Após meses submerso, o icônico Professor Besnard, embarcação essencial para a ciência brasileira, emerge em complexa operação de R$ 8,6 milhões no Porto de Santos.
O navio histórico Professor W. Besnard, um verdadeiro ícone da pesquisa oceanográfica brasileira, está passando por uma delicada operação de reflutuação no Porto de Santos. A embarcação, que afundou parcialmente em março deste ano, está sendo gradualmente trazida de volta à superfície em um trabalho que exige precisão e cuidado extremos.
Este processo é crucial para o futuro do navio, que antes do incidente estava em reforma para se transformar em um museu flutuante, preservando sua rica trajetória. A comunidade científica e o público acompanham com expectativa cada etapa desse resgate.
A complexidade da operação e os desafios enfrentados para garantir a integridade do Professor Besnard são imensos, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Complexa Operação de Resgate
A reflutuação do Professor Besnard é um trabalho minucioso, estendido justamente para preservar a originalidade da embarcação. Márcio Nogueira, engenheiro de mergulho, explicou que “Tudo que está sendo feito do trabalho é preservando a originalidade da embarcação. Por isso o trabalho está se estendendo um pouco mais.”
A operação, que acontece quase três meses após o afundamento parcial no cais do Valongo, está a cargo da Marfort Serviços Marítimos Ltda. Alexandre Salamoni, diretor da empresa, detalhou as etapas iniciais, que incluíram o tamponamento e testes de estanquidade, seguidos pela estabilização do navio.
Bombas de sucção foram instaladas para auxiliar no processo. Segundo Salamoni, o navio histórico já foi parcialmente destombado, e a fase final da reflutuação aguarda a chegada de equipamentos complementares. Após ser totalmente reflutuado, o Besnard será levado a um estaleiro para uma perícia técnica.
O Naufrágio e a Importância do Professor Besnard
O Professor Besnard afundou em 13 de março, após fortes chuvas que atingiram a Baixada Santista. O Instituto do Mar informou que as bombas de sucção do navio não funcionaram na ocasião, devido a um furto da fiação elétrica, o que deixou a embarcação inclinada e apoiada no fundo do estuário.
Construído em 1966, o Professor Besnard é um verdadeiro patrimônio da ciência brasileira. Ele participou de mais de 260 expedições científicas, realizando milhares de coletas oceanográficas. Foi também responsável por levar as primeiras equipes brasileiras à Antártica, marcando presença em momentos históricos da pesquisa nacional.
Fora de operação desde 2008, o navio passava por reformas significativas. O objetivo era transformá-lo em um museu flutuante, permitindo que futuras gerações pudessem conhecer de perto sua grandiosa contribuição para o avanço da ciência no Brasil.
O Alto Custo da Recuperação e o Futuro Incerto
A operação de retirada do navio Professor Besnard do Porto de Santos é financeiramente expressiva. A Autoridade Portuária de Santos, APS, com autorização da Marinha, firmou um contrato emergencial no valor de R$ 8,6 milhões para realizar o trabalho de reflutuação e resgate da embarcação.
O futuro do Professor Besnard ainda é incerto. O laudo da perícia técnica, que será realizado em estaleiro após a reflutuação completa, será decisivo. Ele determinará se a embarcação poderá ser recuperada para visitação pública, concretizando o sonho do museu flutuante, ou se terá partes desmontadas.
A expectativa é que este símbolo da ciência brasileira possa, de alguma forma, continuar a inspirar, seja como um museu ou através da preservação de suas partes mais significativas, mantendo viva sua memória no cenário da pesquisa e da história marítima do país.