O incidente ocorreu em Betim, na Grande BH, onde a instalação de um portão gerou uma briga que escalou para tiros, deixando um empresário em estado grave.
Uma discussão acalorada pela instalação de um portão eletrônico em Betim, na Grande BH, culminou em um trágico tiroteio. Um policial penal, de 45 anos, efetuou disparos contra um empresário da mesma idade, que agora se encontra em estado grave no hospital.
O caso, registrado na noite da última sexta-feira (20), levanta questões sobre os limites da convivência e a escalada da violência em conflitos cotidianos. A Polícia Militar foi acionada após ouvir os tiros e se deparou com a cena tensa no bairro Duque de Caxias.
A vítima foi prontamente socorrida e internada, enquanto o policial penal alegou ter agido em legítima defesa, afirmando que o empresário o teria ameaçado com uma arma, conforme informações divulgadas pelo g1.
Discussão por portão e a versão do policial
O cenário do conflito foi o bairro Duque de Caxias, em Betim. Segundo o relato do policial penal Eduardo Santos da Encarnação à Polícia Militar, ele estava em uma de suas propriedades para acompanhar a manutenção de um portão eletrônico. No local, um vizinho expressou sua insatisfação com a recente instalação de outro portão por Anderson Matias da Silva, o empresário, sem a devida entrega de chave, dificultando o acesso.
Ao reencontrar Anderson na área comum, a discussão se intensificou. Eduardo afirmou ter avisado que tomaria medidas legais para a remoção do novo portão. Foi nesse momento, segundo sua versão, que a situação se descontrolou, com Anderson supostamente se exaltando e sacando uma arma de sua cintura, apontando-a contra o policial penal.
Eduardo declarou à PM que se abrigou atrás do carro e realizou disparos. Ele justificou a ação como uma forma de “cessar a injusta agressão e preservar sua vida”. Após a queda da vítima, o policial penal recolheu a arma antes da chegada da equipe da Polícia Militar, que atendia à ocorrência de um policial penal atira em empresário.
Testemunhas relatam momentos de tensão
A versão do policial penal foi parcialmente corroborada por uma testemunha. Ela relatou aos militares ter visto Anderson armado e Eduardo se escondendo atrás de um veículo. A testemunha afirmou ter ouvido os tiros enquanto corria para proteger sua filha pequena, em um momento de pânico e incerteza durante a discussão que levou o policial penal a atirar em empresário.
A irmã da vítima, que também estava presente no local do incidente, confirmou ter percebido a discussão entre os dois homens. Contudo, ela não soube fornecer detalhes sobre a arma que teria sido utilizada pelo irmão. A irmã informou ainda que Anderson havia adquirido a residência recentemente, na região da Grande BH.
Estado de saúde grave e investigação em curso
Anderson Matias da Silva foi socorrido pela própria Polícia Militar e encaminhado em estado grave para o Hospital Regional de Betim. A equipe médica informou que o empresário foi intubado e seu quadro de saúde era grave, com uma possível evolução para morte cerebral, o que indica a seriedade dos ferimentos após o policial penal atirar em empresário.
A Prefeitura de Betim, em nota oficial, informou que, seguindo as determinações do Código de Ética Médica, não divulga informações sobre o estado de saúde de pacientes. Isso mantém a privacidade do empresário, enquanto a família aguarda por notícias sobre sua recuperação.
As armas envolvidas no incidente foram apreendidas pelas autoridades. Eduardo Santos da Encarnação recebeu voz de prisão e foi levado à delegacia. Após ser ouvido na 2ª Central do Plantão Digital, o policial penal foi liberado. A Polícia Civil afirmou que o caso será apurado pela delegacia responsável em momento posterior, e novas informações serão divulgadas oportunamente sobre o ocorrido em Betim.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) também se manifestou sobre o ocorrido. A pasta esclareceu que a situação se deu fora do horário de trabalho do servidor e que instaurou um procedimento preliminar para investigar a conduta do policial penal. A Sejusp reforçou seu compromisso em apurar rigorosamente quaisquer desvios de conduta, respeitando sempre o devido processo legal.