Com participações especiais e uma sonoridade ainda mais elaborada, o trio de São Gonçalo prova sua força e jovialidade no cenário musical brasileiro.
Os Garotin, o trio que conquistou o Brasil com seu frescor musical, lança seu aguardado segundo álbum, “Força da Juventude”. A expectativa era alta, e o grupo de São Gonçalo não decepciona, entregando um trabalho que confirma seu crescimento sem abrir mão da energia vibrante que os tornou uma sensação.
O novo disco, que chegou ao mundo na noite de quinta-feira, 14 de maio, mergulha ainda mais fundo nas raízes da black music, misturando soul, R&B e toques de rap com o suingue pop tropical que já é sua marca registrada. É um álbum coeso, cheio de novas pretensões e colaborações de peso.
Segundo o jornalista Mauro Ferreira, em crítica para o g1, “Força da juventude” é um trabalho que harmoniza as conquistas do trio com a pegada do álbum de estreia, exalando espontaneidade e elaboração em cada uma de suas 13 faixas autorais.
A Evolução Sonora e as Colaborações de Peso
O frescor que marcou “Os Garotin de São Gonçalo”, o álbum de estreia que exalou soul, R&B e samba, permanece intacto em “Força da Juventude”. A produção musical continua sob o comando de Julio Raposo, garantindo a coesão sonora que já é uma marca do grupo.
Leonardo Guimarães, Lucas Anchieta e Victor Cupertino, conhecidos como Leo Guima, Anchietx e Cupertino, aproveitaram as novas oportunidades. Eles contaram com as cordas luxuosas do maestro Arthur Verocai na faixa “Uma noite só”, adicionando uma camada sofisticada à sonoridade.
As colaborações de peso também são um destaque. A requisitada cantora Liniker faz um feat em “Simples assim”, uma das duas músicas do álbum já apresentadas no EP “Session 2”, junto com o R&B “Calor e arrepio”.
Outras participações notáveis incluem BK ao fim de “Se joga”, faixa que também conta com a adesão de Marina Sena, e a cantora norte-americana Malia em “Deixa eu te encontrar”. Essas parcerias enriquecem o mosaico de referências do trio.
Mantendo a Essência de São Gonçalo com Toque Global
Mesmo com as novas influências e participações internacionais, Os Garotin fazem questão de ressaltar suas raízes. Em “Falador”, faixa com a energia aditivada pelo rap do MC niteroiense 2ZDinizz, eles bradam: “Não esqueço quem sou / Nem de onde venho / Tô pronto para voar / É o meu momento”.
O álbum é essencialmente um disco feliz de soul e R&B, com toques de rap. A batida boom bap de “Hoje eu vou me dar bem” e o R&B entranhado no interlúdio “Gimme just one night” e em faixas como “Baby não vá” são exemplos claros dessa sonoridade.
Apesar de se espraiarem pelo Brasil e pelo mundo, o trio mantém São Gonçalo em seu horizonte, uma característica que os conecta profundamente com seu público e sua identidade musical.
O Suingue Brasileiro e a Força da Juventude
A brasilidade carioca e o suingue pop tropical continuam presentes. Se “Nossa Resenha”, com Caetano Veloso, marcou o primeiro álbum, em “Força da Juventude” a faixa “Soul brasileiro” traz o suingue nordestino de Lenine, que além de cantar, cita sua própria música “Jack soul brasileiro”, conectando com Jackson do Pandeiro.
“Força da juventude” é um álbum coeso que jamais perde o pique ao longo de suas 13 faixas autorais, algumas mais lentas, outras mais dançantes, como “Fantástica”, feita para exalar sensualidade no baile pop. Tudo soa mais elaborado e pensado, inclusive as harmonias vocais, mas sem perder a espontaneidade.
A rota do voo dos Garotin inclui até a evocação de um coro gospel na harmonização vocal de “Não vá”, uma faixa curta, mas de energia poderosa. Cumprindo as altas expectativas, Os Garotin se confirmam como um dos maiores talentos da música brasileira do século XXI com seu azeitado som pop black tropical.
Na flor da idade e cheios de atitude, Os Garotin apresentam um primoroso segundo álbum que vai além do disco de 2024, mas – como ressalta a crítica de Mauro Ferreira – conserva o frescor e a pegada do vigoroso álbum de estreia do trio.