Atraso na reforma da unidade, fechada desde 2024, força remanejamento de estudantes e provoca insatisfação de pais, enquanto Ministério Público investiga irregularidades.
A cidade de Guareí, no interior de São Paulo, enfrenta um sério problema na área da educação com a interdição da obra de uma escola municipal. Mais de 200 alunos, distribuídos em 14 turmas, estão sem poder retornar à unidade de ensino, que deveria ter sido reaberta em janeiro deste ano, após reformas.
Desde 2024, a escola está fechada para obras, e a não reabertura tem causado transtornos significativos para a comunidade escolar. Os estudantes já precisaram ser remanejados para outras instituições em 2025, e a situação se repete, gerando um impasse para pais, alunos e a administração municipal.
O problema se agrava com denúncias ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a abertura de uma Comissão Processante na Câmara Municipal, conforme informado pelo g1 e pela TV TEM.
A Complexidade da Obra e as Irregularidades Investigadas
O secretário de Educação de Guareí, Danilo Domingues, explicou que a obra está paralisada além do prazo estipulado devido a uma denúncia enviada ao Ministério Público. Ele descreveu a situação como uma “obra complexa”, com vários prazos que não foram cumpridos por conta de irregularidades que surgiam a cada tentativa de solução.
Segundo Domingues, houve um destrato com a empresa responsável, e o valor contratado estava sendo diluído em situações irregulares. Os reparos, que estão em fase final, ainda necessitam da troca de pilares, alisamento de pisos e instalação de calhas, indicando problemas estruturais sérios.
O secretário detalhou que os pilares de madeira estão podres, o piso não está alisado, há bolsões de água e as calhas precisam de alinhamento. Ele enfatizou que a suspensão das aulas foi essencial devido ao risco à segurança de funcionários e estudantes.
Curiosamente, o portal da transparência do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) aponta que a obra, contratada por R$ 329,5 mil, está dentro do prazo previsto. No entanto, a Secretaria de Educação atribui os problemas a questões envolvendo a empresa terceirizada e ajustes documentais solicitados pelo MP.
A Câmara Municipal de Guareí, ciente da urgência da situação, abriu uma Comissão Processante (CP) em 30 de janeiro para acompanhar e solicitar a rápida finalização da obra na escola municipal.
O Desconforto das Famílias e a Busca por Soluções
A situação tem gerado grande desconforto entre as famílias dos alunos matriculados na unidade. Thainá Santos, mãe de um estudante, relatou que soube da suspensão do retorno às aulas apenas por um comunicado nas redes sociais da diretoria de ensino, o que causou grande surpresa e frustração.
Ela havia feito a matrícula em novembro, com a promessa de que o filho estudaria no prédio oficial da escola. A mãe expressou sua preocupação com a proposta de dividir as crianças em outras instituições, argumentando que as salas de realocação são pequenas e superlotadas, causando ainda mais transtornos para os alunos e professores.
A interdição da obra impacta diretamente o planejamento familiar e a qualidade do ensino. A Secretaria da Educação, buscando uma solução, agendou uma reunião com pais e responsáveis para esta sexta-feira (6), a fim de decidir se as crianças aguardarão a conclusão da unidade ou serão novamente realocadas para outras duas instituições de ensino.
Outras Obras Paralisadas na Educação de Guareí
Além dos problemas envolvendo a Emei em questão, o portal da transparência do TCE-SP revela que Guareí possui outra obra de escola municipal paralisada. O secretário Danilo Domingues confirmou que se trata da escola “Ivo de Sillos”, localizada no bairro Floresta.
Este projeto, com contrato firmado em 2019 e orçamento aproximado de R$ 2,5 milhões, está parado. A administração busca destravar a obra após inúmeras irregularidades apontadas e aguarda uma nova licitação para que outra empresa assuma, sem, contudo, ter uma dimensão de quando a escola será entregue.
O g1 tentou contato com o Ministério Público sobre as denúncias, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. A produção da TV TEM também está tentando contatar a empresa terceirizada responsável pelas obras. A comunidade de Guareí aguarda ansiosamente por respostas e soluções definitivas para a crise na educação local.