Morte de Ativista de Extrema Direita em Lyon Acende Alerta na Política Francesa e Aquece Disputa para as Eleições de 2027

Governo Francês Aponta Esquerda Radical como Responsável por Clima de Violência Após Morte de Quentin Deranque, Intensificando Tensão Pré-Eleitoral

A política francesa vive um momento de extrema tensão após a morte de Quentin Deranque, um ativista de extrema direita de 23 anos. Ele faleceu no fim de semana, dias depois de ter sido brutalmente agredido durante um protesto em Lyon, no sudeste do país.

O incidente ocorreu em meio a um confronto entre grupos de extrema direita e extrema esquerda. A tragédia não apenas chocou a França, mas também reacendeu a polarização política, gerando acusações mútuas entre os diferentes espectros ideológicos.

O governo francês, de centro-direita, não tardou em apontar a “responsabilidade moral” da esquerda radical, acusando-a de fomentar um ambiente hostil. Este cenário de animosidade se intensifica pouco antes das eleições municipais de março, conforme informações divulgadas pelo g1.

Agressão Fatal e a Investigação em Curso

Quentin Deranque foi agredido na quinta-feira (12), em paralelo a um evento com a eurodeputada de esquerda Rima Hassan. Segundo fontes próximas à investigação, o ataque ocorreu durante um “confronto entre grupos de extrema esquerda e de extrema direita”.

Investigadores relatam que Deranque foi derrubado e agredido por ao menos seis indivíduos encapuzados, sofrendo lesões graves na cabeça, incluindo um “traumatismo cranioencefálico grave”, que culminou em sua morte. Um suposto vídeo do ataque, divulgado pelo canal TF1, mostra cerca de dez pessoas agredindo três jovens no chão, com uma testemunha afirmando à AFP que “eles se agrediam com barras de metal”.

A Justiça de Lyon abriu uma investigação por homicídio doloso, conforme declarou o promotor Thierry Dran. Até o momento, não foram realizadas detenções, e as investigações continuam ativamente para identificar e responsabilizar os autores da agressão.

Acusações e Negações: O Confronto Político

A porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, de centro-direita, acusou diretamente o partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI) de ter “incentivado um clima de violência durante anos”, atribuindo-lhes uma “responsabilidade moral” pela morte de Deranque.

A extrema direita, por sua vez, atribuiu o ataque a ex-ativistas do movimento antifascista Jeune Garde (Jovem Guarda), grupo cofundado por um deputado da LFI antes de sua eleição e dissolvido em junho do ano passado. No entanto, o Jeune Garde negou qualquer vínculo com os “eventos trágicos” no domingo.

Jean-Luc Mélenchon, veterano líder da LFI e três vezes candidato à presidência, rejeitou veementemente qualquer responsabilidade no caso. Este embate ideológico acende ainda mais o debate público em um período já efervescente, às vésperas das eleições municipais.

Cenário Eleitoral Tenso: Olhos em 2027

A morte de ativista de extrema direita e a consequente polarização política são vistas como um teste importante para as eleições municipais do próximo mês, que, por sua vez, servem de termômetro para a eleição presidencial de 2027. Esta eleição definirá o sucessor de Emmanuel Macron, que está impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo.

As pesquisas de opinião atuais indicam o partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN) como favorito. A legenda, com Marine Le Pen como candidata, já alcançou o segundo turno nas duas últimas eleições presidenciais, ambas vencidas por Macron, demonstrando sua crescente força no cenário político francês.

Contudo, Marine Le Pen enfrenta um obstáculo significativo: sua inelegibilidade devido a uma condenação por desvio de recursos públicos. Ela aguarda a sentença em segunda instância, prevista para julho. Caso a decisão seja mantida, seu protegido, Jordan Bardella, poderá ser o candidato à presidência pelo RN.

Bardella, de 30 anos, é uma figura jovem e popular. Uma pesquisa divulgada no domingo o aponta como o candidato preferido pelos franceses, superando a própria Le Pen e o ex-primeiro-ministro de centro-direita Édouard Philippe, solidificando sua posição como uma das principais apostas para o futuro da política francesa.

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