Justiça da Bahia torna réu homem que confessou triplo homicídio de mulheres em Ilhéus, mesmo sem DNA nas vítimas

Thierry Lima da Silva teve prisão preventiva decretada após admitir a morte de Alexsandra, Maria Helena e Mariana em agosto de 2025, um crime que chocou a cidade de Ilhéus.

A Justiça da Bahia deu um passo importante no caso do brutal assassinato de três mulheres em Ilhéus, litoral sul do estado, ao tornar réu o homem que confessou ser o autor do triplo homicídio. O crime, que vitimou Alexsandra Oliveira, Maria Helena do Nascimento Bastos e Mariana Bastos da Silva, filha de Maria Helena, gerou grande comoção e protestos na cidade.

O suspeito, Thierry Lima da Silva, teve sua prisão preventiva decretada e agora responderá formalmente pelas acusações. A decisão judicial formaliza o processo contra ele, que admitiu ter cometido os assassinatos em meio a uma tentativa de assalto.

Este desenvolvimento legal avança no caso que mobilizou a Polícia Civil e o Ministério Público da Bahia, conforme informação divulgada pelo g1.

O Indiciamento e a Confissão do Suspeito

O inquérito policial sobre o triplo homicídio em Ilhéus foi concluído em dezembro do ano passado, quatro meses após os corpos das vítimas serem encontrados. Thierry Lima da Silva, o investigado, confessou ter matado as três mulheres sozinho, alegando uma tentativa de assalto como motivação.

A confissão ocorreu cerca de dez dias após o crime, durante uma audiência de custódia, quando o suspeito já havia sido detido por tráfico de drogas. Ele detalhou ter esfaqueado as vítimas, mas a investigação encontrou um desafio forense relevante.

Peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) não identificaram material genético de Thierry nas unhas ou nas partes íntimas das mulheres. Da mesma forma, não foi encontrado DNA do homem ou das vítimas nas três facas apreendidas após o ocorrido. No entanto, a ausência de DNA não descarta sua participação na ação criminosa.

A Polícia Civil (PC) informou que o indiciamento foi fundamentado por um conjunto robusto de evidências. Estas incluíram diligências de campo, análise minuciosa de imagens de câmeras de segurança, exames periciais, oitivas de familiares e testemunhas, além da coleta de outros elementos cruciais para a investigação.

Relembre o Caso: O Desaparecimento e a Tragédia em Ilhéus

O episódio que levou à morte de Alexsandra, Maria Helena e Mariana chocou a população de Ilhéus. As duas primeiras eram amigas, vizinhas e trabalhavam em escolas da rede municipal, enquanto Mariana, filha de Maria Helena, era estudante de Engenharia Ambiental. Todas residiam em condomínios localizados a apenas 200 metros da praia.

No dia 15 de agosto de 2025, as mulheres saíram para um passeio rotineiro na Praia dos Milionários, levando o cachorro de estimação de Mariana. Câmeras de segurança de barracas próximas registraram parte desse passeio, mostrando as vítimas caminhando tranquilamente pela areia.

As imagens mostram as três lado a lado, com Mariana segurando a coleira do cão. Elas chegaram a cruzar com outras pessoas que se exercitavam na praia antes de seguir em frente. Após esse registro, as vítimas desapareceram, o que gerou grande preocupação entre familiares e amigos.

Os corpos das três mulheres foram encontrados sem vida no dia seguinte, em circunstâncias que apontavam para um crime brutal. A notícia da tragédia mobilizou a cidade, resultando em pelo menos três protestos pacíficos, com a participação de policiais militares, clamando por justiça e segurança.

Detalhes da Investigação e o Segredo de Justiça

A investigação do triplo homicídio foi complexa e demandou um extenso trabalho das autoridades. Cerca de 700 vídeos da região foram analisados pelo Instituto de Criminalística Afrânio Peixoto, do Departamento de Polícia Técnica (DPT), em Salvador. O objetivo era reconstruir o cenário do crime e entender a dinâmica dos eventos.

Em seu depoimento, após ser preso, Thierry Lima da Silva relatou que agiu sob efeito de drogas ao tentar assaltar as vítimas. Ele também indicou que a arma utilizada no crime, uma faca, foi enterrada na areia da praia, informação que auxiliou na sua localização pelos investigadores.

Além da confissão do crime em Ilhéus, Thierry também revelou ter assassinado seu companheiro em outra ocasião, motivado por ciúmes, um detalhe que adiciona complexidade ao perfil do acusado. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) informou que o caso corre em segredo de Justiça, o que restringe a divulgação de detalhes adicionais sobre o processo.

A polícia chegou a solicitar a prorrogação do prazo de entrega da investigação por duas vezes, evidenciando a meticulosidade necessária para coletar todas as provas. O g1 buscou mais detalhes sobre o que motivou o indiciamento, mas não obteve retorno da polícia até a última atualização da reportagem.

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