Feminicídio em Santarém: Polícia Revela Detalhes da Briga por Abacates que Culminou na Morte de Maria Jucineide e Prisão do Suspeito

Autor do feminicídio em Santarém se apresentou, mas teve a prisão preventiva decretada após matar a companheira em meio a uma briga por abacates.

O caso que chocou Santarém, no oeste do Pará, ganhou novos detalhes com as informações divulgadas pela Polícia Civil. Uma briga aparentemente fútil, iniciada por causa de abacates, escalou para um trágico feminicídio, resultando na morte de Maria Jucineide por estrangulamento.

A vítima chegou a correr para a rua e ligar para familiares em busca de socorro, mas infelizmente não conseguiu ajuda a tempo de evitar a fatalidade. O suspeito, seu companheiro, apresentou-se à polícia, mas foi posteriormente preso preventivamente.

As investigações conduzidas pela delegada Carmen Ramos trouxeram à tona a dinâmica do crime e o histórico de violência que, segundo familiares, já existia, conforme informação divulgada pelo g1.

A Dinâmica do Crime e a Ação Policial

A Polícia Civil foi acionada por volta das 11h da manhã, iniciando imediatamente as diligências para elucidar o crime. A delegada Carmen Ramos, responsável pelo caso, explicou os procedimentos adotados para identificar a autoria do feminicídio.

“Procedemos as requisições de perícias, fomos ao local do crime, identificamos testemunhas, entendemos a dinâmica do fato e conseguimos definir a autoria deste crime”, afirmou a delegada. A agilidade da equipe foi crucial para a resolução.

Enquanto as buscas pelo suspeito ocorriam nas ruas, ele se apresentou na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) acompanhado de advogados. Essa apresentação espontânea, amparada pelo Art. 302 do Código Processual Penal (CPP), impediu que ele permanecesse preso naquele primeiro momento.

Contudo, a polícia já havia solicitado a prisão preventiva do suspeito ao juiz plantonista do Fórum de Santarém, que deferiu o pedido. À noite, o homem foi apresentado por familiares na delegacia, onde recebeu voz de prisão e o mandado foi cumprido.

A delegada Carmen Ramos relatou o contato com a família do suspeito: “Entramos em contato com a família do suspeito, explicamos que nesse momento o local mais seguro para ele, considerando toda a comoção pública, os ânimos exaltados, o risco à própria integridade física dele, então nós informamos isso a família então solicitamos que ele fosse apresentado.”

A Briga Fútil que Escalou para a Tragédia

A motivação para o crime, segundo a investigação, começou com uma discussão por um motivo banal: abacates. O suspeito teria pego as frutas e as dado a outras pessoas, o que desagradou a vítima, Maria Jucineide.

“De acordo com o que coletamos, ainda no local do fato, junto a familiares, o suspeito teria pego esses abacates para dar para outras pessoas. A vítima não gostou e reclamou com ele e ele também não gostou, mas a forma de demonstrar que não gostou foi mais do que exagerado, foi desproporcional”, detalhou a delegada.

A briga, que começou na noite anterior, se prolongou até a manhã do dia do crime. Essa escalada de violência, a partir de um desentendimento tão pequeno, ressalta a gravidade da situação e o descontrole do agressor.

Os Desesperados Pedidos de Socorro de Maria Jucineide

Maria Jucineide tentou desesperadamente pedir ajuda antes de ser morta. A delegada revelou que a vítima correu, gritou e ligou para familiares, buscando socorro, mas não obteve assistência imediata de vizinhos ou pessoas próximas.

“Infelizmente a vítima chegou a correr para a rua e pedir socorro, a vítima gritou, a vítima chegou a ligar para um familiar, ligou para um segundo familiar e esse familiar atendeu e percebeu o perigo e acionou outras pessoas da família”, lamentou a delegada.

Quando a irmã de Maria Jucineide conseguiu chegar à residência, a vítima já estava sem vida, encontrada no interior do quarto, sobre a cama. A delegada enfatizou a omissão de ajuda: “A vítima pediu socorro, gritou, pessoas ouviram, pessoas se negaram a ajudar e aí nós temos o resultado. Uma pessoa que infelizmente perdeu a vida.”

O suspeito trancou a vítima dentro de casa, impedindo-a de sair. Maria Jucineide tentou se defender, o que foi evidenciado por marcas e lesões no corpo do agressor, características de defesa. No entanto, ela acabou sendo morta por estrangulamento.

Histórico de Violência e o Alerta das Autoridades

A família de Maria Jucineide informou à polícia que já existia um histórico de violência psicológica e física por parte do companheiro. Infelizmente, a vítima nunca havia registrado essas ocorrências junto às autoridades.

O Superintendente Regional de Polícia Civil, delegado Jamil Farias Casseb, lamentou o ocorrido e fez um apelo à população. Ele ressaltou a importância de registrar casos de violência doméstica para que as vítimas recebam ajuda antes que tragédias como essa aconteçam.

“A situação desses abacates foi só o estopim de um histórico que com certeza já vinha ocorrendo, apesar de não termos ocorrências registradas aqui na delegacia da mulher, mas já tem todo esse histórico que é relatado pelos familiares da vítima”, explicou Casseb.

O delegado finalizou com uma mensagem de alerta: “Fique de exemplo para que a gente busque esse socorro, essa ajuda, antes que as tragédias aconteçam.” O caso serve como um triste lembrete da importância de denunciar qualquer forma de violência contra a mulher.

Tags

Compartilhe esse post