Feminicídio em Curvelo: Polícia busca Thais Mendes da Silva, desaparecida após ex-marido foragido ser apontado pelo filho como suspeito em crime brutal

Investigação em Curvelo aponta ex-companheiro como principal suspeito do feminicídio de Thais Mendes da Silva, enquanto família clama por justiça e um desfecho digno para a jovem de 24 anos.

A cidade de Curvelo, em Minas Gerais, vive dias de angústia e incerteza com o desaparecimento de Thais Mendes da Silva, uma jovem de 24 anos. O caso, que inicialmente era uma busca por pessoa desaparecida, tomou um rumo ainda mais sombrio.

As autoridades agora tratam o ocorrido como um feminicídio, e o principal suspeito é o ex-marido da vítima, que se encontra foragido da justiça. A situação é agravada por um relato chocante, que veio de uma fonte inesperada.

Um filho do casal, de apenas seis anos, teria dado detalhes à família sobre como o possível crime ocorreu, intensificando a mobilização policial na região, conforme informações divulgadas pelo G1.

O desaparecimento e a suspeita de feminicídio

Thais Mendes da Silva foi vista pela última vez no domingo, 11 de fevereiro, ao deixar seu local de trabalho. Ela estava acompanhada do ex-marido, Carlos Daniel, que é agora o foco das investigações policiais.

Segundo a família, foi o menino, filho de Thais e Carlos Daniel, quem revelou detalhes perturbadores. Após o suposto crime, o pai teria levado a criança até a casa da avó paterna e, desde então, não foi mais visto.

Diante do relato do filho, os familiares procuraram a Polícia Militar na terça-feira, registrando o boletim de ocorrência que deu início às buscas e à investigação.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) confirmou que o caso passou a ser tratado como feminicídio. Os levantamentos feitos apontam “indícios de que a vítima teria sido assassinada pelo ex-companheiro”, que já estava em regime de prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.

Carlos Daniel rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu, sendo agora considerado foragido da justiça. Um mandado de prisão por feminicídio já foi expedido contra ele, intensificando a caçada policial.

As autoridades indicam que “há indícios de que o corpo da vítima tenha sido ocultado em área de mata, possivelmente nas regiões dos bairros Ponte Nova, Ipiranga ou na região do autódromo, em Curvelo.”

A PCMG faz um apelo à população para que qualquer pessoa que se depare com odores fortes, vestígios incomuns, objetos abandonados ou movimentação suspeita, acione imediatamente o Disque-Denúncia 181. A colaboração pode ser crucial para localizar Thais e desvendar o mistério do feminicídio.

Um relacionamento marcado pela violência e ameaças

A união de Thais e Carlos Daniel durou cerca de uma década, conforme relatado por Shayane Mendes, irmã da vítima. No entanto, esse período foi marcado por um ciclo de violência e medo.

Shayane detalhou que o relacionamento era constantemente abalado por agressões físicas, ameaças e um ciúme excessivo por parte de Carlos Daniel. “Ela foi agredida fisicamente mais de uma vez e ameaçada por várias vezes”, desabafou a irmã.

As ameaças não se restringiam apenas a Thais, mas se estendiam à família e até mesmo ao próprio filho do casal. “Ele ameaçava a nossa família e até o próprio filho”, contou Shayane, evidenciando o padrão de comportamento abusivo.

A decisão de Thais de se separar, há aproximadamente um ano, foi motivada pela situação insustentável de violência. Ela chegou a obter uma medida protetiva contra o ex-companheiro para garantir sua segurança.

Contudo, em um ato de boa-fé, Thais decidiu retirar o processo após um pedido da ex-sogra. “Ele foi preso por tráfico e a ex-sogra da minha irmã foi atrás dela e pediu que retirasse o processo para ajudá-lo, garantindo que ele não iria fazer nada com ela, nem se aproximar dela”, explicou Shayane.

Acreditando na promessa de que não seria mais perturbada, Thais retirou a medida protetiva. A irmã ressalta a transformação de Thais quando estava livre do ex-companheiro, descrevendo-a como uma pessoa “muito divertida, brincalhona, engraçada e que interagia com todo mundo”.

Em contrapartida, na presença de Carlos Daniel, “ela não podia nem olhar para o lado, não podia conversar, ter amizades, sair arrumada. Era tudo questão de ciúmes, e tudo ele surtava por ciúmes”, completou Shayane, ilustrando o controle e a opressão que a jovem sofria.

O clamor da família por respostas

A família de Thais Mendes da Silva vive dias de profunda agonia, buscando desesperadamente por qualquer pista que possa levar ao paradeiro da jovem. A incerteza sobre o que aconteceu é um fardo pesado.

A irmã, Shayane Mendes, expressou a dor e a aflição de todos. “Nós estamos aflitos, tivemos pouquíssimas informações. A gente só quer encontrar ela, dar a ela um velório, um sepultamento digno”, desabafou, em um pedido emocionado.

A esperança é que as buscas intensificadas pela polícia e a colaboração da comunidade possam trazer as respostas que a família tanto anseia, permitindo que Thais tenha um desfecho e que a justiça seja feita neste trágico caso de feminicídio em Curvelo.

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