A investigação sobre a morte de um jovem durante uma abordagem policial em Manaus ganhou um novo e perturbador capítulo. Um dos policiais militares envolvidos, Belmiro Wellington Costa Xavier, já tinha um histórico criminal de peso, tendo sido preso anteriormente por suspeita de sequestro e extorsão.
Este fato levanta questionamentos urgentes sobre os critérios de permanência e atuação de agentes na Polícia Militar do Amazonas (PMAM), especialmente após uma prisão preventiva por crimes graves.
A revelação, divulgada pelo g1, adiciona uma camada de complexidade ao caso que já choca a capital amazonense, onde a família da vítima contesta veementemente a versão inicial da polícia.
O histórico problemático do policial
Belmiro Wellington Costa Xavier, agora investigado por morte de jovem em Manaus, já havia sido detido em 29 de dezembro de 2020. A prisão ocorreu após um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça do Amazonas, sob a acusação de sequestro e extorsão.
Os detalhes específicos do caso de extorsão permanecem sob segredo de Justiça, o que impede a divulgação de informações sobre a vítima, a data exata do crime ou a extensão da participação do policial. O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) acompanhou o processo, mas até o momento não há uma decisão definitiva sobre as acusações.
A Polícia Militar do Amazonas (PMAM) foi questionada pelo g1 sobre o status do policial que, apesar de uma prisão prévia por crimes graves, estava em liberdade e ativo nas ruas, mas ainda não forneceu um retorno.
A abordagem fatal em Manaus e a versão da família
O caso atual envolve a morte de um jovem durante uma abordagem policial em Manaus. Belmiro Wellington Costa Xavier e Hudson Marcelo Vilela de Campos, ambos policiais militares, estão atualmente presos preventivamente.
Segundo relatos de familiares, o rapaz estava em uma motocicleta quando foi abordado por volta das 2h45. A mãe da vítima descreveu a chegada ao local e o choque com a versão inicial apresentada pelos policiais.
Ela conta: “Quando eu cheguei lá, eu fui desesperada pra cima do corpo. Falaram que eu não podia chegar perto, que ele tinha sofrido um acidente, colidido com a calçada e quebrado o pescoço. Até então, eu me conformei, fiquei lá esperando a perícia. Nisso que a perícia chegou, a primeira coisa que eles fizeram foi virar o corpo e apontar o tiro que ele tomou no peito”.
O laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) confirmou a versão da família, indicando que a morte foi causada por ferimentos de projétil de arma de fogo, com lesão no pulmão.
A decisão da Justiça e a prisão dos PMs
A Justiça do Amazonas decretou a prisão preventiva dos policiais Belmiro Wellington Costa Xavier e Hudson Marcelo Vilela de Campos. O juiz Alcides Carvalho Vieira Filho destacou que as imagens disponíveis indicam que a vítima não oferecia resistência no momento da abordagem policial.
O magistrado ressaltou ainda a presença de indícios de uso excessivo da força por parte dos agentes e possíveis inconsistências nas versões que foram apresentadas inicialmente. Para a Justiça, esses fatores são cruciais e justificam a prisão preventiva, visando garantir a ordem pública e a devida instrução criminal.
O caso segue sob investigação rigorosa, buscando esclarecer todas as circunstâncias da morte do jovem e as responsabilidades dos policiais militares envolvidos, especialmente diante do histórico do PM investigado por morte de jovem em Manaus e seu passado de prisão por sequestro.