Antônio Lima Ohara, preso em flagrante por feminicídio, ainda exigiu chá de camomila e ameaçou policiais com suposta influência política em Mato Grosso do Sul
Um crime brutal chocou a cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, com a morte de uma mulher aposentada, vítima de feminicídio. O agressor, seu próprio companheiro, foi preso em flagrante e as circunstâncias do assassinato revelam detalhes perturbadores.
Testemunhas relatam que o homem, identificado como Antônio Lima Ohara, chegou a sorrir durante o ataque impiedoso com pauladas, demonstrando uma frieza assustadora. Além da violência contra a vítima, ele também proferiu graves ameaças a vizinhos que tentaram intervir na situação.
A crueldade do ato e o comportamento do agressor tanto no momento do crime quanto na prisão chocaram a comunidade e as autoridades. As informações são da Polícia Civil, conforme divulgado pelo G1.
O Ataque Brutal e as Ameaças aos Vizinhos
O ataque que vitimou Rosana, a esposa aposentada, ocorreu em sua residência em Corumbá. Segundo o boletim de ocorrência, Antônio Lima Ohara utilizou um pedaço de madeira para agredir a mulher de forma contínua, mesmo após vizinhos alertarem que chamariam a polícia.
Um vizinho que presenciou a cena tentou intervir, mas foi imediatamente ameaçado de morte pelo agressor. Antônio teria dito: “Você pode mudar daqui da sua casa e, se eu for preso, você vai ser o próximo, eu vou matar você”, conforme registrado pela polícia. O criminoso, em um momento de aparente descontrole, chegou a deixar a casa, mas retornou pouco tempo depois, reiterando as ameaças aos moradores da região.
Diante da persistência das ameaças e da gravidade da situação, o vizinho buscou ajuda de outra pessoa, que também foi intimidada pelo agressor para não acionar as autoridades. A brutalidade do ataque e a postura de Antônio evidenciam a complexidade e a violência do feminicídio.
A Prisão e as Ameaças aos Agentes Policiais
Após a fuga do local do crime, Antônio Lima Ohara foi localizado na casa de um irmão. Durante a abordagem policial, o suspeito demonstrou resistência e desrespeito, tentando atrasar sua prisão. Em um momento de aparente desapego à situação, ele teria dito aos agentes: “Eu vou tomar um chá de camomila primeiro”.
Ainda segundo o boletim de ocorrência, Antônio não parou por aí com as intimidações. Ele afirmou ter ligações com a família do prefeito de Corumbá e fez novas ameaças diretas aos policiais. “Vocês vão ver! Sou parente do prefeito, vou acabar com a carreira de vocês”, teria dito o agressor, em uma tentativa de usar suposta influência política para evitar as consequências de seus atos.
Equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas para prestar socorro à Rosana, mas, infelizmente, a vítima já estava morta. Antônio Lima Ohara foi então preso e encaminhado à Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Corumbá, onde o caso de feminicídio está sendo investigado.
Repúdio da Prefeitura de Corumbá
Em nota oficial, o prefeito de Corumbá, Dr. Gabriel Alves de Oliveira, manifestou veemente repúdio ao feminicídio ocorrido no município. Ele classificou o crime como “inaceitável” e destacou que o caso evidencia a “gravidade da violência de gênero e a necessidade de enfrentamento permanente desse tipo de crime”.
O chefe do Executivo municipal expressou solidariedade aos familiares e amigos da vítima, Rosana, e enfatizou que “nenhuma forma de violência pode ser tolerada, especialmente no âmbito das relações afetivas e familiares”. A prefeitura reafirmou seu compromisso com a proteção das mulheres e o combate à violência.
Dr. Gabriel Alves de Oliveira ressaltou ainda que “a morte de uma mulher em razão do gênero é uma tragédia que atinge toda a sociedade. É dever do poder público e da comunidade agir para prevenir, denunciar e combater a violência contra a mulher”. A administração municipal mantém ações de acolhimento e fortalecimento da rede de proteção às mulheres em situação de violência em Corumbá.
Um Caso de Feminicídio que Choca Mato Grosso do Sul
Este trágico episódio em Corumbá se soma a uma alarmante estatística de violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul. O estado tem registrado um alto número de casos de feminicídio, reforçando a urgência de políticas públicas eficazes e da conscientização social.
A violência doméstica e de gênero continua sendo um desafio grave, exigindo a atenção de toda a sociedade. A denúncia é um passo fundamental para romper o ciclo de abusos e proteger vidas. Canais oficiais estão disponíveis para que vítimas e testemunhas possam buscar ajuda e denunciar ameaças e agressões em todo o Mato Grosso do Sul.
O caso de Rosana, a esposa aposentada brutalmente assassinada, serve como um triste lembrete da importância de não tolerar qualquer forma de violência e de lutar por uma sociedade mais justa e segura para todas as mulheres.