A Polícia Federal detalhou a atuação de Maria Helena de Sousa Netto Costa, presa em Goiás, como líder de um esquema de migração ilegal para os EUA.
Uma mulher foi presa em Goiás sob a acusação de chefiar um dos maiores grupos de migração ilegal para os Estados Unidos. Segundo a Polícia Federal, ela mantinha contato direto com coiotes e era responsável pela compra de passagens aéreas para que imigrantes pudessem entrar ilegalmente em território americano.
A operação revelou que os cinco grupos suspeitos de atuarem nesse tipo de crime movimentaram uma quantia impressionante de R$ 240 milhões entre os anos de 2018 e 2023. A prisão da suspeita, identificada como Maria Helena de Sousa Netto Costa, ocorreu na última quinta-feira, dia 7.
A investigação da Polícia Federal, conforme informações divulgadas pelo g1, aponta que o esquema era sofisticado e envolvia centenas de pessoas que buscavam uma nova vida nos EUA, mas de forma clandestina e perigosa.
A Operação e os Valores Milionários
A prisão de Maria Helena de Sousa Netto Costa em Goiás marca um ponto crucial na investigação sobre o tráfico de pessoas. A Polícia Federal a considera a principal articuladora de um dos grupos envolvidos na migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos.
Estima-se que, ao longo de cinco anos, de 2018 a 2023, os cinco grupos investigados nesse esquema criminoso tenham movimentado um montante colossal de R$ 240 milhões. Essa cifra sublinha a dimensão e a lucratividade do negócio ilegal.
O Esquema de Migração Ilegal e Seus Custos
Para conseguir entrar ilegalmente nos Estados Unidos, cada brasileiro que utilizava os serviços dessa rede pagava, em média, US$ 20 mil. Esse valor cobria os custos da viagem e o suporte para a travessia, muitas vezes em condições precárias e perigosas.
Os investigadores da Polícia Federal apontam que, nesse período, pelo menos 477 pessoas foram enviadas para o território norte-americano. No entanto, a polícia acredita que esse número pode ser significativamente maior, revelando a extensão da rede criminosa.
A atuação de Maria Helena incluía a compra de passagens e a coordenação com coiotes, facilitando a jornada ilegal dos imigrantes. A complexidade do esquema demonstra a organização por trás da migração ilegal para os EUA.
A Posição da Defesa de Maria Helena
Em nota oficial, a defesa de Maria Helena de Sousa Netto Costa manifestou surpresa com as medidas cautelares e considerou a prisão preventiva desnecessária. Os advogados aguardam o acesso completo aos autos do processo para uma análise técnica aprofundada.
A defesa argumenta que os requisitos legais para a prisão preventiva, conforme o artigo 312 do Código de Processo Penal, não estão presentes no caso. Eles afirmam que sua cliente não representa risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal.
Os advogados de Maria Helena também destacam que ela jamais se furtou a qualquer ato investigatório e que as providências para o restabelecimento de sua liberdade já estão em curso. A defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e lamenta a divulgação seletiva de informações sigilosas.
Esclarecimento do Governo de Goiás
Após a repercussão do caso, o governador de Goiás, Daniel Vilela, emitiu uma nota para esclarecer a situação. Ele afirmou categoricamente que o caso envolvendo Maria Helena de Sousa Netto Costa não tem nenhuma relação com ele ou com sua esposa, Iara Netto Vilela.
A nota do governador ressalta que os fatos investigados pela Polícia Federal datam de meados dos anos 2000, e em nenhum momento envolvem o governador ou o governo do estado de Goiás, buscando dissociar a imagem pública do executivo estadual do escândalo da migração ilegal.