Wellington Mazini, detido por exercício ilegal da medicina, já enfrentava denúncias graves por estelionato e colocar vidas em risco na Grande São Paulo.
O caso do falso médico Wellington Mazini, preso em janeiro em Cananéia, no litoral sul de São Paulo, ganha novos contornos com a revelação de que ele já havia sido alvo de acusações semelhantes meses antes. Mazini foi detido por se passar por médico, mas sua ficha criminal parece ser mais extensa do que se imaginava inicialmente.
As investigações apontam que, antes da prisão em Cananéia, o empresário já havia sido acusado de usar o registro profissional, o CRM, de um médico habilitado para realizar atendimentos e exames em diversas localidades da Grande São Paulo. Essa prática, altamente perigosa, levanta sérias preocupações sobre a segurança e a saúde dos pacientes.
As denúncias anteriores, conforme apurado pelo g1, mostram um padrão de conduta criminosa que agora é investigado por estelionato, perigo para a vida de terceiros, exercício ilegal da medicina e falsidade material, entre outros crimes.
Acusações Anteriores e o Esquema em São Paulo
Uma petição enviada ao 11º Distrito Policial de São Paulo, em setembro de 2023, já acusava Mazini e seus familiares de uma série de crimes graves. Entre eles, associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica e material, além de apropriação indébita. A denúncia, também encaminhada à Justiça, detalhava que Mazini se passava pelo mesmo médico cujo CRM foi utilizado quando ele foi preso em Cananéia.
Segundo o documento, o empresário teria realizado pelo menos 10 atendimentos na Grande São Paulo, empregando o nome e o registro de um profissional legítimo. Ele teria feito procedimentos como ultrassonografias de próstata, vias urinárias, abdome total e exames do aparelho urinário, colocando a saúde de inúmeros pacientes em perigo.
A denúncia-crime enfatiza a seriedade da situação, afirmando que “essa conduta criminosa colocou em risco a saúde e a vida de inúmeros pacientes, que foram submetidos a tratamentos e exames por um profissional não habilitado”. O Ministério Público e a Polícia Civil foram contatados sobre as investigações desses casos anteriores, mas não houve retorno até o momento.
Denúncia Recente e a Defesa de Mazini
Na última semana, o Ministério Público de São Paulo formalizou a denúncia contra Wellington Mazini pelos crimes de estelionato, perigo para a vida, exercício ilegal da medicina e falsidade material. Somadas, as penas para esses delitos podem atingir até 13 anos de prisão, refletindo a gravidade das acusações.
O advogado de defesa de Mazini, Celino Netto, por sua vez, classificou a denúncia como “inflada” e “juridicamente controversa”. Ele afirmou ao g1 que a defesa irá enfrentar as imputações nos autos, no momento processual adequado, confiando que os fatos serão devidamente analisados pelo Poder Judiciário.
Netto ressaltou que o caso ainda está em sua fase inicial, com diversas diligências pendentes. A defesa busca provar que a situação é menos grave do que a apresentada pela acusação, aguardando o desdobramento da ação penal.
Habeas Corpus Negado: Risco à Sociedade
No dia 13 de janeiro, o Tribunal de Justiça de São Paulo, o TJ-SP, negou um pedido de habeas corpus impetrado pela defesa de Wellington Mazini. O advogado havia argumentado que a prisão representava um constrangimento ilegal para o empresário, podendo causar estigmatização social e abalo psicológico.
A defesa solicitou a imposição de medidas cautelares alternativas à prisão, mas os desembargadores responsáveis pela análise do caso decidiram de forma diferente. Eles avaliaram que havia indícios de materialidade e autoria dos crimes e que a soltura de Mazini representava um risco significativo para a sociedade, mantendo-o detido.
A Versão do Acusado: Estagiário e Autorização Médica
Em seu depoimento, Wellington Mazini apresentou uma versão dos fatos que contrasta com as acusações. Ele alegou que agiu sob a anuência e a mando do médico com quem possui sociedade em uma clínica na capital paulista. Mazini afirmou ser estagiário desse profissional há quatro anos, acompanhando-o em clínicas de Santos e São Paulo.
O acusado ainda declarou ser estudante do 5º ano de medicina pela Faculdade Estácio de Sá e que, há oito meses, cursava especialização em ultrassonografia. Segundo ele, o médico teria autorizado os atendimentos em Cananéia, inclusive permitindo o uso de seu nome e a assinatura dos laudos. O g1 tentou contato com o médico e com a faculdade, mas não obteve retorno até o momento da publicação.