Mistério na Alemanha: O Roubo Milionário de Mais de 3.000 Cofres em Banco que Ninguém Notou por Dias, Chocando o País e as Autoridades

A audácia dos criminosos em Gelsenkirchen permitiu o saque de milhões de euros em um fim de semana, expondo falhas de segurança e abalando a confiança da população.

Nos últimos dias de 2025, um fim de semana de aparente tranquilidade na Alemanha foi palco de um dos mais audaciosos roubos multimilionários da história recente do país. Em Gelsenkirchen, uma agência do banco Sparkasse foi invadida por criminosos que, com engenhosidade e tempo de sobra, saquearam mais de três mil cofres, levando consigo milhões de euros em dinheiro, ouro e joias.

O mais chocante é que a ação criminosa, que envolveu perfurações de paredes e a desativação de sistemas de segurança, só foi descoberta dias depois, quando os ladrões já haviam desaparecido sem deixar rastros significativos. A ousadia do ato e a falha em detectá-lo imediatamente levantaram uma série de questionamentos sobre a segurança bancária e a confiança nas instituições.

Este evento, descrito como o mais “espetacular” assalto a banco na Alemanha em anos, deixou clientes furiosos e autoridades perplexas, com a polícia ainda sem prender nenhum suspeito mais de um mês após o ocorrido, conforme informação divulgada pela BBC.

O Plano Ousado: Invasão e Perfuração

Os investigadores acreditam que os ladrões planejaram cuidadosamente cada passo do roubo multimilionário. A hipótese principal é que eles invadiram a agência da rua Nienhofstrasse, no bairro de Buer, através de um estacionamento adjacente. Eles teriam corrompido uma porta de saída entre o estacionamento e o banco, que normalmente não poderia ser aberta pelo lado de fora.

A quadrilha conseguiu impedir que a porta se fechasse corretamente, garantindo-lhes acesso irrestrito do estacionamento ao prédio do Sparkasse. Dali, a polícia crê que os criminosos burlaram diversos sistemas de segurança, alcançando uma sala de arquivos localizada ao lado do cofre, no subsolo do banco.

Foi nesse ponto que a equipe de ladrões teria montado uma furadeira industrial, utilizada para abrir um buraco de 40 centímetros de largura na parede que dava acesso direto à caixa-forte, onde estavam guardados os milhares de cofres. A precisão do ataque sugere um conhecimento prévio da planta do local ou informações privilegiadas.

O Alarme Ignorado e a Ação dos Ladrões

As autoridades estimam que o roubo multimilionário tenha ocorrido entre o sábado, 27 de dezembro, e a segunda-feira, 29 de dezembro. Um detalhe crucial revelado pelo ministro do Interior da Renânia do Norte-Vestfália, Herbert Reul, é que os ladrões quase foram flagrados.

Pouco depois das 6h do dia 27 de dezembro, o corpo de bombeiros de Gelsenkirchen e uma empresa de segurança privada receberam um alerta de incêndio do banco. A polícia e 20 bombeiros chegaram à agência às 6h15, mas não encontraram nada que indicasse danos, segundo comunicado da polícia.

O alarme de incêndio veio da caixa-forte, mas os bombeiros não puderam entrar porque ela estava trancada por uma porta de aço de enrolar. Reul explicou que, sem fumaça, cheiro de fogo ou danos visíveis, eles concluíram que era um alarme falso, algo que, segundo ele, não era incomum de acontecer.

Para revistar a agência naquele momento, a polícia precisaria de um mandado. Segundo Reul, era o corpo de bombeiros que tinha a prerrogativa de atuar nessas situações. Essa falha inicial em investigar mais profundamente permitiu que os criminosos continuassem sua ação sem interrupções.

Uma vez dentro da caixa-forte, os ladrões abriram quase todos os 3.250 cofres disponíveis, levando dinheiro, ouro e joias. Reul afirmou que os sistemas de informática do banco mostram que o primeiro cofre foi arrombado às 10h45 do dia 27 de dezembro e o último, às 14h44. Não está claro se eles conseguiram abrir a maioria dos cofres em apenas quatro horas ou se houve uma interrupção no registro de dados.

A Descoberta do Caos e a Busca por Respostas

O roubo multimilionário só foi descoberto em 29 de dezembro, quando outro alarme de incêndio disparou às 3h58 da segunda-feira. Ao retornar ao banco, os bombeiros se depararam com uma cena de caos e destruição.

Herbert Reul descreveu a imagem como a de um “lixão”, com mais de 500 mil itens espalhados pelo chão, o que restou do conteúdo dos cofres que os ladrões deixaram para trás. A polícia informou que muitos desses itens foram danificados com água e produtos químicos jogados pelos criminosos.

Desde então, as autoridades têm vasculhado cuidadosamente o local em busca de pistas e na tentativa de identificar a quem pertence cada item. Testemunhas disseram à polícia ter visto vários homens na escadaria do estacionamento carregando sacolas grandes durante a noite de 28 de dezembro.

As fotos e vídeos das câmeras de segurança do estacionamento, divulgados pela polícia, mostram homens com os rostos cobertos e dois carros, um Audi RS 6 preto e um Mercedes Citan branco, ambos com placas falsas. A polícia ainda não sabe exatamente quanto foi roubado, mas a imprensa alemã estima que o valor possa ter chegado a 100 milhões de euros, aproximadamente R$ 618 milhões.

Vítimas e a Questão da Segurança Bancária

Quando a notícia do roubo multimilionário veio à tona, cerca de 200 clientes se reuniram do lado de fora da agência saqueada, pedindo para entrar no estabelecimento, que estava isolado pela polícia. Muitos deles haviam perdido as economias de uma vida inteira, joias de família e objetos de valor sentimental.

Joachim Alfred Wagner, de 63 anos, relatou ter perdido ouro no valor de dezenas de milhares de euros, além de joias que pertenciam a seu pai e avós. Ele havia alugado o cofre após seu apartamento ter sido arrombado várias vezes, acreditando que seus bens estariam seguros ali. “Chorei de raiva”, afirmou ele.

Wagner é uma das primeiras pessoas a entrar com um processo contra o banco, pedindo indenização pelo que seu advogado, Daniel Kuhlmann, chamou de “segurança negligente”.

O banco Sparkasse comunicou que o conteúdo de cada cofre geralmente é segurado no valor de 10.300 euros, cerca de R$ 64 mil. A instituição também se declarou vítima do crime e afirmou que suas instalações eram “protegidas de acordo com a tecnologia de ponta reconhecida”.

A situação é ainda mais complicada porque nem todos os correntistas possuíam recibos oficiais do conteúdo de seus cofres, o que dificulta a identificação do que foi levado. Herbert Reul destacou que “nem mesmo o Sparkasse sabe o que há [nos cofres], porque cada pessoa pode colocar o que quiser neles”.

O chefe de polícia Tim Frommeyer classificou o caso como “um dos maiores casos criminais da história do estado da Renânia do Norte-Vestfália”. Ele enfatizou que, além do prejuízo material, o dano psicológico dos afetados não deve ser subestimado.

Para muitas vítimas, o assalto abala a confiança na segurança pessoal e na própria ordem social, um impacto que vai além da perda financeira, segundo Frommeyer.

A repercussão do roubo multimilionário foi tão grande que se tornou uma questão política. O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) realizou um comício em frente ao banco, o que gerou acusações de que estariam tentando incitar problemas.

A revista alemã Der Spiegel afirmou que o roubo se tornou um símbolo de algo maior que o próprio crime. Ele representa a “sensação de que as promessas de segurança são vazias, de que as instituições estão falhando, de que, no fim das contas, ninguém está sendo responsabilizado”.

Tags

Compartilhe esse post