Polícia da Austrália Acusa Suspeito de Ataque Terrorista em Bondi Beach por 59 Crimes, Incluindo Terrorismo e Múltiplas Mortes em Hanukkah

Naveed Akram, de 24 anos, enfrenta graves acusações após tiroteio que resultou na morte de 15 pessoas e deixou 40 feridos durante celebração judaica em Sydney.

A Austrália viveu momentos de terror durante uma celebração do festival judaico de Hanukkah, quando um ataque violento na famosa praia de Bondi, em Sydney, chocou o país e o mundo. O incidente resultou em um grande número de vítimas e desencadeou uma intensa investigação policial.

Agora, as autoridades australianas deram um passo significativo ao formalizar acusações contra um dos suspeitos. A gravidade das infrações reflete a brutalidade do ocorrido e a determinação em classificar o ato como terrorismo.

As acusações incluem múltiplos crimes de assassinato, tentativa de assassinato e, crucialmente, terrorismo, conforme informações divulgadas pelo g1.

Detalhes da Acusação e os Suspeitos do Atentado Terrorista na Austrália

Nesta terça-feira, 17 de dezembro, a Polícia da Austrália anunciou que Naveed Akram, de 24 anos, foi acusado de 59 crimes relacionados ao atentado terrorista na praia de Bondi. Entre as acusações, destaca-se a de "terrorismo", além de 15 acusações de homicídio e 40 de tentativa de homicídio.

Naveed é suspeito de ter agido em conjunto com seu pai, Sajid Akram, de 50 anos, que morreu em confronto com a polícia após o ataque. O jovem, por sua vez, ficou gravemente ferido e chegou a permanecer em coma no hospital, mas agora foi formalmente acusado.

Segundo as autoridades, o crime pode ter sido inspirado por ideologias do Estado Islâmico. "Indícios iniciais apontam para um ataque terrorista inspirado pelo Estado Islâmico", afirmou um porta-voz em coletiva de imprensa.

As investigações revelaram que o veículo utilizado pelos dois homens continha bandeiras artesanais do grupo terrorista e estava registrado no nome de Naveed. Os policiais também informaram que pai e filho teriam viajado para as Filipinas um mês antes de cometerem o ataque.

O comissário da Polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, disse a jornalistas que "Os motivos pelos quais eles foram às Filipinas, o objetivo dessa viagem e os locais por onde passaram estão sendo investigados neste momento". O pai entrou nas Filipinas com passaporte indiano, e o filho, com passaporte australiano, segundo a agência France-Presse.

O Ataque Brutal em Bondi Beach durante o Hanukkah

O atentado terrorista na Austrália ocorreu durante o primeiro dia do festival judaico de Hanukkah, quando dois homens abriram fogo contra as pessoas que celebravam a data no local. No total, 15 pessoas morreram e 40 ficaram feridas, incluindo dois policiais.

As vítimas tinham idades entre 10 e 87 anos. A mais jovem, uma menina, veio a óbito no hospital. Entre os mortos, estava o rabino Eli Schlanger, de 41 anos, nascido em Londres, conforme noticiado pelos jornais britânicos The Guardian e BBC News. Um israelense também foi morto no ataque.

Durante uma coletiva de imprensa, o comissário da polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, classificou o evento como um "incidente terrorista". O primeiro-ministro de Nova Gales do Sul, Chris Minns, acrescentou que "o ataque foi planejado para atingir a comunidade judaica de Sydney, no primeiro dia do Hanukkah".

Imagens chocantes mostraram um dos atiradores sendo desarmado por um homem, um vendedor de frutas de 43 anos, que se tornou um herói. Ele foi atingido por dois disparos, um no braço e outro na mão, mas se recupera bem no hospital, conforme relatou o jornal Guardian.

A Investigação e a Busca por Respostas

A polícia australiana concluiu que não houve participação de um terceiro suspeito no atentado terrorista na Austrália. Uma série de itens suspeitos, incluindo um "objeto que se acredita ser um artefato explosivo", foi retirada de um carro próximo à praia, e uma área de exclusão foi estabelecida para investigação.

Mike Burgess, diretor-geral da inteligência australiana (ASIO), afirmou que a agência está analisando a identidade dos atiradores e investigando se existe "alguém na comunidade que tenha intenção semelhante". Ele ressaltou, no entanto, que "neste momento, não temos qualquer indicação disso".

O nível de ameaça terrorista na Austrália permanece como "provável", o que significa que há 50% de chance de um ato terrorista. "Infelizmente, vimos esse ato horrível ocorrer hoje à noite na Austrália", lamentou Burgess.

Repercussão Global e Condenação ao Atentado Terrorista na Austrália

O ataque em Bondi Beach gerou uma onda de condenação internacional. O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, classificou as imagens como "angustiantes e chocantes". A ministra das Relações Exteriores, Penny Wong, afirmou que "O terrorismo, o antissemitismo, a violência e o ódio não têm lugar na Austrália".

No Reino Unido, a polícia anunciou o reforço do policiamento em comunidades judaicas, especialmente devido ao início do Hanukkah. Os Estados Unidos condenaram "veementemente” o ataque, com o secretário de Estado, Marco Rubio, declarando que "O antissemitismo não tem lugar neste mundo".

O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o episódio como um "ataque hediondo e mortal", expressando solidariedade à comunidade judaica global. O presidente israelense, Isaac Herzog, chamou o ataque de "cruel contra os judeus", enquanto Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, criticou o governo australiano.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) também publicou uma nota, manifestando "sua profunda consternação e solidariedade à comunidade judaica da Austrália". Este evento reacende o debate sobre a segurança e o combate ao terrorismo em nível global.

Mortes em ataques a tiros em massa são extremamente raras na Austrália. Um massacre ocorrido em 1996, que matou 35 pessoas, levou o governo a endurecer drasticamente as leis sobre armas, tornando muito mais difícil para os australianos adquirirem armas de fogo.

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