Operação da PF desvenda fraude em concursos na PB: Conheça os investigados, de delegado a vereador, e a máfia que cobrava R$ 500 mil por vaga

A ‘Máfia dos Concursos’ na Paraíba operava esquema sofisticado, com envolvimento de figuras públicas e tecnologia de ponta para garantir aprovações fraudulentas em diversos certames.

Uma vasta rede de fraude em concursos públicos, conhecida como a ‘Máfia dos Concursos’, foi desarticulada pela Polícia Federal (PF) na Paraíba e em outros dois estados. A Operação Concorrência Simulada revelou detalhes de um esquema que movimentava centenas de milhares de reais e envolvia desde servidores públicos até candidatos em busca de aprovação ilícita.

A investigação aponta para uma organização criminosa que utilizava métodos sofisticados para burlar os sistemas de segurança, garantindo vagas em concursos de alto nível, como os da Polícia Federal, Caixa Econômica Federal e até o Concurso Nacional Unificado (CNU).

Dois indivíduos foram presos preventivamente e 11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, lançando luz sobre os principais nomes por trás dessa complexa trama, conforme informações divulgadas pelo g1.

Quem está na mira da Operação Concorrência Simulada?

Entre os investigados pela PF, há nomes com histórico de envolvimento em crimes semelhantes e figuras de destaque no cenário público. Os dois presos na operação são Dárcio de Carvalho Lopes, professor de português e funcionário da Caixa Econômica Federal, e Flávio Luciano Nascimento Borges, também da Caixa, ambos já réus em outros inquéritos de fraude.

Documentos acessados pelo g1 revelam uma lista extensa de investigados, cada um com um papel específico na organização. Gustavo Xavier do Nascimento, delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, é suspeito de pressionar a família que chefiava o grupo para beneficiar familiares em concursos.

Eudson Oliveira de Matos, policial civil e apontado como braço direito de Gustavo Xavier, também está sob investigação por envolvimento em vários crimes. Outro policial civil, Ramon Izidoro Soares Alves, que atualmente é vereador, é suspeito de integrar a organização e repassar informações sobre operações.

O servidor do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), Waldir Luiz de Araújo Gomes, conhecido como ‘Mister M’, teria tido um papel crucial. Ele é identificado como coordenador de local de prova, com acesso para violar malotes e obter provas antes da aplicação, repassando-as ao grupo criminoso.

Outros nomes como Flávio Pedro da Silva, Ingrid Luane de Souza Ferreira, Lariça Saraiva Amando Alencar, Mércio Xavier Costa do Nascimento, irmão de Gustavo Xavier, e Alvanir Gomes da Silva, também são investigados por participações em diversas etapas das fraudes, incluindo a fotografia de provas e o recebimento de gabaritos.

A família Limeira, já investigada por fraudes no CNU, também é citada na Operação Concorrência Simulada, com nomes como Wanderlan Limeira de Sousa, Wanderson Gabriel de Brito Limeira, Larissa de Oliveira Neves e Valmir Limeira de Souza.

O esquema da ‘Máfia dos Concursos’ na Paraíba

A Polícia Federal descobriu que a ‘Máfia dos Concursos’ tinha sua sede em Patos, no Sertão da Paraíba, e era liderada por uma família que cobrava valores exorbitantes por cada vaga, chegando a R$ 500 mil. O líder do grupo, inclusive, foi preso em uma operação anterior e faleceu no ano passado.

Para garantir a aprovação, o grupo utilizava uma série de tecnologias e artifícios, como dublês para realizar as provas, pontos eletrônicos implantados cirurgicamente para comunicação em tempo real e outros mecanismos sofisticados de fraude e falsificação.

Os pagamentos pela fraude em concursos na PB não se limitavam a dinheiro vivo. A organização aceitava ouro, veículos e até procedimentos odontológicos como forma de quitar a propina, demonstrando a amplitude e a complexidade do esquema criminoso.

As investigações indicam que as fraudes aconteciam há mais de uma década, corrompendo agentes de fiscalização e garantindo cargos de alto escalão em diversos órgãos públicos e instituições renomadas. Concursos da Polícia Civil, Polícia Militar, UFPB e Banco do Brasil também foram alvos da máfia.

As defesas dos envolvidos se pronunciam?

Após a deflagração da Operação Concorrência Simulada, o g1 buscou contato com os citados e as instituições envolvidas. A Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) informou que só se pronunciará quando for formalmente notificada dos acontecimentos.

O delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier, e a própria Polícia Civil do estado não haviam respondido até a última atualização da reportagem. O TRE-PB, questionado sobre o servidor Waldir Luiz de Araújo Gomes, também não quis se pronunciar, alegando não ter sido oficiado formalmente sobre o assunto. Waldir não foi localizado para comentar.

A Câmara Municipal de Arapiraca, procurada para falar sobre o vereador Ramon Izidoro, não obteve resposta. As defesas dos demais citados na investigação não foram localizadas até o momento, deixando muitas perguntas em aberto sobre os próximos passos da Operação Concorrência Simulada e o futuro dos envolvidos.

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