Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro, é condenado por injúria racial: detalhes do caso que levou à pena e à polêmica defesa do ex-presidente.

O advogado Frederick Wassef, conhecido por sua atuação para a família Bolsonaro, foi condenado pela Justiça por injúria racial. A decisão judicial veio após acusações de ofensas proferidas contra uma funcionária negra de uma pizzaria em Brasília, gerando grande repercussão.

O caso detalha episódios de ataques verbais e até agressão física, que culminaram em uma pena de detenção e multa, além de indenização por danos morais à vítima. Wassef, por sua vez, nega veementemente as acusações, alegando ser alvo de uma “engenharia criminosa”.

A condenação do ex-advogado de Jair Bolsonaro reacende debates sobre o combate ao racismo e a responsabilidade de figuras públicas. Os detalhes completos da denúncia, da sentença e da defesa foram divulgados pelo g1, conforme informações apuradas.

Os Detalhes da Denúncia: Ofensas e Agressões na Pizzaria

O processo judicial revela que os incidentes ocorreram em outubro e novembro de 2020, em uma pizzaria de um shopping na capital federal. Em outubro, ao ser abordado por uma atendente negra, Wassef teria se recusado a ser servido por ela.

De acordo com o relato presente no processo, ele teria dito: “Não quero ser atendido por você. Você é negra e tem cara de sonsa e não vai saber anotar meu pedido”. Além das ofensas verbais, o advogado teria segurado o braço da mulher e jogado uma caixa de pizza no chão, exigindo que ela recolhesse o objeto.

No mês seguinte, na mesma pizzaria, Wassef teria ignorado a mesma atendente. Após a refeição, ao ir ao caixa, ele teria voltado a ofender a funcionária. “Você é uma macaca! Você come o que te derem”, teria afirmado, conforme o processo.

A Sentença e a Indenização por Dano Moral

A Justiça condenou Frederick Wassef a um ano e nove meses de detenção, além de multa, pela prática de injúria racial. A pena, contudo, deverá ser convertida em punições alternativas, conforme a decisão judicial.

Adicionalmente, o juiz determinou o pagamento de R$ 6 mil à vítima, a título de dano moral. O valor será corrigido desde a sentença, com juros que retroagem a 2020, ano dos fatos.

A decisão judicial enfatiza a gravidade da ofensa. “Sem dúvida, algumas expressões carregam em si um significado ofensivo inequívoco. A expressão ‘macaca’ — tão bem retratada na prova oral — carrega intenso desprezo e escárnio. A palavra proferida é suficiente para retratar a intenção lesiva do réu”, aponta o documento.

A Defesa de Wassef: Negação e Acusações de Armação

Durante todo o processo, Wassef negou as ofensas, alegando uma “engenharia criminosa orquestrada por diversos indivíduos com interesses pessoais e políticos em prejudicá-lo”. Ele afirmou que os fatos eram uma “farsa e armação”.

Em sua defesa, o advogado declarou ter sido absolvido pelo crime de racismo, a pedido do próprio Ministério Público. Ele ainda afirmou que a testemunha da acusação admitiu que o depoimento era mentira e que a vítima, que ele identificou como Daniele, seria “a moça branca que fingiu ser negra e vítima”.

Wassef reiterou que jamais chamou “ninguém de negra ou macaca”, e que sua inocência teria sido provada em audiência. Ele mencionou a existência de “quatro testemunhas idôneas” que comprovaram que nada aconteceu, e que a condenação se baseou apenas na “palavra isolada, falsa e mentirosa da menina”.

O advogado também questionou a ausência de imagens de câmeras de segurança e a falta de fotos ou filmagens sobre as acusações. Ele criticou a decisão judicial, afirmando que o juiz “julgou contra as provas concretas, inequívocas e incontestáveis do processo”, ignorando o que ele considera a “verdade fática e real”.

As Conexões Políticas do Advogado

Frederick Wassef ganhou notoriedade pública por sua proximidade com a família Bolsonaro. Ele atuou como advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro e também de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos).

Além de sua atuação jurídica, Wassef é proprietário do imóvel em Atibaia onde o ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz, foi encontrado e preso. Queiroz era investigado por suspeita de participação em um esquema de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, fato que intensificou a visibilidade do advogado na mídia nacional.

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