Detalhes chocantes da investigação apontam para uma perseguição implacável e humilhação pública que antecederam o trágico feminicídio de Cibelle em São Bernardo do Campo.
O brutal feminicídio de Cibelle Alves, ocorrido na última quarta-feira, dia 25 de outubro, dentro da joalheria Vivara, no Shopping Golden Square, em São Bernardo do Campo, continua a chocar o país. O caso, marcado por uma perseguição implacável e atos de extrema violência, ganha contornos ainda mais perturbadores com a revelação de novos detalhes.
Cássio Zampieri, ex-namorado da vítima, não aceitava o fim do relacionamento e, em um ato de obsessão, expôs fotos íntimas de Cibelle no grupo de WhatsApp do trabalho dela, intensificando o terror vivido pela jovem antes do ataque fatal.
Esses vídeos, áudios, fotos e mensagens, que estão em posse da polícia, foram acessados e divulgados pelo Fantástico e pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1.
A Obsessão Que Precedeu a Tragédia
O rompimento do namoro de cinco anos entre Cibelle e Cássio ocorreu em abril de 2023. Desde então, Cássio não aceitava o término e se irritou profundamente ao descobrir que Cibelle já estava com outra pessoa, dando início a uma perseguição incessante e aterrorizante contra a ex-namorada.
A jovem, buscando proteção, chegou a registrar boletins de ocorrência por violência doméstica e obteve uma medida protetiva da Justiça, que impedia Cássio de se aproximar dela. No entanto, ele ignorou a ordem judicial, mantendo-se perigosamente obcecado por Cibelle e seu paradeiro.
As ameaças se intensificaram de maneira assustadora, com Cássio enviando mensagens intimidadoras por WhatsApp e até por PIX. Em uma das trocas, Cibelle expressou claramente: “Eu não quero mais contato com você”, ao que ele respondeu de forma desafiadora: “Problema teu. Quem decide isso não é só você. E eu já falei”.
Em outra mensagem perturbadora enviada por Cássio, ele escreveu um texto de ódio: “Que morra mesmo. Eu quero é que se f*. Já iria resolver parte dos meus problemas. Era a terra te comendo e eu comendo as vagabundas aqui. E você sentando no colo do capeta lá embaixo”.
Cibelle, em áudios e mensagens desesperadas para amigas, expressava seu profundo medo e a sensação de estar sendo caçada. Ela relatou aterrorizada: “Meu ex tá na portaria da minha casa, mano. Parece cena de filme de terror. É sério”, descrevendo a angústia de seus dias.
Em outro momento de desespero, ela disse: “Se ele tivesse entrado, eu já tinha era morrido. Isso sim. Liguei pra polícia. Eu tô com medo de verdade”, demonstrando a angústia de viver sob constante ameaça de Cássio, que a perseguia há quase um ano.
A Humilhação Pública: Nudes Expostos no Trabalho
Em um dos atos mais cruéis e humilhantes de sua perseguição, Cássio foi além das ameaças pessoais e enviou fotos íntimas de Cibelle para o grupo de WhatsApp de trabalho da Vivara, onde ela era funcionária. Este ato de humilhação pública expôs a vítima a seus colegas e à empresa, causando-lhe imenso constrangimento.
Em uma mensagem enviada por PIX, Cássio fez uma ameaça explícita sobre a divulgação das imagens, mostrando sua intenção de causar o máximo de sofrimento: “Dessa vez eu vou postar e deixar até você vir pedir desculpas no Instagram para os daqui e no site para os do resto do mundo. Vai ver o que é inferno de verdade. Devem gostar do seu conteúdo, ninguém bloqueou”.
Apesar da medida protetiva a que tinha direito, Cibelle não se sentia segura, uma realidade dolorosa para muitas vítimas de violência. Em um áudio para uma amiga, ela lamentou: “A medida só funciona se ele for pego em flagrante. Ele precisa me bater pra acontecer alguma coisa”, evidenciando a falha do sistema em protegê-la eficazmente.
O Ataque Fatal na Joalheria Vivara
No dia do crime, Cássio entrou na joalheria com uma faca e uma arma falsa escondidas em sua mochila, planejando o ataque. Cibelle tentou fugir, mas foi impiedosamente perseguida e esfaqueada diversas vezes perto do pescoço, em frente a funcionárias e clientes aterrorizados que correram para se proteger, em pânico.
A polícia foi acionada e rapidamente chegou ao local, tentando conter Cássio. Como ele não se entregava e apontava a arma, que só depois se revelou uma réplica, os policiais reagiram, atirando em sua perna para imobilizá-lo e evitar uma tragédia ainda maior. Testemunhas registraram em vídeo os momentos de tensão, a negociação e os tiros dentro da loja.
Cássio foi internado e detido sob escolta em um hospital, onde seu estado de saúde é estável. A Justiça já decretou sua prisão preventiva, garantindo que ele responda pelo crime. O caso é investigado pelo 2º Distrito Policial (DP) de São Bernardo do Campo, e Cássio será encaminhado a um Centro de Detenção Provisória (CDP) após receber alta médica.
Premeditação e Confissão Após o Crime
Momentos após cometer o feminicídio, Cássio enviou vídeos e áudios para seus familiares, confessando o crime e indicando que planejava um suicídio, o que a polícia interpreta como um ato de premeditação. “Eu matei a Cibelle. E eu vou morrer agora. Eu vou me matar”, afirmou em uma das gravações, enquanto era cercado pelos policiais.
Em outro áudio, ele revelou ainda mais a premeditação de seus atos: “Me segurei ao máximo pra não fazer… eu matei a Cibelle. Eu tô dentro da loja. O único jeito agora é eles me matar. Eu tô com a peça, eles não sabem [que é falsa]. Eu vou morrer, irmão”, disse o criminoso, conforme a polícia.
O Shopping Golden Square e a Vivara emitiram notas lamentando profundamente a morte da funcionária e informando que estão prestando todo o auxílio necessário à família de Cibelle Alves, que foi vítima de um feminicídio brutal que poderia ter sido evitado com maior eficácia das medidas protetivas.