A transformação de Lázaro Ramos: do carisma ao tirano Jendal que o fez redescobrir o prazer de atuar em ‘A Nobreza do Amor’
Um dos atores mais queridos e versáteis do Brasil, Lázaro Ramos, está prestes a surpreender o público em um papel inédito em sua trajetória televisiva. Conhecido por personagens carismáticos e bem-humorados, ele assume pela primeira vez o desafio de interpretar um vilão em uma novela.
Em ‘A Nobreza do Amor’, Lázaro dá vida a Jendal, um antagonista complexo e manipulador que promete despertar a ira dos telespectadores. A experiência, segundo o próprio ator, não só o tirou da zona de conforto, mas também reacendeu uma chama antiga.
Após mais de três décadas de carreira, o papel de Jendal tem sido um divisor de águas, fazendo com que Lázaro Ramos redescobrisse o entusiasmo pela atuação, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Origem do Vilão: Inspiração em Shakespeare e um Convite Inesperado
Jendal, o vilão interpretado por Lázaro Ramos, é descrito como um personagem manipulador e tirano, que promete ser o grande antagonista da trama. Sua construção foi inspirada em Iago, figura central da obra ‘Otelo’, de William Shakespeare, o que já indica a profundidade e as múltiplas camadas do papel.
Curiosamente, o convite para este papel desafiador partiu do próprio ator. Após ler os primeiros capítulos de ‘A Nobreza do Amor’, escrita por seu primo, Elisio Lopes Jr., Lázaro se encantou pela história e manifestou o desejo de fazer parte do elenco, antes mesmo de perceber a natureza do personagem.
“Eu devorei os seis primeiros capítulos e falei: ‘Eu não só gostei como eu quero fazer. Por favor, me chama’”, relembrou o ator. Ele só se deu conta de que era um vilão depois, percebendo que nunca havia sonhado em interpretar um. “Acho que foi o personagem que me convocou”, conta Lázaro, sobre a singularidade da experiência.
Imersão Total: Estudo Profundo e a Busca por uma Criação Única
Com mais de 30 anos de uma carreira consolidada, Lázaro Ramos revela que o papel de Jendal tem lhe proporcionado o mesmo entusiasmo de um artista em início de jornada. “Eu estou estudando como se fossem minhas primeiras peças. Acho isso tão lindo. Depois de tanto tempo, resgatar essa paixão pela carpintaria da profissão”, declarou.
Para dar vida ao seu primeiro vilão, o ator dedicou-se a um estudo aprofundado, consultando materiais específicos e analisando personagens marcantes da teledramaturgia brasileira. Além disso, ele buscou a colaboração de um diretor de teatro para auxiliar na construção da complexa personalidade de Jendal.
“Fui reler o Otelo e a partir daí me deu um clique. Depois disso, eu mergulhei no texto. Entendi que tinha várias diferenças desses universos que podem inspirar. A gente tinha a chance de criar uma coisa única”, explicou Lázaro, evidenciando seu compromisso com a originalidade do papel.
As Duas Faces de Jendal: Do Manipulador Silencioso ao Tirano Bárbaro
O personagem Jendal terá uma evolução marcante ao longo da novela ‘A Nobreza do Amor’. Inicialmente, ele se apresenta como primeiro-ministro do reino fictício de Batanga, em uma fase mais contida e manipuladora. Sua postura, porém, muda drasticamente após um golpe de Estado, quando assume o poder.
“Na primeira fase, é uma fase mais silenciosa, mais manipulador. Depois, quando ele fica com o poder nas mãos, se torna um tirano”, detalhou Lázaro Ramos. A rejeição da princesa Alika, prometida a Jendal ainda criança, é um dos catalisadores para sua transformação em um ser impiedoso.
“Ele vira um bárbaro. A partir disso, ele diz, já que eu estou sofrendo, todo mundo vai sofrer também”, revelou o ator. As ações do vilão são brutais, incluindo atos como jogar pessoas no poço das serpentes e saquear navios inteiros, reforçando sua natureza cruel e sem escrúpulos.
Apesar das camadas e da complexidade, Lázaro Ramos é claro quanto ao propósito de Jendal na narrativa: ser o grande antagonista. “Em tese, é para ele ser odiado. É para ninguém torcer por ele. As atitudes dele são todas reprováveis”, afirmou, destacando a função do vilão na trama.
Lázaro Ramos nos Bastidores: A Postura Austera de um Vilão
A imersão no universo de Jendal levou Lázaro Ramos a adotar uma postura diferente nos bastidores das gravações. Ao contrário de sua habitual descontração, o ator buscou uma concentração mais austera para incorporar o vilão.
“Nos primeiros meses de gravação, eu entendi que precisava de uma concentração diferente. Então criei uma certa cerimônia, um jeito específico de chegar ao set. Em cena, não interagia muito com as pessoas”, contou Lázaro, sobre sua preparação para o papel.
Um episódio marcante durante a gravação da chamada da novela ilustra bem essa transformação. Lázaro recorda que, ao vestir o figurino do personagem, sua postura mudou instantaneamente. “Eu coloquei a roupa e naturalmente cheguei calado. No set, eu não falei nada. Ficou um clima pesadíssimo”, lembrou, rindo.
Essa dedicação foi tão intensa que as pessoas da equipe começaram a chamá-lo de Jendal e a pedir licença, demonstrando o impacto de sua performance. Mesmo sem nunca ter planejado interpretar um antagonista, Lázaro Ramos tem se divertido com a nova experiência. “Eu nunca tinha sonhado em fazer vilão, mas estou adorando”, finalizou, expressando o desejo de que mais “personagens controversos assim vão aparecer mais e mais” em sua carreira.