Teerã adverte sobre as consequências de uma possível intervenção externa, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, mantém a postura ofensiva e aprofunda a crise na região.
O Irã emitiu um alerta grave neste domingo, 15 de março de 2026, afirmando que qualquer intervenção de outros países no conflito em curso no Oriente Médio resultará em uma “escalada” da guerra. A declaração surge em meio a uma tensão crescente e a duas semanas de intensos confrontos.
Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou a possibilidade de encerrar a ofensiva americana por enquanto. Ele afirmou que, embora Teerã deseje negociar, as condições atuais não são consideradas “suficientemente boas” para Washington.
A situação marca um ponto crítico na guerra no Oriente Médio, com ambas as partes mantendo uma retórica firme e sem sinais de moderação, como informado pelo g1.
Ameaças e Recusas: A Postura de Irã e EUA
Em entrevista à NBC News, Donald Trump reiterou sua posição, afirmando que o Irã “quer chegar a um acordo e eu não quero fazê-lo porque as condições ainda não são suficientemente boas”. O presidente americano chegou a declarar que poderia bombardear novamente alvos na ilha de Kharg, um importante centro de exportação de petróleo bruto do Irã, “apenas por diversão”.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse ao veículo em língua árabe Al-Araby Al-Jadeed que a guerra no Oriente Médio só terminará com “certeza de que não se repetirá e de que serão pagas reparações”. Ele relembrou a breve guerra de junho de 2025, afirmando que “Israel atacou, depois os Estados Unidos, se reagruparam e voltaram a nos atacar”.
Araghchi também pediu aos demais países que “se abstenham de qualquer ação que possa levar a uma escalada” e alegou possuir “muitas provas” de que bases americanas no Oriente Médio, incluindo nos Emirados Árabes Unidos, foram utilizadas para atacar o Irã.
O Cenário de Guerra e Suas Consequências
O Pentágono reporta que mais de 15 mil alvos foram atingidos no Irã. A guerra, que começou em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel que resultaram na morte do antigo líder supremo Ali Khamenei, tem gerado baixas significativas, principalmente no Irã, e graves consequências econômicas.
O Ministério da Saúde iraniano estima que mais de 1.200 pessoas morreram em decorrência dos ataques, embora esses números não tenham sido verificados de forma independente. A agência da ONU para os refugiados indica que até 3,2 milhões de pessoas foram deslocadas internamente no Irã devido ao conflito.
Apesar do cenário de guerra, a capital Teerã experimentou um dia útil relativamente normal neste domingo, com trânsito mais intenso e alguns estabelecimentos abertos, um contraste com a semana anterior. Mais de um terço das lojas no Bazar de Tayrish, um popular centro comercial, reabriram cinco dias antes do Noruz, o Ano-Novo persa.
Estreito de Ormuz: O Nó Vital do Petróleo
Um dos pontos cruciais do conflito é o Estreito de Ormuz. O bloqueio iraniano dessa passagem, por onde costumava transitar um quinto da produção mundial de hidrocarbonetos, provocou uma disparada nos preços do petróleo. Trump afirmou que as forças americanas intensificarão os ataques na costa iraniana, ao norte do estreito, para reabrir o caminho e permitir a retomada do transporte de petróleo.
O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, que não foi visto em público, prometeu em uma declaração escrita manter Ormuz fechado. No entanto, Trump levantou dúvidas sobre sua condição, dizendo: “Não sei se ele está vivo”. Araghchi, por sua vez, garantiu que “não há nenhum problema” com o novo líder, que teria sido ferido no primeiro dia da guerra no Oriente Médio.
Reações Internacionais e Novas Frentes de Ataque
O Exército israelense anunciou uma nova onda de ataques contra alvos no oeste do Irã, após a Guarda Revolucionária iraniana ter classificado o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu como criminoso e jurado persegui-lo e matá-lo. Em resposta, o Exército iraniano afirmou ter lançado ataques com drones contra uma unidade policial e um centro de comunicações por satélite em Israel.
Donald Trump propôs uma operação naval internacional para escoltar petroleiros através do Estreito de Ormuz, visando reduzir a pressão sobre o preço do petróleo e garantir o abastecimento global. “Com sorte, China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros afetados por essa restrição artificial enviarão navios para a região”, declarou Trump nas redes sociais.
No entanto, muitos países demonstraram hesitação. O Ministério da Defesa do Reino Unido está “analisando” a questão, assim como a Coreia do Sul e o Japão, que não se manifestaram claramente. Enquanto isso, Bahrein, Arábia Saudita e Dubai relataram novas interceptações de projéteis por suas defesas aéreas, evidenciando a contínua instabilidade na região.