Irã em caos: Repressão brutal se agrava, internet é bloqueada e Trump alerta Teerã sobre retaliação por mortes em protestos

O regime iraniano reage com violência a manifestações que já somam mais de 20 mortos, cortando a internet e provocando a ira dos EUA.

O Irã vivencia um momento de intensa tensão e repressão, com protestos contra o regime se espalhando por todo o país. Há doze dias, as ruas iranianas são palco de confrontos e manifestações que desafiam a autoridade do governo.

Diante da escalada da insatisfação popular, o governo iraniano tem respondido com uma forte repressão, resultando em dezenas de mortes e um corte generalizado da internet. Esta medida visa sufocar a comunicação entre os manifestantes e impedir a divulgação de informações.

A situação tem gerado preocupação internacional, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitindo um alerta direto a Teerã. As informações são da agência France Presse, em reportagem atualizada nesta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026.

A Escalada da Repressão e o Bloqueio da Internet

A repressão contra os manifestantes contrários ao regime foi intensificada nesta quinta-feira, marcando o décimo segundo dia de uma onda de protestos que abala o Irã. As autoridades têm empregado força para conter as manifestações, que se iniciaram devido a questões econômicas.

A organização de vigilância de segurança cibernética Netblocks confirmou que o Irã está “atualmente sujeito a um corte de internet em escala nacional”. Com base em dados em tempo real, a entidade apontou uma série de medidas de censura digital aplicadas contra as manifestações.

Este bloqueio da internet dificulta enormemente a organização dos protestos e a partilha de informações sobre os acontecimentos no terreno. A medida é vista como uma tentativa do regime de controlar a narrativa e isolar os manifestantes do resto do mundo.

A Origem dos Protestos e as Vozes dos Manifestantes

Os protestos no Irã eclodiram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã se manifestaram contra o aumento dos preços e o colapso do rial, a moeda local. Rapidamente, a insatisfação se espalhou, desencadeando ações semelhantes em outras cidades do país.

Desde então, os atos se alastraram por 25 das 31 províncias iranianas, conforme contagem da AFP, baseada em declarações oficiais e meios de comunicação locais. Os manifestantes têm entoado slogans poderosos, que indicam uma profunda insatisfação com o regime atual.

Vídeos verificados pela AFP mostram manifestantes gritando “é a batalha final, Pahlavi voltará”, em alusão à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979. Outro slogan comum é “Seyyed Ali será destituído”, referindo-se ao líder supremo Ali Khamenei, no poder desde 1989.

O Alerta de Donald Trump e a Reação Internacional

A situação no Irã chamou a atenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mencionou o país asiático nesta quinta-feira. Em entrevista ao apresentador de rádio conservador Hugh Hewitt, Trump fez um alerta direto ao regime iraniano.

O presidente americano declarou: “Deixei claro para eles que, se começarem a matar pessoas, o que tendem a fazer durante seus distúrbios, eles têm muitos distúrbios, se fizerem isso, nós os atingiremos muito duramente”. A ameaça sugere uma possível retaliação caso a repressão se intensifique ainda mais.

Enquanto isso, o presidente do Irã, Masud Pezeshkian, pediu “a máxima moderação” frente aos manifestantes, além de “diálogo” e escuta às “reivindicações do povo”. Este apelo contrasta com as ações de repressão observadas no terreno.

O Balanço das Vítimas e a Posição do Governo Iraniano

O número exato de mortos nos protestos ainda é incerto e varia conforme a fonte. A ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, reportou que pelo menos 45 manifestantes morreram, incluindo oito menores de idade.

Segundo a IHR, a quarta-feira foi o dia mais sangrento, com 13 mortos. A organização também indicou que “centenas” de pessoas ficaram feridas e que mais de 2 mil foram detidas. Esses números refletem a brutalidade da repressão.

Um levantamento da AFP, baseado em informações oficiais divulgadas pela imprensa iraniana e pelas autoridades, aponta um balanço de ao menos 21 mortos, incluindo membros das forças de segurança. A discrepância nos números ressalta a dificuldade de obter informações precisas.

Estas manifestações, inicialmente motivadas pelo custo de vida, são consideradas as maiores no Irã desde os protestos massivos ocorridos em 2022, após a morte de Mahsa Amini. A jovem foi presa por supostamente violar as rígidas normas de vestuário para mulheres, desencadeando uma onda de indignação nacional.

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