento de internet, jogo do bicho, loterias clandestinas, venda de cigarros e bebidas falsificados, e até a cobrança de “taxa de funcionamento” para estabelecimentos comerciais. Em agosto, houve relatos de criminosos tentando controlar a venda de água de coco na Avenida Beira Mar, um dos principais pontos turísticos de Fortaleza.</p><p>O professor Fillipe Azevedo Rodrigues, coordenador do Grupo de Pesquisa em Direito e Economia do Crime da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), explica que essa “diversificação” é uma estratégia para aumentar os lucros, inspirada no modelo das milícias cariocas. “O crime organizado, para prosperar, ele precisa operar em monopólios. Então, ele se torna isso, ele impõe isso à sociedade”, afirma o professor, destacando a criação de um “Estado paralelo” que impacta diretamente a sociedade.</p><p>A <b>disputa por portos no Ceará</b> e a expansão para outros mercados ilícitos reforçam a complexidade do crime organizado, que vai muito além do tráfico de entorpecentes, afetando a segurança e a economia local.</p>"
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