A situação da cachorra Antonieta, a filhote de buldogue que mobilizou equipes de resgate e veterinários após ingerir mais de 50 pedras de crack em Joinville, Santa Catarina, se tornou ainda mais delicada. Seu estado de saúde piorou significativamente, exigindo uma internação em uma UTI veterinária.
A cadela tem apresentado crises convulsivas frequentes, levantando a preocupação de que possa estar sofrendo de abstinência, uma condição rara e pouco estudada em animais. A tutora do animal, que havia sido presa, foi liberada e responderá ao processo em liberdade, conforme informações divulgadas pelo g1.
Este caso chocante, que expõe tanto a vulnerabilidade animal quanto as complexidades sociais, continua a gerar comoção e atenção, com a busca por um tratamento intensivo para Antonieta e desdobramentos legais para os envolvidos.
Antonieta Apresenta Piora Neurológica e Será Transferida para UTI
A veterinária Lillian Van Den Boom, responsável pelo atendimento de Antonieta, relatou um rápido agravamento no quadro neurológico do animal. “Ela apresentou um quadro neurológico, a evolução está sendo muito rápida. Acabou de passar pela consulta com uma neurologista. Infelizmente, nós vamos precisar encaminhá-la para uma UTI”, declarou a veterinária.
A busca por tratamento intensivo para a cachorra com crack esbarra na falta de infraestrutura em Joinville, que não possui UTIs caninas. Por isso, Antonieta deverá ser levada para outra cidade, provavelmente no estado vizinho do Paraná, para receber os cuidados especializados que seu estado exige.
Crises Convulsivas Sugerem Abstinência e Revelam Negligência
Van Den Boom explicou que as frequentes crises convulsivas que a filhote de buldogue tem sofrido podem estar relacionadas à abstinência da droga. “O que a gente acredita até o momento é que pode ser até crise de abstinência. Mas a gente não pode afirmar porque não tem estudos, até o momento, relatando isso na veterinária. Mas são crises convulsivas que estão acontecendo em curtos períodos”, afirmou a profissional.
Durante o atendimento inicial, os exames revelaram que a cadela havia ingerido 55 pedras de crack. Além da grave intoxicação, a veterinária constatou que os tutores não haviam realizado a vermifugação ou as vacinas necessárias para o animal, evidenciando um histórico de negligência com a saúde básica da cachorra.
Descoberta do Crack e Ação Policial em Joinville
A cachorra foi levada a uma clínica veterinária na sexta-feira para atendimento de emergência por um casal e sua filha. Durante um procedimento para retirada de um corpo estranho, a veterinária descobriu que se tratavam de pedras de crack. A equipe da clínica acionou a Polícia Militar na segunda-feira (20), que fez o flagrante da prisão da tutora e apreendeu a droga.
A tutora, filha do casal, confessou à polícia que a droga era dela. Após a audiência de custódia, ela foi colocada em liberdade, mas terá que cumprir medidas cautelares. A mulher responderá pelos crimes de maus-tratos a animais e tráfico de drogas, em um caso que expõe a complexidade da situação.
Futuro de Antonieta e Medidas Legais para a Tutora
Com o agravamento do quadro de saúde e a necessidade de internação em UTI, o foco principal agora é a recuperação de Antonieta. O Centro de Bem-Estar Animal de Joinville foi acionado para providenciar os documentos de microchipagem e garantir a futura adoção da filhote de buldogue por uma nova família, que possa oferecer o cuidado e a segurança que ela merece.
A tutora, que está em liberdade, enfrentará as consequências legais de seus atos. O caso da cachorra que ingeriu pedras de crack serve como um triste alerta sobre a importância da guarda responsável de animais e os perigos do tráfico de drogas, com repercussões que afetam até mesmo seres indefesos.