O novo Orçamento de Ribeirão Preto para 2026, de R$ 5,4 bilhões, representa um marco fiscal, com a gestão Ricardo Silva mirando o equilíbrio das contas públicas.
A cidade de Ribeirão Preto se prepara para um orçamento ambicioso em 2026, com uma previsão de R$ 5,4 bilhões. Este valor, que representa um aumento de 5,6% em relação a 2025, traz consigo uma mudança de direção notável, focando na sustentabilidade financeira.
A principal meta da gestão é a redução das dívidas de longo prazo, um desafio persistente para o município. Pela primeira vez em anos, projeta-se uma queda significativa nesses débitos, sinalizando uma guinada na política fiscal local.
Apesar da contenção de gastos, a Prefeitura assegura que serviços essenciais, como saúde e educação, não serão prejudicados, conforme informações divulgadas pelo g1.
A prioridade da gestão Ricardo Silva: Equilíbrio Fiscal e Dívida
Desde que assumiu o cargo, o prefeito Ricardo Silva (PSD) tem enfatizado a necessidade de equilibrar as contas da Prefeitura. Muitas das dívidas foram herdadas e estão ligadas a financiamentos de projetos estruturais, como as obras de corredores de ônibus e viadutos do programa “Ribeirão Mobilidade”, com recursos do PAC 2.
A chamada dívida fundada do município, que já ultrapassou R$ 1 bilhão, deve ter um recuo de 21% em 2026, chegando a R$ 1,3 bilhão. Esta é a primeira projeção de queda desde 2022, um indicador de que a estratégia de redução de dívidas está começando a surtir efeito.
Márcio Minoru, integrante do Observatório Social de Ribeirão Preto, analisa a situação. Ele afirma que “a prioridade estaria focada no saneamento fiscal e respectiva redução da dívida, vez que a gestão anterior havia realizados vários financiamentos por conta do PAC, sendo previsto o valor de R$ 153,4 milhões em operações de crédito. Portanto, a atual gestão manteve uma postura conservadora evitando aumentar o endividamento do município”.
Entenda os Destaques do Orçamento de R$ 5,4 Bilhões
O Orçamento de Ribeirão Preto para 2026 se destaca por alguns pontos cruciais. A projeção de receita de R$ 5,4 bilhões é impulsionada pela expectativa de aumento na arrecadação de tributos como ISSQN, ITBI e IPTU.
Haverá um superávit fiscal significativo, com um saldo positivo de R$ 70 milhões nas receitas primárias, um aumento de 25% em relação a 2025. A reserva de contingência também será ampliada de R$ 8 milhões para R$ 10 milhões, fortalecendo a segurança financeira do município.
A saúde continua sendo a pasta com maior destinação de recursos, com R$ 1,08 bilhão, um aumento de 4,5%. Esse valor representa 26,2% da arrecadação da administração direta, superando os 15% mínimos estabelecidos pela legislação brasileira. Além disso, o Instituto de Previdência dos Municipiários (IPM) terá a segunda maior receita, com mais de R$ 981 milhões, evidenciando seu peso nas contas públicas.
Por outro lado, as despesas de capital, voltadas para ativos fixos como máquinas e equipamentos, terão uma queda de 11%, totalizando R$ 524,2 milhões. As despesas correntes, que incluem gastos com pessoal e encargos, devem subir 19%, chegando a R$ 4,9 bilhões. A folha de pagamento, contudo, permanece dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, correspondendo a 48% do orçamento.
Os Desafios e Alertas para o Futuro de Ribeirão Preto
Apesar do foco na redução de dívidas, o especialista Márcio Minoru alerta para a necessidade de a Prefeitura não comprometer sua capacidade de investimentos e renovação urbana ao enxugar gastos. O prefeito Ricardo Silva, por sua vez, garantiu que a máquina pública será mantida em funcionamento equilibrado, sem prejudicar investimentos em saúde, educação, inovação e inclusão social.
Minoru também pondera que “na busca pelo equilíbrio fiscal, a cidade deixa de realizar obras de grande porte, o que não é necessariamente negativo. É importante levantar quais obras de grande porte seriam de fato relevantes para o futuro do município juntamente da participação popular e da classe empresarial”.
O sucesso do Orçamento de Ribeirão Preto de 2026 dependerá de uma disciplina fiscal rigorosa e do crescimento efetivo das receitas. “A LOA prevê ações como o controle rigoroso das despesas, incremento na arrecadação e cumprimento das metas fiscais, portanto, o resultado dependerá de disciplina fiscal, crescimento efetivo das receitas e prioridade às despesas obrigatórias”, conclui Minoru.