Paciente expõe racismo e gordofobia chocantes de técnica de enfermagem em UPA de Santos, desencadeando investigações urgentes do Coren-SP e Prefeitura

Paciente expõe racismo e gordofobia chocantes de técnica de enfermagem em UPA de Santos, desencadeando investigações urgentes do Coren-SP e Prefeitura

Uma paciente internada na Unidade de Pronto Atendimento, UPA, da Zona Noroeste, em Santos, denunciou ter sido vítima de racismo e gordofobia por parte de uma técnica de enfermagem. O caso, que gerou grande repercussão, está sendo investigado por diversas autoridades.

Os comentários discriminatórios teriam ocorrido durante a internação da jovem, causando-lhe profundo desconforto e insegurança no ambiente hospitalar. A situação alarmante levanta questões importantes sobre o atendimento humanizado e a conduta profissional na área da saúde.

As denúncias já foram formalizadas e estão sob apuração da Prefeitura de Santos, do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, Coren-SP, e da Polícia Civil, conforme informações divulgadas pelo g1.

Os comentários discriminatórios durante a internação

A vítima relatou que as injúrias começaram na quinta-feira, 12, após o médico informar sobre sua possível alta hospitalar. A técnica de enfermagem teria iniciado os comentários ofensivos logo que o médico deixou o quarto.

Em tom de deboche, a profissional disse que era bom a paciente receber alta para lavar seu ‘cabelo duro’, que estava ‘todo embolado, cacheado e fedido’, e que ela precisava ‘arrumar o cabelo, pentear e tomar banho direito’. A jovem afirmou ter ficado ‘completamente sem reação naquele momento’ diante da situação.

Pouco depois, ao tentar aferir a pressão da paciente, a técnica de enfermagem teria dito que o braço da jovem era ‘muito gordo’ e que precisaria de um aparelho maior ‘porque eu comia muito doce’. Em seguida, a profissional começou a procurar doces dentro da mochila da paciente.

Ao ser oferecido um doce, a técnica de enfermagem recusou, alegando tomar Mounjaro, medicamento para diabetes e obesidade, e disse rindo que a paciente deveria ‘parar de comer’. Esses atos configuram claros exemplos de racismo e gordofobia, especialmente em um contexto de vulnerabilidade como a internação.

A revolta da paciente e a justificativa da profissional

Indignada com o ocorrido, a vítima relatou os fatos ao médico, que prontamente acionou a coordenação do hospital. A enfermeira chefe, ao conversar com a paciente, informou que a técnica de enfermagem havia reconhecido os comentários.

No entanto, a profissional alegou que tudo não passou de ‘apenas uma brincadeira’, justificando que ‘ela tem um marido negro e acima do peso’. A paciente, por sua vez, lamentou ter sofrido ‘uma situação grave de racismo e tratamento desumano’.

Após o incidente, a jovem passou a se sentir tratada com hostilidade por outras enfermeiras e, temendo por sua segurança em um ambiente onde não tinha direito a acompanhante, pediu alta hospitalar, mesmo sem estar totalmente recuperada.

Denúncias formais e as investigações em curso

A paciente, que considerou inaceitável ser alvo de racismo e discriminação em um ambiente de saúde, registrou a denúncia na ouvidoria municipal, no Coren-SP e na Polícia Civil. A Prefeitura de Santos informou que a ocorrência será apurada junto à organização social responsável pela gestão da UPA Zona Noroeste.

A Secretaria de Saúde de Santos ‘enfatiza que não compactua com quaisquer ações discriminatórias, primando pelo atendimento humanizado em todas as suas unidades próprias e conveniadas’, destacou a administração municipal em nota. O Coren-SP também abriu uma sindicância para investigar o caso.

O conselho afirmou que a apuração seguirá sob sigilo processual e, se constatados indícios de infração ética, será instaurado um processo ético-profissional. O Coren-SP reiterou seu compromisso com o exercício da enfermagem livre de qualquer tipo de discriminação.

Por fim, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, SSP-SP, informou que o caso foi registrado como injúria na Delegacia Eletrônica e encaminhado ao 5º Distrito Policial de Santos. A vítima foi orientada sobre o prazo de seis meses para representar criminalmente contra a autora dos comentários de racismo e gordofobia.

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