Ex-policial e figura emblemática da Zona Oeste, Jorge Babu deixou um legado controverso, marcado por projetos como o feriado de São Jorge e acusações de milícia.
O cenário político do Rio de Janeiro se despede de uma figura conhecida, com a morte do ex-vereador e ex-deputado estadual Jorge Luis Hauat, popularmente conhecido como Jorge Babu. Ele faleceu neste domingo, 8 de outubro, aos 60 anos, em um hospital particular na Zona Oeste da cidade.
Sua morte ocorre após um agravamento de seu quadro de saúde, que incluía pneumonia, líquido no pulmão e aumento do coração. Jorge Babu construiu uma carreira política de grande impacto, especialmente na região de Santa Cruz, seu principal reduto eleitoral.
Ao longo de sua trajetória, ele foi autor de leis importantes, mas também enfrentou diversas investigações e condenações, gerando um perfil complexo e polarizado, conforme informações divulgadas pelo g1.
O Legado Político e a Atuação na Zona Oeste
Jorge Babu iniciou sua vida pública como policial civil, antes de mergulhar na política. Sua influência na Zona Oeste foi consolidada com as eleições para vereador do Rio de Janeiro, em 2000 e 2004, quando se elegeu pelo PTN, hoje conhecido como Podemos. Sua base em Santa Cruz era um pilar de seu apoio.
Em 2006, Jorge Babu deu um passo adiante, conquistando uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Alerj, pelo Partido dos Trabalhadores, o PT. Durante seus mandatos, ele foi o proponente do projeto de lei que instituiu o feriado de São Jorge, uma medida que primeiro foi aprovada na capital e, posteriormente, estendida para todo o estado, tornando-se uma de suas mais notáveis contribuições.
Agravamento da Saúde e Despedida
A internação de Jorge Babu ocorreu em um hospital particular localizado em Santa Cruz. Ele estava recebendo tratamento para uma pneumonia, mas seu estado de saúde deteriorou-se rapidamente. O diagnóstico indicou a presença de líquido nos pulmões e um aumento do coração, fatores que agravaram sua condição.
O corpo do político será velado e enterrado na tarde desta segunda-feira, 9 de outubro, no Cemitério Jardim da Saudade, situado em Paciência. A cerimônia deve reunir familiares, amigos e eleitores que acompanharam sua carreira e vida pessoal.
As Polêmicas e a Interrupção da Carreira
A carreira política de Jorge Babu foi marcada por uma série de controvérsias e processos judiciais que acabaram por interrompê-la. Em 2008, ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal, o MPF, sob acusações de formação de quadrilha e extorsão, sendo apontado como líder de um grupo de milícia na Zona Oeste do Rio.
Dois anos depois, em setembro de 2010, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o TJRJ, o condenou a sete anos de prisão por formação de quadrilha e por integrar uma milícia, crimes cometidos enquanto ainda era policial civil. Essas acusações resultaram em sua expulsão do PT em janeiro de 2009 e na demissão do cargo de inspetor da Polícia Civil em 2010, assinada pelo então secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.
Antes desses episódios, em 2004, Jorge Babu já havia sido preso pela Polícia Federal em uma operação que investigava rinhas de galo, um crime ambiental. Após ser solto, ele enfrentou um processo interno no PT, que inicialmente resultou em uma suspensão temporária de suas atividades partidárias.
A Tentativa de Retorno e a Lei da Ficha Limpa
Mesmo após deixar o parlamento e enfrentar as condenações, Jorge Babu buscou retornar à vida política. Em 2024, ele disputou uma vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo União Brasil, obtendo 10.639 votos, demonstrando ainda ter um significativo apoio popular na região.
Contudo, seu registro de candidatura foi cassado pela Justiça Eleitoral, com base na Lei da Ficha Limpa, que impede que condenados por certos crimes ocupem cargos públicos. Em novembro do mesmo ano, o Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, negou o último recurso apresentado, pondo um fim definitivo à sua tentativa de retornar ao cenário político.
Apesar das diversas condenações e controvérsias, a notícia da morte de Jorge Babu gerou manifestações de pesar entre os moradores da Zona Oeste, especialmente em Santa Cruz. Na região, ele era reconhecido por sua atuação em projetos comunitários, eventos e festividades locais, que foram cruciais para consolidar sua base eleitoral ao longo de muitos anos.